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Bahia

Barreiras recebe Sesab para alinhar diretrizes da política antimanicomial

Barreiras, Bahia
Por Fábio Silva | Publicado em 07/10/2026 às 22:12
política antimanicomial
Prefeitura Municipal de Barreiras
📖 Leitura: 5 Min

A articulação entre os serviços de saúde e o sistema de justiça ganhou novo fôlego na região oeste baiana, impulsionada por debates técnicos sobre a desinstitucionalização e o cuidado humanizado voltado a indivíduos com sofrimento psíquico sob custódia legal. A gestão municipal de Barreiras recebeu, recentemente, uma comitiva da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) com o propósito central de acelerar a adaptação local às diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por meio de seu marco normativo voltado ao fechamento progressivo de manicômios judiciários.

Resumo rápido:

  • Barreiras recebeu técnicos da Sesab para alinhar a Resolução CNJ nº 487/2023.
  • Foco é o acompanhamento de pessoas com transtorno mental em conflito com a lei.
  • Ações integram saúde, assistência social e órgãos de justiça no território.

Como Funciona a Implementação da Resolução CNJ nº 487/2023

A Resolução CNJ nº 487/2023 estabelece o protocolo nacional para a atenção integral às pessoas com transtorno mental em conflito com a lei, determinando o fim gradativo dos manicômios judiciários e a migração do custodiado para o tratamento comunitário assistido pela rede pública.

A norma federal exige que o Poder Judiciário trabalhe em sintonia fina com as secretarias estaduais e municipais de saúde. Na prática, isso significa que indivíduos que antes cumpriam medidas de segurança em instituições de custódia fechada passam a ser avaliados e inseridos em planos terapêuticos individualizados nos municípios de origem. O objetivo é garantir que o acompanhamento ocorra dentro dos princípios antimanicomiais, priorizando o convívio social monitorado por equipes multidisciplinares e integradas, sem o isolamento carcerário tradicional.

A Articulação da Rede de Atenção Psicossocial no Oeste Baiano

A estrutura de atendimento em Barreiras serve como modelo de integração territorial ao conectar diferentes esferas do poder público para sustentar o cuidado em liberdade.

Durante a visita técnica, os representantes estaduais e municipais debateram os fluxos operacionais que unem os Centros de Atenção Psicossocial (como o CAPS II e o CAPS AD) aos equipamentos da Rede SUAS, abrangendo unidades como CRAS, CREAS e o Centro POP. Essa malha de proteção social conjunta assegura que o paciente não receba apenas suporte psiquiátrico medicamentoso, mas também acompanhamento social, habitação e inserção em programas de assistência. A coordenadora de Saúde Mental de Barreiras, Denny Samper, pontuou que a união de esforços é indispensável para que o usuário receba um suporte condizente com sua realidade. “Essa construção conjunta é fundamental para avançarmos na implementação da política antimanicomial e garantir uma atenção contínua, humanizada e em liberdade”, destacou a gestora.

O Papel Estratégico da Defensoria Pública e da Assistência Social

A garantia dos direitos fundamentais dos pacientes psiquiátricos sob custódia demanda uma atuação coordenada que transcende os muros das unidades sanitárias e alcança o sistema de justiça formal.

A participação ativa da Defensoria Pública no monitoramento dos casos assistidos pelas equipes locais cria uma salvaguarda jurídica essencial para evitar abusos institucionais e assegurar o cumprimento estrito das prerrogativas legais dos assistidos. Para a psicóloga Ana Paula Pereira, da Coordenação de Saúde Mental da Sesab, a experiência observada em solo barreirense demonstra maturidade na gestão integrada. A profissional, acompanhada da assistente social Renata Passos, afirmou que a articulação multissetorial observada no município fortalece o modelo de atenção no território baiano.

O Desafio Histórico da Desinstitucionalização Psiquiátrica no Brasil

O encontro institucional reflete uma transformação estrutural profunda que o sistema de saúde brasileiro atravessa há décadas, buscando superar o modelo hospitalocêntrico e excludente que marcou a psiquiatria por gerações.

Historicamente, o país operava sob a lógica do confinamento perpétuo de pacientes psiquiátricos considerados perigosos pelo aparato penal, muitas vezes resultando em violações sistemáticas de direitos humanos e abandono terapêutico crônico. A virada de chave proporcionada pela Reforma Psiquiátrica, somada às recentes normativas do Conselho Nacional de Justiça, transfere a responsabilidade do cuidado para a comunidade. No entanto, o sucesso dessa transição depende diretamente da capacidade dos municípios em estruturar redes de apoio robustas, capazes de absorver essa demanda sem sobrecarregar os serviços básicos existentes, exigindo investimentos contínuos em capacitação de pessoal e infraestrutura pública.

Perguntas Frequentes

O que muda com a Resolução CNJ nº 487/2023?

A norma determina o fim dos manicômios judiciários no Brasil, direcionando pessoas com transtornos mentais em conflito com a lei para tratamento ambulatorial e comunitário na rede pública.

Como Barreiras está se preparando para essa transição?

O município articula a integração entre os serviços de saúde mental (CAPS), a assistência social (CRAS e CREAS) e órgãos de justiça para garantir acompanhamento contínuo e humanizado.

Qual é o papel da Defensoria Pública nesse processo?

A instituição atua na articulação e no monitoramento jurídico dos casos assistidos, garantindo que os direitos dos usuários sejam preservados durante o acompanhamento em liberdade.

Fábio Silva
Escrito por
Editor de Municípios

Com 32 anos de experiência sólida na radiodifusão, Fábio é o jornalista dedicado a dar voz e visibilidade aos municípios baianos. Conhecedor profundo da realidade regional, ele é o responsável por cobrir os principais acontecimentos, o cotidiano e o desenvolvimento das cidades do interior e da capital. Tendo atuado diretamente em polos como Feira de Santana, Jequié, Serra do Ramalho e Salvador, Fábio produz matérias que conectam os desafios e as conquistas locais ao interesse público. Além da apuração rigorosa no jornalismo municipal, ele aplica sua expertise para garantir que as notícias de cada canto da Bahia alcancem destaque e projeção nacional.

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