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Galípolo freia pressão de empresas por regras do FGC e alerta sobre riscos sistêmicos

Por Rafael Sampaio | Publicado em 13/08/2026 às 23:58
Fundo Garantidor de Crédito
Lula Marques/Agência Brasil
📖 Leitura: 5 Min🕒 Publicado: 13/08/2026 às 23:58

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, direcionou duras críticas nesta quinta-feira (13) à ofensiva de instituições não bancárias que exercem forte pressão para operar com o respaldo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo.

  • Alerta do BC: Galípolo repreende tentativas de empresas menores utilizarem o FGC sem a devida base patrimonial.
  • Assimetria de regras: Intermediárias buscam competir com grandes bancos operando com exigências regulatórias mais brandas.
  • Histórico de proteção: O mecanismo completou 30 anos acumulando papel central na estabilização após crises e fraudes recentes.

Durante as comemorações de três décadas do mecanismo de salvaguarda, celebrado na sede da B3 em São Paulo, o chefe da autoridade monetária pontuou que diversas companhias de pequeno e médio porte almejam atuar de forma análoga aos conglomerados tradicionais, ignorando a carência de ativos suficientes para sustentar tais operações.

“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas”, completou o dirigente, ressaltando o esforço contínuo do órgão fiscalizador em blindar o sistema contra exposições excessivas ao risco.

O desequilíbrio na concorrência financeira

O cerne da questão reside na concorrência assimétrica gerada no mercado. Conforme detalhou o chefe do BC, as companhias de intermediação financeira que tentam mimetizar o papel dos bancos acabam disputando espaço com os gigantes do setor sob condições distorcidas. Isso ocorre porque essas empresas buscam prazos dilatados, menores exigências de garantias e regras mais brandas de captação.

Para compreender a fragilidade desse modelo, é preciso olhar para a mecânica bancária clássica. A atividade de um banco consiste essencialmente em captar recursos a um custo menor do que aquele cobrado nos empréstimos concedidos, gerenciando o descasamento entre o vencimento das obrigações com os clientes e o retorno dos créditos ofertados.

“Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro, o negócio pode não ir bem ou você pode ter que transformar os seus ativos em liquidez numa velocidade que não é possível”, advertiu Galípolo. Nesses cenários críticos de corrida bancária, o fundo atua como a última linha de defesa para restabelecer a estabilidade do sistema.

A evolução histórica e o impacto na economia nacional

Instituído em 16 de novembro de 1995 — em meio ao contexto de consolidação do Plano Real —, o FGC nasceu com a missão primordial de blindar pequenos investidores e assegurar a confiabilidade sistêmica. O fundo é mantido de forma privada, alimentado diretamente pelas contribuições ordinárias das instituições financeiras associadas.

Ao longo de sua trajetória, a rede de proteção enfrentou grandes testes de resiliência, destacando-se durante o abalo sísmico da crise financeira global de 2008. Mais recentemente, a engrenagem precisou absorver o impacto multibilionário decorrente das fraudes estruturadas no Banco Master. Para cobrir as garantias devidas a cerca de 1,6 milhão de credores, o FGC desembolsou aproximadamente R$ 40,6 bilhões.

O rombo exigiu a implementação imediata de um plano de emergência para recomposição do caixa, o que incluiu uma elevação de até 60% nas contribuições adicionais cobradas dos bancos associados. A exposição pública “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”, aberta no Prédio das Moedas até o dia 30 de setembro, retrata justamente essa metamorfose regulatória e os desafios superados ao longo de três décadas.

Utilidade Pública: Conheça os limites da garantia

Para o correntista e o investidor pessoa física ou jurídica, compreender os limites operacionais dessa rede de segurança é uma diretriz essencial de educação financeira. O mecanismo assegura o reembolso de depósitos e investimentos específicos até o teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando cada instituição ou conglomerado financeiro individualmente.

Além disso, existe um teto global fixado em R$ 1 milhão para o somatório de indenizações recebidas em um intervalo de quatro anos. Essa trava regulatória serve para mitigar riscos sistêmicos e desestimular aplicações arriscadas concentradas em instituições com perfis de crédito vulneráveis.

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Perguntas Frequentes

O que é o Fundo Garantidor de Crédito (FGC)?

Trata-se de uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra um mecanismo de proteção para correntistas e investidores, garantindo o reembolso de valores aplicados em instituições financeiras em caso de intervenção ou liquidação extrajudicial.

Qual é o limite máximo de cobertura garantido pelo FGC?

A cobertura protege até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado, respeitando um limite global de R$ 1 milhão em indenizações pagas a cada período de quatro anos.

Por que o Banco Central critica empresas não bancárias usando o FGC?

Porque essas instituições buscam captar recursos com regras mais brandas e menores exigências de garantias, competindo de forma desleal com os bancos tradicionais e expondo o sistema a riscos sem possuir ativos suficientes para tal suporte.


Publicado em: 13 de agosto de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Lula Marques/Agência Brasil|Edição e Reportagem: Rafael Sampaio / Redação Digita Bahia|Dados originais: Agência Brasil ↗

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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