O Ministério Público do Estado da Bahia colocou em pauta a segurança de crianças e adolescentes no ambiente virtual, discutindo os impactos da hiperconexão e as novas regras trazidas pelo ECA Digital para combater abusos e garantir um desenvolvimento seguro para os jovens baianos.
Resumo rápido:
- O Ministério Público debateu a aplicação do ECA Digital para conter riscos online na infância.
- Pesquisa aponta que 92% dos jovens brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet atualmente.
- Plataformas agora devem adotar mecanismos rígidos de verificação de idade e ferramentas de supervisão parental.
O desafio da hiperconexão e os riscos na tela
Para as famílias baianas, o acesso massivo à tecnologia traz oportunidades de aprendizado, mas também exige atenção redobrada. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil revelam que 92% da população entre 9 e 17 anos utiliza a internet, o que representa cerca de 24 milhões de crianças e adolescentes expostos diariamente ao universo digital.
Durante o encontro na sede do órgão, no Centro Administrativo da Bahia, especialistas alertaram para perigos como a sexualização precoce, o aliciamento, o compartilhamento excessivo de rotinas e a exploração comercial. Além disso, foram criticados os recursos que prendem a atenção dos usuários, como a rolagem infinita e os sistemas de recomendação que estimulam o uso compulsivo.
O que muda com o ECA Digital e as novas leis?
A legislação traz um marco regulatório mais rígido para produtos e serviços de tecnologia voltados ao público infantojuvenil. As plataformas online passam a ter obrigações severas para blindar os menores de idade contra conteúdos nocivos e práticas comerciais abusivas.
As principais mudanças e proibições trazidas pelas novas normas incluem:
* Proibição de publicidade de jogos de azar, apostas, tabaco e bebidas alcoólicas direcionada a menores.
* Vedação do perfilhamento de dados de crianças e adolescentes para fins publicitários.
* Fim das caixas de recompensa (*loot boxes*) em jogos eletrônicos.
* Exigência de mecanismos confiáveis de aferição de idade, eliminando a simples autodeclaração.
* Disponibilização obrigatória de ferramentas de supervisão parental para limitar o tempo de uso e restringir a geolocalização.
Como denunciar violações e buscar ajuda?
A nova legislação determina que as plataformas retiram conteúdos impróprios assim que forem notificadas formalmente pelas vítimas, por seus responsáveis, pelo Ministério Público ou por entidades de defesa.

Para a comunidade que precisa relatar abusos ou buscar orientação, os canais oficiais de denúncia seguem disponíveis:
* Disque 100: Canal nacional de direitos humanos.
* Disque 127: Atendimento telefônico do Ministério Público da Bahia.
* Atendimento eletrônico do MPBA: Plataforma digital para registros e denúncias.
Perguntas Frequentes
O que é o ECA Digital?
É o conjunto de normas estabelecido pela Lei nº 15.211/2025, que define regras estritas de privacidade, segurança e proteção para produtos e serviços de tecnologia acessados por crianças e adolescentes.
Os pais podem controlar o tempo de tela pelas novas regras?
Sim. As plataformas de tecnologia são obrigadas a disponibilizar ferramentas de supervisão parental para que os responsáveis possam monitorar o tempo de uso e as interações mantidas pelos jovens.
Como fazer uma denúncia anônima de crimes virtuais contra menores?
É possível recorrer ao Disque 100 ou utilizar os canais de atendimento eletrônico do Ministério Público da Bahia (MPBA) para relatar violações sem se identificar.
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