O centro do Rio de Janeiro abriga Festa Literária das Periferias até o próximo domingo, transformando a Praça Tiradentes e o Teatro Carlos Gomes em polos de debates sobre ancestralidade, literatura e resistência cultural. Sob o lema “As Filhas das Filhas das Filhas”, a 16ª edição do festival direciona os holofotes para o protagonismo do feminismo negro e para as transformações sociais decorrentes de políticas inclusivas no país.
Resumo rápido:
- A Festa Literária das Periferias ocorre no centro do Rio até domingo.
- O evento homenageia a escritora Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra na ABL.
- A programação inclui debates com grandes nomes da literatura, intelectuais e ativistas.
A celebração do feminismo negro e a ancestralidade na literatura
A Festa Literária das Periferias estabelece o feminismo negro como eixo central de sua proposta cultural, promovendo reflexões profundas sobre heranças geracionais e o combate ao apagamento histórico. A escolha temática deste ano ressalta como as mulheres negras construíram comunidades, saberes e territórios ao longo dos séculos. O diretor do festival apontou que o evento espelha a revolução em curso no Brasil proporcionada pelas ações afirmativas, conectando trajetórias familiares de trabalhadoras domésticas a grandes intelectuais contemporâneas.
O papel fundamental da memória na literatura ganha força por meio de debates que cruzam ficção, história e ativismo social. A homenageada central desta edição é Ana Maria Gonçalves, reconhecida nacionalmente por sua obra monumental e por sua recente e histórica eleição para a Academia Brasileira de Letras, marco que corrobora a força transformadora da escrita produzida nas margens e nos centros de resistência cultural brasileira.
Programação e encontros marcantes no Teatro Carlos Gomes
A curadoria do evento estruturou uma agenda intensa de diálogos no Teatro Carlos Gomes e na Praça Tiradentes, reunindo pensadores de relevância internacional e nacional. No sábado, o público acompanha a conversa entre o intelectual Nei Lopes e o jornalista Chico Regueira, seguida pelo encontro histórico entre a homenageada Ana Maria Gonçalves, Jurema Werneck e a teórica Kimberlé Crenshaw, criadora do conceito de interseccionalidade.
Já no domingo, a programação avança com debates sobre identidade e legado cultural, contando com presenças como Linn da Quebrada, Vita Pereira, Antonio Pitanga, Dom Filó e Helena Theodoro. A diversidade de vozes reforça o caráter plural do festival, que desde 2018 consolida sua identidade atrelada aos movimentos sociais e à produção artística periférica.
| Atividade / Evento | Participantes Principais | Local e Horário |
|---|---|---|
| A cidade inventada pelo samba | Nei Lopes e Chico Regueira | Teatro Carlos Gomes (Sábado, 14h) |
| Debate sobre interseccionalidade | Ana Maria Gonçalves, Jurema Werneck e Kimberlé Crenshaw | Teatro Carlos Gomes (Sábado, 16h) |
| Ninguém poderia me parir senão eu mesma | Linn da Quebrada e Vita Pereira | Praça Tiradentes / Teatro (Domingo, 14h) |
| Precisamos celebrar o legado dos nossos | Antonio Pitanga, Dom Filó e Helena Theodoro | Teatro Carlos Gomes (Domingo, 16h) |
O impacto das ações afirmativas na cultura e na sociedade
As políticas de inclusão social e as cotas implementadas nas últimas décadas mudaram radicalmente a configuração das universidades, do mercado de trabalho e dos espaços de poder no Brasil. Na literatura, essa mudança se traduz no surgimento de novos autores, na valorização de narrativas historicamente marginalizadas e na ocupação de instituições seletas por figuras que antes não tinham acesso a esses espaços. O festival funciona como um termômetro dessa guinada civilizatória, evidenciando que a produção literária periférica não é apenas um nicho, mas o motor principal da renovação artística do país.
Guia prático: como aproveitar os últimos dias do evento
Para o cidadão interessado em participar das mesas de debate e apresentações artísticas que ocorrem até domingo no centro carioca, algumas orientações facilitam a experiência:
1. Consulte previamente a programação oficial online para verificar horários atualizados e possíveis alterações de última hora na grade de palestrantes.
2. Chegue com antecedência aos locais dos eventos — como a Praça Tiradentes e o Teatro Carlos Gomes —, pois a lotação para os debates principais costuma esgotar rapidamente.
3. Aproveite os intervalos para visitar feiras de livros independentes e publicações voltadas para a literatura periférica e autores negros.
4. Acompanhe as transmissões e conteúdos extras divulgados pelos canais oficiais de comunicação parceiros para não perder nenhuma mesa de discussão.
A literatura como ferramenta de emancipação coletiva
Examinar a trajetória de festivais literários voltados para as periferias revela uma mudança estrutural no mercado editorial brasileiro. Longe de ser um mero passatempo, a leitura e a escrita exercidas nesses territórios atuam como instrumentos políticos de descolonização do pensamento. O destaque dado a obras densas e a intelectuais de peso demonstra que o público consome e exige profundidade histórica, transformando a literatura em um território vibrante de cidadania e reparação social.
Perguntas Frequentes
Até quando vai a Festa Literária das Periferias?
O evento encerra sua programação no domingo, reunindo mesas de debate, encontros literários e homenagens no centro do Rio de Janeiro.
Quem é a homenageada principal desta edição?
A escritora Ana Maria Gonçalves é a grande homenageada do festival, celebrada por sua obra literária e por sua recente eleição para a Academia Brasileira de Letras.
Onde ocorrem as atividades da programação?
As mesas e apresentações são realizadas principalmente na Praça Tiradentes e no tradicional Teatro Carlos Gomes, localizados no centro da capital fluminense.
