O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou os dados consolidados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O estudo revela um cenário de contrastes no país: enquanto o Brasil alcançou a menor taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) das últimas duas décadas — com queda expressiva nos homicídios e roubos patrimoniais —, os crimes virtuais, o estelionato e as agressões contra mulheres e crianças atingiram patamares alarmantes.
Em 2025, o país registrou 40.775 mortes violentas, representando uma redução de 8,2% em relação ao ano anterior. A taxa nacional ficou em 19,1 por 100 mil habitantes, o menor índice registrado em 14 anos. Contudo, o perfil das vítimas fatais continua marcando a profunda desigualdade social e racial do país: 90,8% são homens, 79,7% são negros e 41,6% são jovens de 18 a 29 anos.
Resumo Rápido
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Queda Histórica de Homicídios: O Brasil teve 40.775 mortes violentas intencionais em 2025 (-8,2%), a menor taxa desde 2012.
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Bahia e Nordeste no Centro do Debate: A Bahia aparece com a segunda maior taxa de MVI do país (36,8 por 100 mil), abrigando 5 das 10 cidades mais violentas do Brasil (Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro).
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Explosão do Estelionato: Com mais de 2,26 milhões de boletins de ocorrência, o golpe se consolidou como o principal crime contra o patrimônio no país.
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Violência de Gênero e Infantil: O país atingiu 1.571 vítimas de feminicídio (+4,0%) e viu os casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes saltarem 106,1% entre 2021 e 2025.
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Efeito STF nas Drogas: As ocorrências de posse e uso de entorpecentes caíram 18,3% após a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal pelo STF.
As Cidades Mais Violentas e o Panorama Baiano
Apesar do recuo nacional, a violência letal continua concentrada de forma crítica em municípios do Nordeste. No ranking das dez cidades com maiores taxas de MVI por 100 mil habitantes, Maranguape (CE) lidera o índice nacional com 100,3.
A Bahia destaca-se negativamente ao somar cinco municípios na lista das 10 cidades mais violentas do país e registrar a segunda maior taxa média entre os estados (36,8 por 100 mil hab.), atrás apenas do Amapá (42,5):
As 10 Cidades com Maiores Taxas de MVI (por 100 mil hab.)
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Maranguape (CE) – 100,3
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Eunápolis (BA) – 85,1
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Maracanaú (CE) – 80,7
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Porto Seguro (BA) – 71,2
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Simões Filho (BA) – 68,1
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Jequié (BA) – 67,4
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Caucaia (CE) – 66,6
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Cabo de Santo Agostinho (PE) – 65,1
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Santa Rita (PB) – 60,9
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Juazeiro (BA) – 55,8
Apenas 7 unidades da federação registraram alta nas mortes violentas, lideradas pelo Rio Grande do Norte (+19,6%) e Rondônia (+7,5%). Em contrapartida, Santa Catarina (7,6) e São Paulo (7,8) mantêm os menores índices do país.
Estelionato vira “O Crime que Compensa” e Roubos de Celular Migram para Furtos
O Anuário confirma uma migração sem precedentes dos crimes patrimoniais para o ambiente digital e a aplicação de golpes. Todos os indicadores de roubo tradicional despencaram: roubos a veículos (-20,6%), estabelecimentos comerciais (-18,3%), transeuntes (-23,4%) e residências (-19,8%).
Por outro lado, o estelionato disparou 429,8% desde 2018, registrando 2.261.055 boletins de ocorrência em 2025 — o que equivale a 258 golpes por hora no Brasil. No entanto, a impunidade preocupa: para mais de 2,2 milhões de registros, foram abertos apenas 63.771 processos penais.
EVOLUÇÃO DOS CRIMES NO BRASIL
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[+] Estelionatos/Golpes: +429,8%
(2.261.055 casos - 258/hora)
[-] Roubo a Transeunte: -23,4%
[-] Roubo de Veículos: -20,6%
[-] Roubo a Residências: -19,8%
[-] Roubo a Comércio: -18,3%
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Aparelhos Celulares na Mira
O país somou 830.890 celulares subtraídos em 2025 (95 aparelhos por hora). Enquanto os roubos com violência caíram 18,6%, os furtos sutis cresceram 0,9%. A cidade de São Paulo concentra isoladamente 20% de todos os roubos e furtos de celular do país. Já nos índices proporcionais, São Luís (MA) lidera o ranking de taxa por 100 mil habitantes (1.517,0), seguida por Belém (1.487,0), São Paulo (1.390,5) e Salvador (1.195,0).
Cresce o Alerta para Feminicídios e Crimes contra Crianças
Enquanto os crimes de rua recuaram, as residências tornaram-se ambientes de extremo risco para mulheres e crianças.
Violência contra a Mulher
O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025 (+4,0% em relação a 2024).
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Perfil: 65,1% das vítimas eram negras e 56,5% tinham entre 25 e 44 anos.
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Local e Autoria: 62,5% das mortes ocorreram dentro de casa. Em 79,8% dos casos com autoria identificada, o assassino era o companheiro (60,9%) ou ex-companheiro (18,9%).
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Outras Elevações: Agressões por violência doméstica chegaram a 286.270 casos, e os registros de stalking (perseguição) subiram 30,1%, alcançando 123.871 ocorrências.
Violência Infantil e Abuso Digital
Os dados envolvendo crianças e adolescentes revelam escalada em múltiplas frentes:
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Maus-tratos: Crescimento alarmante de 106,1% entre 2021 e 2025, alcançando 38.986 registros. Crianças de 0 a 9 anos representam 59,1% das vítimas.
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Estupro de Vulnerável: Foram 84.388 vítimas de estupro, sendo 77% enquadradas como vulneráveis (60,3% tinham até 13 anos). Em 89,2% dos casos contra menores de 13 anos, o agressor era um familiar ou pessoa conhecida.
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Crimes Virtuais Infantil: Os registros de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil saltaram 25,3% (4.063 casos). Adicionalmente, o bullying cresceu 68,2% e o cyberbullying subiu 61,4%.
Armas, Sistema Prisional e Maconha: O Impacto das Decisões Institucionais
Mudança no Controle de Drogas (Tema 506 STF)
Após a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal em 2024, os registros de posse e uso de drogas despencaram 18,3% em 2025 (107.986 ocorrências). Em contrapartida, as autuações por tráfico de drogas subiram 18,5% (207.058 casos).
Encarceramento e Sistema Prisional
O Brasil atingiu a marca de 964.668 pessoas presas (+5,6% no ano), gerando um déficit de 281.213 vagas no sistema carcerário (aumento de 18,3% na superlotação). O perfil da população prisional permanece hegemonicamente composto por homens (94%) e negros (69,6%).
Estabilização de Armas de Fogo
O mercado de armas deu sinais de estabilização. O país contabiliza 2,1 milhões de registros ativos de armas de fogo. Atualmente, cerca de 1 milhão de pessoas com certificado de CAC possuem 1,6 milhão de armas, sob gestão da Polícia Federal. Contudo, um dado preocupa as autoridades: 3 em cada 10 registros de armas estão vencidos no país.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual é a taxa atual de homicídios no Brasil?
De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025 foi de 19,1 por 100 mil habitantes, a menor registrada pelo país nos últimos 14 anos.
Por que os casos de posse de drogas diminuíram no Brasil?
A redução de 18,3% nos registros de posse e uso de drogas é reflexo direto do julgamento do Tema 506 pelo STF em 2024, que descriminalizou o porte de maconha para consumo pessoal.
Quais são os crimes que mais cresceram no país?
Os maiores aumentos foram registrados nos crimes virtuais e patrimoniais sem violência física — com destaque para os estelionatos (+429,8% desde 2018) —, além dos casos de maus-tratos contra crianças (+106,1% em 5 anos) e stalking (+30,1%).
Por Redação | Com informações do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Fórum Brasileiro de Segurança Pública)

