A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (Pmerj) deflagrou nesta quinta-feira (13) uma ampla ofensiva contra o Comando Vermelho (CV) em dezenas de comunidades da capital e de municípios da região metropolitana. A mobilização conta com o efetivo de pelo menos 27 batalhões, além de grupamentos vinculados ao Comando de Operações Especiais (COE), com o intuito de sufocar rotas logísticas do crime organizado, cumprir mandados de prisão pendentes, desmantelar pontos de venda de entorpecentes e retirar barricadas erguidas por criminosos para barrar o trânsito de viaturas e moradores.
- Ação da Pmerj mobiliza 27 batalhões em áreas dominadas pelo Comando Vermelho na capital e na Baixada Fluminense.
- Operações ocorrem logo após o registro da milésima pessoa atingida por disparos de arma de fogo no Grande Rio em 2026.
- Foco da polícia inclui combate ao roubo de cargas, apreensão de fuzis e destruição de barricadas nas comunidades.
Impacto na Baixada Fluminense e Estratégia de Contenção
As diligências policiais se espalharam rapidamente por zonas críticas da Baixada Fluminense, abrangendo cidades densamente povoadas como Duque de Caxias, São João de Meriti, Magé, Itaboraí e Queimados, além de localidades tradicionais como São Gonçalo e Niterói. Historicamente, o roubo de cargas e de veículos nas rodovias federais e estaduais que cortam esses municípios serve como principal fonte de financiamento para as facções armadas. No Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio, equipes especializadas atuaram na remoção de obstáculos de concreto e trilhos de trem usados para blindar o acesso interno dos criminosos, estruturas que frequentemente paralisam o direito de ir e vir da população trabalhadora.
O planejamento tático também visou conter disputas territoriais sangrentas entre quadrilhas rivais. No Morro do Andaraí, também na Zona Norte, o avanço das forças de segurança buscou arrefecer o clima de pânico instaurado por confrontos contínuos entre facções. Em paralelo, a Inteligência da corporação direcionou esforços para capturar alvos prioritários. No Quitungo, comunidade localizada em Brás de Pina, um homem apontado como suspeito de envolvimento na morte do sargento da PM Marco Antônio Matheus Maia, ocorrida em dezembro de 2024, acabou preso em posse de um fuzil AR-10. Na Cidade de Deus, Zona Sudoeste, um tiroteio resultou em dois feridos socorridos ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, com os quais foram apreendidos pistola, granada e entorpecentes. Prisões e apreensões de fuzis também foram registradas na Vila Vintém e em Niterói, nas comunidades da Coronel e da Nova Brasília.
A Escalada da Violência Armada e o Perfil das Vítimas
A grande operação policial eclode em um momento de extrema tensão social, exatamente um dia após a fonoaudióloga Aline de Siqueira Affonso, de 53 anos, ser atingida por um tiro no pescoço enquanto viajava dentro de um ônibus em Vicente de Carvalho, na Zona Norte. O disparo que vitimou a profissional ocorreu durante um confronto entre policiais e criminosos na região.
Dados estatísticos compilados pela organização não governamenta Instituto Fogo Cruzado revelam a gravidade do cenário: com o caso da fonoaudióloga, o Grande Rio atingiu a marca trágica de 1.000 pessoas baleadas apenas no ano de 2026, computando dados consolidados até o dia 12 de agosto. O levantamento demonstra que 537 pessoas morreram e 463 ficaram feridas por projéteis de arma de fogo na região metropolitana, o que representa uma média estatística de 30 vítimas semanais ou quatro ocorrências diárias.
O mapeamento detalha ainda que cerca de metade das vítimas (509 pessoas) foi alcançada durante operações policiais, enquanto 63 cidadãos tornaram-se vítimas colaterais de balas perdidas, acumulando 15 óbitos e 48 feridos. Para o coordenador do Fogo Cruzado, Carlos Nhanga, episódios como o ocorrido dentro do transporte público evidenciam que a violência urbana extrapola as trincheiras do confronto direto, colocando em risco constante a rotina de quem apenas circula pela malha urbana da metrópole.
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Perguntas Frequentes
Qual é o principal objetivo da megaoperação da Polícia Militar no Rio?
A ação coordenada visa desarticular o Comando Vermelho, combater os crimes de roubo de veículos e cargas, cumprir mandados de prisão, apreender armamentos pesados e remover barricadas instaladas por criminosos.
Quais regiões foram priorizadas pelas forças de segurança?
A operação atinge a capital fluminense e municípios da Região Metropolitana, com forte concentração na Baixada Fluminense (Duque de Caxias, São João de Meriti, Magé, Itaboraí e Queimados), além de Niterói e São Gonçalo.
O que revelam os dados do Instituto Fogo Cruzado sobre 2026?
O levantamento aponta que o Grande Rio registrou 1.000 pessoas baleadas até o dia 12 de agosto de 2026, sendo 537 mortes e 463 feridos, impulsionados tanto por confrontos armados quanto por disputas territoriais entre facções e milícias.
