Impulsionadas pelo forte desempenho do petróleo bruto, combustíveis, soja e cobre, as transações comerciais do Brasil com o exterior registraram um superávit de US$ 7,74 bilhões, superando amplamente os patamares observados no mesmo período do ano anterior. O resultado foi divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e reflete um crescimento expressivo nas vendas externas, que avançaram de maneira sólida enquanto as importações registraram leve retração.
Resumo rápido:
- Balança comercial registra superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro.
- Exportações crescem 12,9%, impulsionadas por petróleo e soja.
- Mdic revisa projeção de superávit para US$ 84,4 bilhões em 2026.
O salto nas exportações e a dinâmica dos setores produtivos
O avanço de 12,9% nas exportações brasileiras em setembro foi liderado pela indústria extrativa, seguida pela indústria de transformação e pelo setor agropecuário. Esse dinamismo permitiu que a corrente de comércio — a soma de todas as exportações e importações — alcançasse a marca histórica de US$ 61,09 bilhões, configurando o maior valor já contabilizado para meses de setembro na série histórica e o segundo maior patamar para qualquer mês, ficando atrás apenas de junho, quando atingiu US$ 61,99 bilhões.
No recorte por grandes setores, a indústria extrativa anotou US$ 9,44 bilhões, alta de 39,8% em relação a setembro do ano anterior, com destaque para o petróleo bruto, cujas vendas dispararam 77,3%, e o minério de cobre, com acréscimo de 74,2%. No caso específico do petróleo, a escalada nos embarques foi sustentada pelo aumento da produção nacional e pela alta de 24,7% nos preços internacionais da commodity, agravada pelas incertezas e conflitos geopolíticos no Oriente Médio.
A indústria de transformação faturou US$ 17,67 bilhões, registrando crescimento de 5,3%. Nessa categoria, os principais motores foram os farelos de soja, que saltaram 47,7%, e os combustíveis, com expansão de 39,1%. Já a agropecuária movimentou US$ 7 bilhões, alta de 4,8%, impulsionada principalmente pela soja, que cresceu 11,9%, e pelo café não torrado, com acréscimo de 8,7%. O caso mais atípico ocorreu no grupo de centeio e aveia, cujos valores dispararam de US$ 407 mil para US$ 127,8 milhões, reflexo direto de alterações pontuais no cronograma de embarques.
Desempenho dos parceiros comerciais e destinos globais
As vendas externas brasileiras apresentaram trajetórias distintas dependendo do mercado de destino, com forte expansão na Europa e América do Norte, estabilidade na América do Sul e retração na Ásia. As exportações para a Europa saltaram 51,9%, totalizando US$ 8,3 bilhões, um movimento associado ao impacto do acordo com o Mercosul, que tem facilitado a entrada de produtos alimentígenos no bloco europeu.
Na América do Norte, as vendas cresceram 30,6% e alcançaram US$ 5,2 bilhões. Surpreendentemente, as exportações destinadas aos Estados Unidos avançaram 31,9% no mês, mesmo em um cenário marcado pela imposição recente de novas tarifas protecionistas sobre mercadorias brasileiras. No entanto, no acumulado do ano, as vendas para o mercado norte-americano ainda registram queda de 6,5%. Enquanto isso, os embarques para a Ásia recuaram 2,5%, somando US$ 17,4 bilhões, e as transações com a América do Sul mantiveram-se estáveis em US$ 4,2 bilhões.
O comportamento das importações e o reflexo dos juros altos
Enquanto as exportações aceleraram, as importações brasileiras registraram um recuo de 2,4% em setembro, totalizando US$ 26,68 bilhões. A retratação foi puxada principalmente pelas categorias de bens de capital e bens intermediários. Os bens de capital despencaram 29,8%, somando US$ 4,1 bilhões, uma desaceleração que reflete a cautela e a diminuição de investimentos por parte da indústria nacional, principal compradora de máquinas e equipamentos, em um ambiente econômico marcado por taxas de juros elevadas.
Os bens intermediários também caíram 2,4%, alcançando US$ 14,9 bilhões. Em contrapartida, os bens de consumo cresceram 11,5%, atingindo US$ 4,3 bilhões. O destaque de alta nas compras externas ficou com os combustíveis, que subiram 41,2% e somaram US$ 3,4 bilhões — alta impulsionada expressivamente pelo encarecimento de 58,2% no preço médio de aquisição do produto no mercado internacional.
Radiografia do Comércio Exterior Brasileiro
| Indicador Setorial / Categoria | Valor Registrado (Setembro) | Variação Percentual Anual |
|---|---|---|
| Superávit Comercial | US$ 7,74 bilhões | +146,4% |
| Exportações Totais | US$ 34,42 bilhões | +12,9% |
| Importações Totais | US$ 26,68 bilhões | -2,4% |
| Corrente de Comércio | US$ 61,09 bilhões | +8% |
| Indústria Extrativa | US$ 9,44 bilhões | +39,8% |
| Indústria de Transformação | US$ 17,67 bilhões | +5,3% |
| Agropecuária | US$ 7 bilhões | +4,8% |
Como funciona o superávit na balança comercial do país
O superávit comercial ocorre quando o volume financeiro das exportações de um país supera o montante gasto com as importações durante um determinado período. Na prática, esse indicador revela a capacidade de geração de divisas estrangeiras por meio da venda de commodities, produtos industrializados e serviços corporativos ao exterior. Quando o saldo é positivo, o país acumula reservas cambiais, o que fortalece a estabilidade macroeconômica e ajuda a amortecer choques financeiros externos, embora o resultado também seja fortemente influenciado por fatores globais como cotações de commodities, custos logísticos, conflitos internacionais e acordos bilaterais de livre comércio.
Acumulado do ano e projeções oficiais do governo
No acumulado de janeiro a setembro, a balança comercial brasileira consolidou um superávit expressivo de US$ 62,4 bilhões, impulsionado por exportações de US$ 264,65 bilhões (alta de 10,4%) e importações de US$ 222,26 bilhões (avanço de 5%), o que representa uma expansão de 34,8% no saldo comercial em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar dos números robustos, o Mdic revisou recentemente suas estimativas para o fechamento de 2026. A projeção de superávit foi ajustada de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. As exportações previstas passaram de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões, enquanto as importações estimadas caíram de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões. Mesmo com a revisão para baixo, o saldo projetado será o segundo maior da história econômica brasileira, ficando atrás apenas do recorde histórico registrado em 2023, quando o superávit alcançou US$ 98,8 bilhões. As expectativas governamentais continuam mais otimistas do que o levantamento do boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, onde analistas de mercado projetam um superávit acumulado de US$ 78,3 bilhões para o encerramento deste ano.
Perguntas Frequentes
O que causou o crescimento do superávit em setembro?
O salto no superávit comercial foi puxado pelo crescimento de 12,9% nas exportações, impulsionadas principalmente pelas vendas de petróleo bruto, minério de cobre, farelos de soja e combustíveis, além de uma leve retração de 2,4% nas importações brasileiras.
Como as tensões no Oriente Médio afetaram o comércio exterior?
Os conflitos e instabilidades geopolíticas no Oriente Médio provocaram um encarecimento de 24,7% nos preços médios internacionais do petróleo, o que elevou consideravelmente o valor financeiro das exportações dessa commodity pelo Brasil.
O que dizem as projeções econômicas para o restante de 2026?
O Mdic revisou a estimativa de superávit para US$ 84,4 bilhões ao longo deste ano. Embora menor que a previsão anterior de US$ 90 bilhões, o resultado ainda configurará o segundo maior superávit comercial da série histórica brasileira, iniciada em 1989.
