Bahia

Como a Fundação Cidade Mãe transforma o futuro de jovens em Salvador

Salvador, Bahia
Por Fábio Silva | Publicado em 19/08/2026 às 21:33 | Atualizado em 23/08/2026 às 23:35
Fundação Cidade Mãe
Jefferson Peixoto / Secom PMS
📖 Leitura: 6 Min

A proteção de jovens em situação de vulnerabilidade em Salvador ocorre por meio de uma rede que une arte, esporte e educação, estruturada pela Fundação Cidade Mãe. Com 31 anos de atuação, a entidade atende cerca de 2 mil crianças e adolescentes anualmente, focando na prevenção de riscos e no acolhimento institucional.

Resumo rápido:

  • A Fundação Cidade Mãe oferece suporte socioeducativo a 2 mil jovens anualmente em Salvador.
  • O projeto utiliza o contraturno escolar para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a autoestima.
  • Atividades como artes plásticas, música e dança promovem o desenvolvimento crítico e social dos alunos.

O papel da Fundação Cidade Mãe na rede de proteção

A Fundação Cidade Mãe atua como um pilar de apoio para jovens baianos, oferecendo suporte em duas frentes principais: a prevenção de situações de risco e a proteção em casos onde direitos foram violados e o afastamento familiar temporário é necessário. O foco central é garantir que crianças tenham um ambiente seguro durante o contraturno escolar.

Para Aline Gomes, chefe de gabinete da instituição, a presença constante dos jovens nos sete centros de convivência da capital baiana é vital. “A criança está estudando em um turno e, no outro, está aqui com a gente. É justamente para garantir a proteção e evitar que ela fique vulnerável a riscos”, explicou. Essa estratégia de ocupação do tempo livre não apenas mantém o jovem afastado das ruas, mas também o insere em um ecossistema de aprendizado contínuo.

O trabalho educativo na Fundação Cidade Mãe não se limita ao ensino técnico de disciplinas artísticas. Existe um esforço pedagógico para que cada atividade sirva como ferramenta de construção da autoestima. Muitos dos atendidos chegam à fundação com expectativas reduzidas devido ao ambiente em que vivem, mas encontram nas oficinas de artes plásticas, música, capoeira, dança, teatro e informática um caminho para redefinir suas próprias trajetórias de vida.

A arte como ferramenta de transformação social

O ensino artístico na instituição funciona como um catalisador de pensamento crítico e consciência cidadã, indo muito além da técnica de pintura ou desenho. Ao trabalhar temas como meio ambiente e cultura local, os educadores estimulam que os alunos projetem suas visões de mundo nas telas e nas apresentações culturais.

Gilson Cardoso, educador de artes, enfatiza que o objetivo não é formar artistas profissionais, mas utilizar a arte para modificar o olhar do aluno sobre a realidade. “A arte interfere, ajuda no pensar e no olhar”, afirma. O impacto dessa metodologia pode ser visto na vida de ex-alunos, hoje inseridos em carreiras diversas, como a segurança pública e o ensino superior, que creditam à fundação a base necessária para seus sucessos individuais.

A exposição “Arte e Sustentabilidade”, atualmente instalada na Galeria Espaço Cultural no Engenho Velho de Brotas, exemplifica como o aprendizado prático ocorre. Ao utilizar materiais que seriam descartados, os alunos aprendem sobre consumo responsável enquanto exercitam a criatividade. A galeria, aberta ao público e a grupos escolares, serve como uma ponte de diálogo entre a Fundação Cidade Mãe e a sociedade de Salvador, mostrando o potencial criativo de jovens que, muitas vezes, são subestimados pelo contexto de vulnerabilidade.

Dados operacionais da instituição

Abaixo, apresentamos os indicadores de alcance e estrutura da fundação conforme os registros atuais:

Indicador Dado
Tempo de existência 31 anos
Média de atendimento anual 2.000 crianças e adolescentes
Centros de Convivência 7 unidades
Áreas de oficinas Artes, música, capoeira, dança, teatro, informática

O impacto prático para o aluno

O cotidiano de jovens como Saori Amorim, de 8 anos, ilustra a eficácia do modelo adotado. Em apenas dois meses de participação, a aluna já transita por diversas áreas, demonstrando interesse particular por informática, dança e artes plásticas. Ao produzir telas sobre a paz e o meio ambiente, Saori não apenas aprende conceitos de cidadania, mas também desenvolve a capacidade de expressar sentimentos e esperanças de forma organizada.

A rotina de atividades permite que o jovem descubra afinidades. Enquanto alguns alunos apresentam facilidade natural para o desenho, outros passam pelo processo de desenvolvimento técnico através da prática contínua. Esse estímulo é fundamental para quem, inicialmente, não acredita em suas próprias potencialidades. A Fundação Cidade Mãe consegue, assim, substituir a descrença por um senso de pertencimento e capacidade de realização.

Perguntas Frequentes

Como a Fundação Cidade Mãe atua na proteção social?

A instituição trabalha em duas frentes: na prevenção, oferecendo atividades de contraturno escolar para crianças vulneráveis, e na proteção direta, quando é necessário o afastamento temporário do convívio familiar devido à violação de direitos, garantindo suporte socioassistencial constante.

Quais atividades são oferecidas aos jovens?

Os alunos têm acesso a oficinas de artes plásticas, música, capoeira, dança, teatro e informática em sete centros espalhados por Salvador. O objetivo é desenvolver o pensamento crítico, a consciência ambiental e a autoestima por meio de uma abordagem pedagógica integrada.

O público em geral pode visitar as exposições da Fundação?

Sim. A Galeria Espaço Cultural, localizada no Engenho Velho de Brotas, realiza mostras coletivas com produções dos alunos e artistas convidados. O espaço é aberto ao público e recebe visitas de grupos escolares, servindo como uma forma de aproximar a comunidade do trabalho desenvolvido pela instituição.

Fábio Silva
Escrito por
Editor de Municípios

Com 32 anos de experiência sólida na radiodifusão, Fábio é o jornalista dedicado a dar voz e visibilidade aos municípios baianos. Conhecedor profundo da realidade regional, ele é o responsável por cobrir os principais acontecimentos, o cotidiano e o desenvolvimento das cidades do interior e da capital. Tendo atuado diretamente em polos como Feira de Santana, Jequié, Serra do Ramalho e Salvador, Fábio produz matérias que conectam os desafios e as conquistas locais ao interesse público. Além da apuração rigorosa no jornalismo municipal, ele aplica sua expertise para garantir que as notícias de cada canto da Bahia alcancem destaque e projeção nacional.

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