A iniciativa internacional conhecida como Grande Muralha Verde alcançou a marca de 1,66 milhão de hectares em processo de restauração na região do Sahel, faixa semiárida situada entre o deserto do Saara e a savana do Sudão, na África. O dado consolida o principal resultado divulgado em um balanço recente apresentado pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), por ocasião do aniversário de cinco anos do Acelerador da Grande Muralha Verde.
- Escala do projeto: 1,66 milhão de hectares estão em recuperação no Sahel.
- Impacto socioeconômico: Relatório aponta a criação de 4,6 milhões de empregos e 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente mitigadas.
- Articulação global: A próxima COP17 sobre desertificação, em agosto na Mongólia, debaterá novos mecanismos financeiros para o projeto.
Criada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD, a Grande Muralha Verde reúne 11 países fundadores em uma extensão territorial de 156 milhões de hectares, estendendo-se desde o Senegal, a oeste, até o Chifre da África, a leste. O escopo da estratégia envolve a recuperação combinada de paisagens degradadas, áreas agrícolas, bacias hidrográficas e ecossistemas locais para fortalecer a resiliência climática das populações vulneráveis.
Impactos socioeconômicos e o papel do Acelerador
Além da recuperação de solos, o relatório da UNCCD detalha que a implementação das ações gerou 4,6 milhões de empregos diretos e resultou no sequestro ou mitigação de 24 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. O impacto direto atinge cerca de 46 milhões de pessoas, integrando segurança alimentar, acesso à energia limpa e geração de renda para comunidades locais.
O Acelerador da Grande Muralha Verde foi instituído em 2021, após a Cúpula One Planet, com a missão de coordenar fluxos de financiamento e monitorar os resultados de mais de 389 projetos mapeados pelo Observatório da Grande Muralha Verde. No entanto, o levantamento aponta que apenas uma parcela dos projetos consolida dados sob indicadores harmonizados, evidenciando o desafio contínuo de mensuração e a necessidade de alinhar compromissos financeiros internacionais de US$ 19 bilhões à execução prática nos territórios.
Contexto histórico e o combate à desertificação
A desertificação no Sahel representa um dos maiores desafios socioambientais do planeta, agravada pelo avanço das mudanças climáticas, pressões demográficas e eventos extremos de seca prolongada. Historicamente, a perda de cobertura vegetal na região comprometeu a agricultura de subsistência e intensificou conflitos por recursos naturais escassos, como água e terras aráveis.
Para mitigar esse cenário, a estratégia da Grande Muralha Verde aposta em modelos de gestão comunitária e transfronteiriça. Mulheres e jovens têm protagonizado projetos de cooperativismo agrícola no Mali e capacitação técnica para instalação de energia solar no Chade, transformando a transição ecológica em autonomia econômica. Os debates sobre novas ferramentas financeiras, como títulos verdes e créditos de carbono, serão aprofundados na 17ª Conferência das Partes (COP17) da UNCCD, marcada para agosto na Mongólia.
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Perguntas Frequentes
O que é a Grande Muralha Verde?
É uma iniciativa colaborativa lançada em 2007 pela União Africana e pela UNCCD para combater a desertificação no Sahel, restaurando terras degradadas e promovendo o desenvolvimento sustentável em 11 países.
Qual é o objetivo do Acelerador da Grande Muralha Verde?
Criado em 2021, o Acelerador serve para melhorar a coordenação entre governos e parceiros financeiros, monitorar recursos e ajudar os países a medir com precisão os resultados socioambientais das ações de restauração.
Quais são os principais desafios apontados pelo relatório da UNCCD?
O documento destaca a dificuldade na padronização de dados de monitoramento entre centenas de projetos, a lentidão na transformação de compromissos financeiros internacionais em ações locais e a necessidade de aprimorar a gestão transfronteiriça de recursos hídricos e de terras.
