A redução da barreira logística para o acesso a direitos básicos transformou a rotina de centenas de famílias no bairro do Uruguai, em Salvador, após a descentralização de serviços públicos voltados especificamente para o suporte às chamadas mães atípicas.
Resumo rápido:
- Prefeitura de Salvador levou serviços essenciais de cidadania para mães atípicas no bairro do Uruguai.
- Ação reduz distâncias e facilita o acesso a CadÚnico, CIPTEA e suporte assistencial especializado.
- Projeto Mães em Ação articula parcerias locais para fortalecer o amparo às famílias soteropolitanas.
Descentralização como estratégia de inclusão
A iniciativa, realizada no bairro do Uruguai por meio da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), permitiu que mulheres que cuidam de dependentes com deficiência acessassem, sem necessidade de deslocamento para outros centros, atendimentos como a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) e a atualização do CadÚnico.
Para muitas dessas mulheres, o deslocamento geográfico é o principal entrave para a garantia de direitos. A logística de transporte, somada à necessidade de acompanhamento integral dos filhos, torna idas a repartições públicas centrais um desafio quase intransponível. Ao levar a estrutura do Cras e os serviços de assistência diretamente ao território de convivência dessas famílias, a gestão municipal rompe o ciclo de invisibilidade administrativa que frequentemente afeta cuidadores de pessoas com necessidades especiais.
O impacto prático do projeto Mães em Ação
O projeto Mães em Ação, fundado há seis anos, atua como uma rede de suporte para cerca de 750 mulheres cadastradas. A parceria com a Prefeitura de Salvador e a Igreja Missionária Batista Nova Esperança exemplifica como a colaboração entre o poder público e a sociedade civil organizada potencializa a eficácia das políticas de proteção social em áreas periféricas.
A presidente da associação, Vivian Soares, ressalta que a instituição nasceu da necessidade premente de acolhimento. “Muitas dessas mães não têm com quem deixar os filhos para sair e resolver as demandas, por isso esse evento é muito importante. A Prefeitura possibilita, por exemplo, que elas façam a carteirinha aqui mesmo na instituição, sem precisar se deslocar para outras regiões da cidade”, explica Soares. O impacto é direto na economia doméstica e na saúde mental dessas cuidadoras, que encontram no espaço um ambiente seguro para tratar de burocracias essenciais enquanto seus filhos são observados em uma rede de apoio mútua.
Cronograma de serviços e perspectivas futuras
A diretora de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência, Daiane Pina, confirmou que a ação no Uruguai foi apenas o marco inicial de um cronograma expandido. A secretaria planeja integrar cursos de capacitação profissional, como designer de sobrancelhas e trancista, além de formações em primeiros socorros e empreendedorismo, visando a autonomia financeira dessas mulheres.
| Serviço Oferecido | Público-alvo | Objetivo |
|---|---|---|
| Atualização CadÚnico | Famílias de baixa renda | Manter benefícios sociais ativos |
| Emissão da CIPTEA | Pessoas com TEA | Garantir prioridade e direitos |
| Suporte do Cras | População local | Acesso a programas de assistência |
| Formação Profissional | Mães e cuidadoras | Geração de renda e autonomia |
O papel da CIPTEA e do CadÚnico na proteção social
Compreender a importância desses documentos é fundamental para qualquer cuidador. O CadÚnico é o instrumento que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda, permitindo o acesso a diversos programas sociais do governo federal. Já a CIPTEA é um documento fundamental que assegura o direito à atenção integral, pronto atendimento e prioridade no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social.
Quando esses serviços chegam ao bairro, o efeito é a democratização do acesso. Não se trata apenas de conveniência, mas de garantir que diagnósticos de TDAH ou TEA recebam o suporte estatal devido, sem que a família precise abdicar de um dia de trabalho ou de cuidados essenciais para enfrentar filas em órgãos centrais.
Relato de quem vive a rotina de cuidados
A técnica de enfermagem Joselina Bispo, que cuida de dois netos — um com diagnóstico de TDAH e outro em investigação para TEA —, ilustra a transformação que a presença do Estado no bairro proporciona. Para Joselina, o evento representa a viabilização de terapias e documentos que, de outra forma, exigiriam esforços exaustivos. “Através do projeto, conseguimos as terapias que eles precisam; e agora com essa ação da Prefeitura, acessamos estes outros serviços. É próximo de casa, basta trazer os documentos e é tudo gratuito”, relata a avó, destacando a importância da gratuidade e da proximidade como fatores determinantes para a continuidade do tratamento de seus netos.
Perguntas Frequentes
1. Como as mães atípicas podem participar das próximas edições do projeto?
A Prefeitura de Salvador, por meio da Sempre, coordena as ações em parceria com associações locais como o grupo Mães em Ação. É recomendável que as interessadas busquem contato com o Cras da sua região ou acompanhem os canais oficiais da Secretaria Municipal de Promoção Social para verificar o calendário de mutirões e as exigências documentais para o atendimento.
2. O que é necessário para emitir a CIPTEA durante esses eventos?
Geralmente, é necessário apresentar laudo médico com CID, documentos de identificação do beneficiário e do responsável legal, além de comprovante de residência. Em eventos itinerantes como o realizado no Uruguai, a Prefeitura organiza o fluxo para que a coleta de dados ocorra no local, mas a documentação completa é indispensável para evitar pendências.
3. Quais são os benefícios do CadÚnico para famílias com pessoas com deficiência?
O Cadastro Único é a porta de entrada para diversos benefícios, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e programas de tarifa social de energia elétrica. Manter o cadastro atualizado é o passo mais importante para que a família não perca o acesso a auxílios que são essenciais para custear terapias, medicamentos e itens de higiene necessários ao tratamento de pessoas com TEA ou outras condições.
