A desertificação no Brasil coloca cerca de 39 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade, ameaçando a segurança hídrica e alimentar em diversas regiões do país. Entre 2000 e 2020, a área afetada pelo processo de degradação expandiu-se em 170 mil quilômetros quadrados, atingindo um total de 1,51 milhão de km² do território nacional.
Resumo rápido:
- Desertificação no Brasil afeta 39 milhões de pessoas, incluindo comunidades tradicionais e agricultores familiares.
- O avanço do fenômeno compromete a segurança alimentar, hídrica e a economia em diversas regiões brasileiras.
- Áreas Suscetíveis à Desertificação compõem 18% do território nacional, exigindo atenção de órgãos governamentais.
O avanço da desertificação no Brasil e seus impactos sociais
O processo de desertificação no Brasil não se resume à formação de areais, mas sim à perda da capacidade produtiva do solo e da sua habilidade em reter água e sustentar a vida. Segundo dados da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), 18% do território brasileiro é classificado como Área Suscetível à Desertificação (ASD).
O aumento de 170 mil km² na área degradada nas últimas duas décadas equivale à soma territorial dos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Esse cenário afeta diretamente populações vulneráveis, como explicou a coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Ivi Aliana:
“Elas são as primeiras a sentir os efeitos, porque lidam diretamente com os impactos na água e na biodiversidade no território. Parece um problema distante para alguns, mas a desertificação afeta a produção de alimentos, a segurança hídrica, a economia, influencia no aumento do calor.”
Entendendo o fenômeno e as causas da degradação ambiental
Diferente da aridez natural observada em desertos como o Saara ou o Atacama, a desertificação resulta, majoritariamente, da intervenção humana. Atividades como o desmatamento e o manejo inadequado da agricultura aceleram a perda de nutrientes e a compactação da terra.
O monitoramento do clima é realizado através do índice de aridez, que mede a relação entre a quantidade de chuva e a evaporação. No Brasil, o clima varia entre subúmido seco, semiárido e árido. Em 2023, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificaram, pela primeira vez, uma zona árida no país, abrangendo 6 mil km² entre Pernambuco e Bahia.
Abaixo, detalhamos como o solo perde sua resiliência:
- Perda de cobertura vegetal: a remoção da vegetação nativa expõe o solo ao impacto direto do sol e das chuvas, reduzindo a infiltração de água.
- Exaustão de nascentes: a degradação das áreas de recarga hídrica provoca o secamento de fontes de água essenciais para o consumo e a irrigação.
- Armazenamento de carbono: o solo da Caatinga, por exemplo, armazena 125 toneladas de carbono por hectare, funcionando como um sumidouro natural que ajuda a equilibrar o clima.
Caatinga: o bioma na linha de frente do monitoramento
A Caatinga apresenta os índices mais críticos de deterioração, com 11% de sua área em situação severa, totalizando 100 mil km². O pesquisador Aldrin Martin Pérez-Marín, do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), destaca a importância da preservação deste bioma para o controle do aquecimento global.
O trabalho do Observatório da Caatinga e da Desertificação (OCA), em parceria com mais de 30 instituições, demonstra que o bioma atua como um cofre natural de carbono. Proteger a vegetação nativa é, portanto, uma estratégia de utilidade pública para manter a estabilidade climática.
Para quem vive nessas regiões, a adaptação envolve o fortalecimento de práticas agroecológicas que buscam conviver com o semiárido. O foco das autoridades, que debaterão o tema na COP17 na Mongólia, entre 17 e 28 de agosto, é integrar políticas de desenvolvimento que respeitem os limites dos ecossistemas.
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Perguntas Frequentes
O que é o processo de desertificação?
É a degradação ambiental onde a terra perde sua produtividade e capacidade de reter água, causada principalmente por desmatamento e agricultura inadequada.
Quais regiões brasileiras são mais afetadas?
Os nove estados do Nordeste concentram os maiores impactos, mas o fenômeno atinge também partes de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
Existe deserto natural no Brasil?
Não. O Brasil possui zonas áridas identificadas por índices climáticos, mas não apresenta desertos hiperáridos como os encontrados no Chile ou no norte da África.
