A circulação de anúncios pagos e a recomendação algorítmica de conteúdos políticos persistiram ativas durante o primeiro turno das eleições de 2026, desafiando determinações legais e expondo fragilidades estruturais na moderação de grandes empresas de tecnologia.
Resumo rápido:
- Big techs mantiveram propaganda eleitoral e recomendações ativas no dia da votação de 2026.
- Estudo do NetLab da UFRJ identificou dezenas de irregularidades em Meta, Kwai, Google e TikTok.
- Falta de transparência e divergências em dados dificultam a fiscalização das plataformas digitais.
O Desafio da Fiscalização Digital no Brasil
O monitoramento de plataformas digitais durante períodos críticos exige o cruzamento de dados públicos e ferramentas avançadas de auditoria. O NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro executou buscas manuais e computacionais integradas às bibliotecas de anúncios e interfaces de programação para rastrear irregularidades. A complexidade técnica do ecossistema digital contemporâneo impõe barreiras significativas para órgãos reguladores e pesquisadores independentes, tornando a transparência corporativa um pilar indispensável para a democracia.
O Marco Normativo e as Proibições da Justiça Eleitoral
As diretrizes estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral proíbem qualquer forma de impulsionamento ou circulação paga de propaganda política na internet desde quarenta e oito horas antes até vinte e quatro horas depois do pleito. Além disso, os sistemas de recomendação das plataformas devem excluir canais e perfis oficiais de candidaturas cadastradas. O descumprimento dessas normativas acarreta sanções administrativas e jurídicas rigorosas, visando preservar a paridade de armas entre os concorrentes e a tranquilidade informacional do eleitorado no momento da decisão nas urnas.
Irregularidades Identificadas nas Plataformas
O levantamento detalhou falhas específicas em diferentes ecossistemas digitais, incluindo a veiculação de peças falsas que simulavam a comunicação oficial da Justiça Eleitoral para induzir eleitores ao erro.
| Plataforma | Tipo de Irregularidade | Quantidade Registrada |
|---|---|---|
| Meta | Anúncios irregulares e golpes sobre voto remoto | 568 anúncios ativos e 6 simulações falsas |
| Kwai | Anúncios ativos e extensão de prazos | 18 ativos, 4 pausados e 45 estendidos |
| Campanhas políticas ativas fora do prazo | 1 anúncio remanescente | |
| TikTok | Recomendação algorítmica de candidatos | 18 vídeos recomendados de 7 candidatos |
| YouTube | Recomendação algorítmica de candidatos | 17 vídeos recomendados de 6 candidatos |
A Gravidade dos Golpes e Campanhas de Desinformación
Entre as ocorrências mais alarmantes relatadas pelos pesquisadores, destacam-se peças publicitárias veiculadas nas redes do grupo Meta que utilizavam elementos visuais e institucionais idênticos aos da Justiça Eleitoral. Esses conteúdos fraudulentos promoviam a suposta possibilidade de realizar o voto de maneira remota, utilizando o celular ou a partir de casa. Para atrair os usuários, os golpistas alegavam justificativas como problemas de saúde, dificuldades de locomoção e condições climáticas adversas, direcionando as vítimas para páginas externas que exigiam o preenchimento de dados sensíveis, como o CPF, colocando em risco a segurança digital da população.
Limitações Técnicas e Barreiras de Transparência
A ausência de dados padronizados e acessíveis dificulta a mensuração exata do volume de propaganda irregular em circulação. O relatório acadêmico apontou divergências persistentes entre as informações exibidas nas interfaces públicas das bibliotecas de anúncios e os dados exportados por meio de interfaces de programação em empresas como a Meta e o Kwai. Enquanto alguns conteúdos apareciam rotulados como inativos em um painel, continuavam listados como operacionais em consultas via API. Outras corporações, como Google, LinkedIn e TikTok, mantêm repositórios considerados restritos, o que limita o escopo de auditorias externas independentes.
Perguntas Frequentes
O que diz a legislação eleitoral sobre anúncios no dia da votação?
A norma do Tribunal Superior Eleitoral proíbe veementemente a circulação de propaganda política paga ou impulsionada na internet desde quarenta e oito horas antes do pleito até o encerramento das vinte e quatro horas posteriores à votação.
Como o NetLab realizou o monitoramento das big techs?
O laboratório utilizou uma combinação de buscas manuais e computacionais nas interfaces e bibliotecas de anúncios disponibilizadas pelas próprias plataformas, além de consultas automatizadas por meio de ferramentas de programação e bancos de dados oficiais.
Quais foram as principais falhas encontradas nas redes sociais?
O estudo identificou anúncios pagos ativos fora do prazo legal, recomendações algorítmicas de vídeos de candidatos e campanhas fraudulentas que simulavam o Tribunal Superior Eleitoral para coletar dados pessoais de eleitores.
