Bahia

Ministério Público cobra retomada do Plano Diretor de Catu na Bahia

Por Fábio Silva | Publicado em 25/09/2026 às 01:34
Plano Diretor
MPBA recomenda a Catu retomada da revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal
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A estagnação das diretrizes de ordenamento territorial em Catu, localizada no estado da Bahia, motivou uma intervenção enérgica do órgão de controle ministerial devido a paralisações contratuais e descumprimentos de prazos que se arrastam desde o final do ano passado.

Resumo rápido:

  • MPBA cobra da Prefeitura de Catu a retomada da revisão do Plano Diretor.
  • Contrato sofreu paralisações e prazos para entrega de produtos foram ignorados.
  • Prefeitura tem prazo para apresentar cronograma atualizado e garantir participação social.

O que é e para que serve o Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal

O Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal (PDDM) é o instrumento básico da política de expansão e do desenvolvimento urbano de uma cidade, estabelecendo diretrizes para o uso do solo, habitação, mobilidade e preservação ambiental. Conforme determina a legislação federal brasileira, municípios com mais de 20 mil habitantes são obrigados a elaborar essa ferramenta participativa para planejar o crescimento ordenado e garantir o bem-estar coletivo.

A elaboração e a constante atualização desse instrumento exigem rigor técnico e amplo debate com a sociedade civil. No entanto, o cenário verificado no município baiano revelou rupturas contratuais significativas. De acordo com os apontamentos levantados pela 2ª Promotoria de Justiça de Catu, a empresa responsável pela execução técnica comunicou a paralisação temporária das atividades, enquanto a vigência do segundo termo aditivo expirou em 1º de julho, sem qualquer formalização de nova prorrogação ou contratação nos autos processuais.

Os impasses temporais acumularam-se ao longo dos meses. A entrega da primeira versão do Produto 3, focada na definição dos temas prioritários da revisão, estava inicialmente programada para outubro de 2025, sendo postergada para março deste ano, sem que houvesse qualquer comprovação oficial de conclusão ou repasse à administração municipal por parte da empresa contratada.

Cronograma de exigências e prazos estipulados pelo MPBA

Para sanar as irregularidades, o promotor de Justiça Samory Pereira Santos estipulou o prazo de 15 dias úteis para que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente detalhem o estágio atual do contrato e apresentem um novo cronograma.

Abaixo estão detalhados os principais pontos exigidos pelo órgão ministerial para o saneamento do processo de revisão urbana:

Exigência do MPBA Prazo / Condição Finalidade
Relatório de execução 15 dias úteis Apresentar produtos entregues, aceitos e o status contratual atual
Cronograma atualizado 15 dias úteis Definir datas para entrega de produtos, audiências e envio à Câmara
Conselho Municipal Convocação obrigatória Deliberar sobre o acompanhamento e enviar atas à Promotoria
Publicidade ampla Imediata e contínua Garantir acesso universal aos documentos conforme o Estatuto da Cidade

A cobrança institucional busca restabelecer a legalidade administrativa e assegurar que a população não seja prejudicada pela falta de planejamento estratégico na infraestrutura e na expansão habitacional do município.

A importância da participação popular e do Estatuto da Cidade

A legislação brasileira estabelece que a gestão democrática da cidade é obrigatória, garantindo a participação de diferentes segmentos da sociedade na formulação e no controle das políticas urbanas.

O Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001) fixa diretrizes fundamentais para que o processo de planejamento urbano não ocorra de portas fechadas nos gabinetes governamentais. A exigência de audiências públicas, debates abertos e ampla publicidade dos documentos produzidos é uma salvaguarda jurídica contra desvios de finalidade e descaso com o interesse público. Quando um município negligencia a revisão do seu instrumento orientador, ele abre margem para a especulação imobiliária desordenada, problemas crônicos de saneamento e deficiências graves na prestação de serviços básicos aos cidadãos.

Consequências práticas da paralisação para o cidadão catuense

A suspensão prolongada das diretrizes de desenvolvimento urbano impacta diretamente a vida cotidiana da população, travando investimentos em infraestrutura e congelando regras essenciais para a regularização fundiária e a preservação ambiental.

Sem um instrumento orientador atualizado, o município opera em um limbo jurídico que dificulta a captação de recursos federais voltados para saneamento básico, mobilidade e habitação de interesse social. Para o cidadão comum, isso se traduz em bairros desassistidos de planejamento viário adequado, ausência de diretrizes claras para o licenciamento de construções e perda de oportunidades de desenvolvimento econômico sustentável. A cobrança do Ministério Público atua, portanto, como uma barreira protetiva para resguardar o futuro urbanístico da cidade contra a inércia administrativa.

Perguntas Frequentes

O que é o Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal?

É a lei municipal que orienta o crescimento, a ocupação do solo, a mobilidade e as políticas públicas de uma cidade, garantindo um desenvolvimento urbano ordenado e sustentável.

Qual foi a principal falha apontada pelo Ministério Público em Catu?

O MPBA constatou sucessivos adiamentos no cronograma de revisão contratada, paralisação temporária da empresa responsável e o encerramento da vigência contratual sem a formalização de novos aditivos legais.

O que a Prefeitura deve fazer diante da recomendação ministerial?

A administração municipal tem o prazo de 15 dias úteis para prestar informações detalhadas sobre o contrato, apresentar um novo cronograma de entregas, convocar o conselho urbano e garantir a publicidade dos atos à população.

Fábio Silva
Escrito por
Editor de Municípios

Com 32 anos de experiência sólida na radiodifusão, Fábio é o jornalista dedicado a dar voz e visibilidade aos municípios baianos. Conhecedor profundo da realidade regional, ele é o responsável por cobrir os principais acontecimentos, o cotidiano e o desenvolvimento das cidades do interior e da capital. Tendo atuado diretamente em polos como Feira de Santana, Jequié, Serra do Ramalho e Salvador, Fábio produz matérias que conectam os desafios e as conquistas locais ao interesse público. Além da apuração rigorosa no jornalismo municipal, ele aplica sua expertise para garantir que as notícias de cada canto da Bahia alcancem destaque e projeção nacional.

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