O total de brasileiros que enfrentam a busca por trabalho há dois anos ou mais despencou para o menor patamar da história recente. De acordo com os dados da Pnad Contínua, divulgados na manhã desta sexta-feira (14) pelo IBGE, o contingente no chamado desemprego longo recuou 15,6% em comparação com o segundo trimestre de 2025, restando agora 1,06 milhão de pessoas nessa situação. Essa melhora histórica no núcleo da desocupação acompanha a retração da taxa de desemprego por estado, que apresentou queda em 13 das 27 unidades da federação no segundo trimestre de 2026.
- O contingente de pessoas no desemprego de longa duração (há dois anos ou mais) caiu para 1,06 milhão, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.
- Onze estados registraram índices de desocupação abaixo da média nacional de 5,4%, com destaque para o Sul e o Centro-Oeste.
- Apesar da melhora geral, o desemprego entre mulheres (6,4%) e pessoas negras (pretas e pardas) segue acima da média do país.
O abismo geográfico no mercado de trabalho nacional
A média nacional de desocupação fixou-se em 5,4% no segundo trimestre de 2026, uma redução consistente frente aos 6,1% registrados nos primeiros três meses do ano. Contudo, esse indicador esconde disparidades regionais severas. Enquanto cinco estados brasileiros operam em patamar de pleno emprego teórico — com índices que sequer atingem os 3% —, outras regiões ainda enfrentam gargalos estruturais profundos para absorver a mão de obra disponível.
A dinâmica econômica local explica essas diferenças gritantes. O analista da pesquisa, William Kratochwill, esclarece que a assimetria federativa decorre diretamente do perfil produtivo de cada localidade. “Santa Catarina e a região Sul como um todo apresentam níveis muito mais fortes que os estados do Norte e Nordeste”, assinala.
Estados com forte apelo no agronegócio exportador e cadeias industriais consolidadas, como Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%) e Espírito Santo (2,3%), lideram a geração de postos de trabalho. No extremo oposto, estados como Amapá (9,8%) e Bahia (9,1%) continuam registrando as maiores proporções de desocupados, evidenciando a necessidade de investimentos estruturais e diversificação econômica nessas regiões.
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Recorte social revela barreiras de gênero e raça
A análise detalhada dos microdados do IBGE expõe que a recuperação do mercado de trabalho não ocorre de maneira uniforme entre os diferentes grupos demográficos. A desigualdade de gênero permanece evidente: enquanto a taxa de desocupação entre os homens recuou para 4,6%, a das mulheres situou-se em 6,4%, bem acima da média nacional.
A disparidade é ainda mais acentuada quando observada pelo recorte de cor ou raça. A taxa de desocupação entre pessoas que se autodeclaram brancas ficou em 4,2%. Já para a população preta (6,9%) e parda (6,1%), os índices permanecem substancialmente elevados.
Embora os questionários oficiais do IBGE não utilizem diretamente o termo “negro”, o Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) classifica sob essa denominação o conjunto de cidadãos pretos e pardos. Somados, esses grupos enfrentam as maiores barreiras de inserção e permanência no emprego formal, mesmo em períodos de aquecimento econômico geral.
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Como o IBGE calcula a taxa de desemprego por estado?
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) adota recomendações internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para mapear o mercado de trabalho brasileiro. O levantamento investiga trimestralmente 211 mil domicílios em todo o território nacional, entrevistando moradores com 14 anos ou mais de idade.
Para fins estatísticos, o IBGE adota critérios rígidos de classificação:
* População Ocupada: Indivíduos que realizaram qualquer atividade remunerada (formal, informal, temporária ou por conta própria) na semana de referência da pesquisa.
* População Desocupada: Apenas quem estava sem trabalho e, obrigatoriamente, realizou alguma busca ativa por vaga nos 30 dias anteriores à entrevista. Quem desistiu de procurar por falta de oportunidade entra na categoria de desalento, não figurando na taxa de desemprego aberta.
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Ranking da desocupação: Onde o desemprego é menor?
Confira a distribuição exata da taxa de desocupação nas 27 unidades da federação no segundo trimestre de 2026, comparada à média do país (5,4%):
Estados com desemprego abaixo da média nacional
* Santa Catarina: 2,1%
* Mato Grosso: 2,2%
* Espírito Santo: 2,3%
* Rondônia: 2,6%
* Mato Grosso do Sul: 2,7%
* Paraná: 3,1%
* Minas Gerais: 3,8%
* Goiás: 4,0%
* Tocantins: 4,1%
* Rio Grande do Sul: 4,2%
* Roraima: 5,0%
Estados na média nacional
* Paraíba: 5,4%
* São Paulo: 5,4%
Estados com desemprego acima da média nacional
* Rio Grande do Norte: 5,6%
* Maranhão: 6,0%
* Pará: 6,2%
* Distrito Federal: 6,5%
* Acre: 6,6%
* Ceará: 6,6%
* Rio de Janeiro: 7,1%
* Amazonas: 7,5%
* Alagoas: 7,9%
* Sergipe: 7,9%
* Piauí: 8,3%
* Pernambuco: 8,3%
* Bahia: 9,1%
* Amapá: 9,8%
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Perguntas Frequentes
O que explica a queda no desemprego de longa duração no Brasil?
A redução de 15,6% no desemprego de longa duração (pessoas que buscam trabalho há dois anos ou mais) indica uma maior absorção de trabalhadores que estavam historicamente marginais ao mercado, impulsionada pelo aquecimento de setores como serviços, comércio e construção civil.
Por que estados do Sul e Centro-Oeste têm taxas de desemprego menores?
Essas regiões possuem forte dinamismo econômico associado ao agronegócio e cadeias agroindustriais integradas, além de níveis médios de escolaridade mais elevados da população ativa, facilitando a rápida colocação profissional.
Quem trabalha sem carteira assinada é considerado desempregado pelo IBGE?
Não. A metodologia da Pnad Contínua considera como ocupadas todas as pessoas que realizaram trabalho remunerado na semana de referência, independentemente de possuírem carteira assinada, atuarem na informalidade ou trabalharem por conta própria.
