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Política

Big techs descumprem regras eleitorais no dia da votação de 2026

Por Rafael Sampaio | Publicado em 07/10/2026 às 01:15
regras eleitorais
Marcello Casal jr/Agência Brasil
📖 Leitura: 5 Min

A circulação de anúncios pagos e a recomendação algorítmica de conteúdos políticos persistiram ativas durante o primeiro turno das eleições de 2026, desafiando determinações legais e expondo fragilidades estruturais na moderação de grandes empresas de tecnologia.

Resumo rápido:

  • Big techs mantiveram propaganda eleitoral e recomendações ativas no dia da votação de 2026.
  • Estudo do NetLab da UFRJ identificou dezenas de irregularidades em Meta, Kwai, Google e TikTok.
  • Falta de transparência e divergências em dados dificultam a fiscalização das plataformas digitais.

O Desafio da Fiscalização Digital no Brasil

O monitoramento de plataformas digitais durante períodos críticos exige o cruzamento de dados públicos e ferramentas avançadas de auditoria. O NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro executou buscas manuais e computacionais integradas às bibliotecas de anúncios e interfaces de programação para rastrear irregularidades. A complexidade técnica do ecossistema digital contemporâneo impõe barreiras significativas para órgãos reguladores e pesquisadores independentes, tornando a transparência corporativa um pilar indispensável para a democracia.

O Marco Normativo e as Proibições da Justiça Eleitoral

As diretrizes estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral proíbem qualquer forma de impulsionamento ou circulação paga de propaganda política na internet desde quarenta e oito horas antes até vinte e quatro horas depois do pleito. Além disso, os sistemas de recomendação das plataformas devem excluir canais e perfis oficiais de candidaturas cadastradas. O descumprimento dessas normativas acarreta sanções administrativas e jurídicas rigorosas, visando preservar a paridade de armas entre os concorrentes e a tranquilidade informacional do eleitorado no momento da decisão nas urnas.

Irregularidades Identificadas nas Plataformas

O levantamento detalhou falhas específicas em diferentes ecossistemas digitais, incluindo a veiculação de peças falsas que simulavam a comunicação oficial da Justiça Eleitoral para induzir eleitores ao erro.

Plataforma Tipo de Irregularidade Quantidade Registrada
Meta Anúncios irregulares e golpes sobre voto remoto 568 anúncios ativos e 6 simulações falsas
Kwai Anúncios ativos e extensão de prazos 18 ativos, 4 pausados e 45 estendidos
Google Campanhas políticas ativas fora do prazo 1 anúncio remanescente
TikTok Recomendação algorítmica de candidatos 18 vídeos recomendados de 7 candidatos
YouTube Recomendação algorítmica de candidatos 17 vídeos recomendados de 6 candidatos

A Gravidade dos Golpes e Campanhas de Desinformación

Entre as ocorrências mais alarmantes relatadas pelos pesquisadores, destacam-se peças publicitárias veiculadas nas redes do grupo Meta que utilizavam elementos visuais e institucionais idênticos aos da Justiça Eleitoral. Esses conteúdos fraudulentos promoviam a suposta possibilidade de realizar o voto de maneira remota, utilizando o celular ou a partir de casa. Para atrair os usuários, os golpistas alegavam justificativas como problemas de saúde, dificuldades de locomoção e condições climáticas adversas, direcionando as vítimas para páginas externas que exigiam o preenchimento de dados sensíveis, como o CPF, colocando em risco a segurança digital da população.

Limitações Técnicas e Barreiras de Transparência

A ausência de dados padronizados e acessíveis dificulta a mensuração exata do volume de propaganda irregular em circulação. O relatório acadêmico apontou divergências persistentes entre as informações exibidas nas interfaces públicas das bibliotecas de anúncios e os dados exportados por meio de interfaces de programação em empresas como a Meta e o Kwai. Enquanto alguns conteúdos apareciam rotulados como inativos em um painel, continuavam listados como operacionais em consultas via API. Outras corporações, como Google, LinkedIn e TikTok, mantêm repositórios considerados restritos, o que limita o escopo de auditorias externas independentes.

Perguntas Frequentes

O que diz a legislação eleitoral sobre anúncios no dia da votação?

A norma do Tribunal Superior Eleitoral proíbe veementemente a circulação de propaganda política paga ou impulsionada na internet desde quarenta e oito horas antes do pleito até o encerramento das vinte e quatro horas posteriores à votação.

Como o NetLab realizou o monitoramento das big techs?

O laboratório utilizou uma combinação de buscas manuais e computacionais nas interfaces e bibliotecas de anúncios disponibilizadas pelas próprias plataformas, além de consultas automatizadas por meio de ferramentas de programação e bancos de dados oficiais.

Quais foram as principais falhas encontradas nas redes sociais?

O estudo identificou anúncios pagos ativos fora do prazo legal, recomendações algorítmicas de vídeos de candidatos e campanhas fraudulentas que simulavam o Tribunal Superior Eleitoral para coletar dados pessoais de eleitores.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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