A redução de estímulos sensoriais em ambientes hospitalares tornou-se prioridade no PA São Marcos, que acaba de adaptar sua sala de radiologia para garantir um atendimento inclusivo a pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências na capital baiana.
Resumo rápido:
- PA São Marcos adapta sala de exames para acolher pacientes com TEA e neurodivergências.
- O projeto minimiza gatilhos sensoriais, reduzindo a ansiedade durante a realização de raios X.
- A iniciativa integra a rede municipal de Salvador, promovendo um atendimento mais humano e acessível.
Inovação focada na experiência do paciente
O atendimento inclusivo no PA São Marcos foi projetado para transformar a experiência de exames de imagem, que costumam ser desafiadores para neurodivergentes. Ao controlar luzes, ruídos e o tempo de exposição, a unidade minimiza a sobrecarga sensorial, permitindo que crianças e adultos realizem procedimentos médicos sem o estresse comum a hospitais convencionais.
A idealizadora do projeto, a técnica em radiologia Nilmara Souza, destaca que o sucesso dessa adaptação reside na atenção aos detalhes. “Pequenas adaptações no ambiente podem fazer uma grande diferença, proporcionando mais conforto e facilitando a realização dos exames”, pontua a profissional. A mudança não envolve apenas a estrutura física, mas também uma reformulação na abordagem da equipe, que passa por um treinamento voltado para acolher as especificidades do TEA.
A expansão da rede inclusiva em Salvador
A implementação desta sala adaptada no PA São Marcos marca a segunda unidade da rede municipal de saúde de Salvador a oferecer esse suporte especializado. Para a gestão pública, o movimento reflete o compromisso com as diretrizes do SUS, que busca garantir que a assistência não seja apenas técnica, mas também humanizada e equânime para todos os perfis de cidadãos.
Elaine Teixeira, gestora de processos da urgência e emergência da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), reforça que a iniciativa faz parte de um planejamento contínuo. “Esta é a segunda unidade da rede municipal a receber uma sala com esse perfil. Seguimos avançando na construção de um SUS mais inclusivo, acessível e preparado para acolher as necessidades de cada cidadão”, afirma. A S3 Gestão em Saúde, responsável pela operação administrativa, também corrobora a importância da medida. Segundo Ana Carolina Jatobá, gerente administrativa da unidade, o foco central é a redução da carga emocional que o ambiente hospitalar impõe.
| Unidade de Saúde | Status da Adaptação | Público-Alvo |
|---|---|---|
| PA São Marcos | Ativo (Inaugurado em 14/08/2026) | Pacientes com TEA |
| Rede Municipal (Unidade 1) | Ativo | Pacientes neurodivergentes |
Por que o ambiente hospitalar é um desafio?
O atendimento inclusivo é vital porque o ambiente de um pronto atendimento é, por natureza, um centro de sobrecarga sensorial. Para uma pessoa com TEA, o barulho de equipamentos, a intensidade das luzes fluorescentes e a agitação de um setor de urgência podem atuar como gatilhos para crises de ansiedade. O cérebro neurodivergente processa estímulos sensoriais de forma distinta; o que é um ruído de fundo para a maioria pode ser doloroso ou desorientador para um paciente autista.
Ao adaptar a sala de exames, o PA São Marcos cria uma “zona de controle”. Isso pode incluir a diminuição da intensidade luminosa, a eliminação de sons desnecessários e o uso de objetos de transição ou de apoio, se permitidos. O treinamento das equipes de enfermagem e radiologia é o segundo pilar dessa mudança: profissionais capacitados sabem identificar sinais de desconforto precocemente e ajustar o ritmo do atendimento, evitando a contenção física e preservando a dignidade do paciente.
Como buscar atendimento especializado na rede
Para as famílias que necessitam desse suporte, o primeiro passo é buscar a unidade de referência ou o posto de saúde mais próximo para orientações sobre o fluxo de atendimento na rede pública de Salvador. É importante que os responsáveis comuniquem a condição de TEA ou de outra neurodivergência logo na triagem.
1. Identificação: Informe na recepção da unidade a necessidade de atendimento adaptado.
2. Triagem: O profissional de saúde deve ser notificado sobre a hipersensibilidade sensorial do paciente.
3. Acolhimento: A equipe técnica do PA São Marcos utilizará os protocolos estabelecidos para realizar o exame de imagem com o suporte necessário, respeitando o tempo e o nível de estresse do indivíduo.
4. Continuidade: Mantenha o cartão de vacinação e o histórico médico atualizados para facilitar o acompanhamento em qualquer unidade da rede municipal.
Perguntas Frequentes
O que caracteriza o atendimento inclusivo para pacientes com TEA?
O atendimento inclusivo foca na redução de estímulos sensoriais — como luzes fortes e ruídos — e na capacitação das equipes para lidar com as particularidades comportamentais de pessoas com TEA, garantindo que o exame médico não cause traumas ou crises.
Quantas unidades em Salvador possuem essa estrutura?
Até o momento, o PA São Marcos é a segunda unidade da rede municipal de saúde de Salvador a contar com essa adaptação específica para exames de imagem, seguindo o cronograma de expansão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Preciso de encaminhamento especial para usar a sala adaptada?
O paciente deve buscar o atendimento de urgência ou emergência conforme a necessidade clínica. Ao chegar à unidade, é fundamental informar à equipe sobre a condição de neurodivergência para que o protocolo de acolhimento específico seja acionado pela equipe do PA São Marcos.
