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Política

Meta atribui a falhas técnicas redução no alcance de postagens da campanha de Lula

Por Rafael Sampaio | Publicado em
redes sociais
AS_Photography / Pixabay
📖 Leitura: 5 Min

Investigações e debates sobre o fluxo de informações nas plataformas digitais ganharam novos contornos após a campanha presidencial acionar órgãos de controle para questionar métricas de visibilidade em perfissionais oficiais. A discussão envolve diretamente a atuação de gigantes da tecnologia no direcionamento de conteúdos públicos em solo brasileiro e no exterior.

Resumo rápido:

  • A Meta alegou problemas técnicos para justificar a queda no alcance de publicações ligadas à campanha de Lula.
  • O TSE estabeleceu prazo de 48 horas para a empresa prestar esclarecimentos sobre as restrições apontadas.
  • A campanha do PT também acionou a ANPD com suspeitas de tentativa de interferência no processo eleitoral.

O posicionamento da Meta diante das contestações

A plataforma Meta – que controla Facebook, Instagram e WhatsApp – alegou que “problemas técnicos” foram responsáveis pela redução do alcance de postagens ligadas à campanha do candidato à presidência da república Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com a empresa sediada nos Estados Unidos, as acusações de que estaria beneficiando o candidato Flávio Bolsonaro (PL) não procedem.

“As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, diz nota da Meta.

A manifestação da companhia ocorre no contexto em que o Tribunal Superior Eleitoral e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foram acionadas pela campanha petista. O grupo político sustenta haver fortes suspeitas de tentativa de interferência no pleito nacional.

A disputa por engajamento e as métricas apontadas

Levantamento da Secretaria Nacional de Comunicação do PT aponta que a página do senador Flávio Bolsonaro tinha, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, mesmo tendo 17,2% de seguidores a menos. A divergência nos números gerou questionamentos formais sobre os algoritmos de entrega de conteúdo.

“Procurada, a Meta reconheceu a falha e, outra vez, apontou ‘problemas técnicos’ como motivo”, diz a nota do PT, acrescentando que “essas ações interferem diretamente em avanços como o fim das BETs, da escala 6×1, além do chamado “tesouraço” contra programas sociais”. Por sua vez, o representante da campanha contestou a falta de comprovação técnica mais ampla por parte da empresa.

“A empresa alega que essa ‘falha’ afetou outros anunciantes e mercados, mas não trouxe qualquer evidência disso, muito menos de que esse problema tenha afetado também outros candidatos no Brasil. Mais uma vez, afirma a META, foi um ‘problema técnico’”, pontua o comunicado.

O impacto da moderação algorítmica nos debates públicos

O ecossistema das redes sociais exerce influência direta sobre a formação da opinião pública e a circulação de propostas governamentais. Em geral, alterações em algoritmos de distribuição de conteúdo tendem a modificar a visibilidade de debates institucionais, impactando a forma como eleitores acessam informações sobre candidatos e agendas legislativas no país.

Para o leitor na Bahia e em outras regiões, a discussão sobre a transparência das plataformas digitais reflete a necessidade de maior previsibilidade e clareza nos critérios adotados pelas grandes empresas de tecnologia. O acompanhamento dessas diretrizes pode influenciar a forma como políticas públicas e debates eleitorais chegam aos cidadãos conectados à internet.

Histórico de controvérsias globais envolvendo tecnologia e eleições

O uso ou manipulação de plataformas digitais para direcionar conteúdos e informações durante processos eleitorais tem sido alvo de processos judiciais e debates em todo o mundo. Casos emblemáticos marcaram a última década no cenário internacional, levantando questionamentos sobre a segurança de dados e a neutralidade algorítmica.

Um dos casos mais famosos envolveu a empresa Cambridge Analytica, que colheu dados de dezenas de milhões de usuários do Facebook para direcionar informações de campanha durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016, quando Donald Trump foi eleito pela primeira vez, assim como a favor da campanha do Brexit no Reino Unido.

Em março de 2018, o Facebook Inc., atual Meta, reconheceu “falhas” no sistema que permitiram a coleta em massa de informações usada pela Cambridge Analytica. Posteriormente, em julho de 2019, a empresa foi obrigada a pagar uma multa de US$ 5 bilhões imposta pela Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) dos EUA por supostamente enganar usuários sobre a capacidade de controlar a privacidade de suas informações pessoais.

Perguntas Frequentes

Qual foi o motivo alegado pela Meta para a redução no alcance das postagens?

A empresa atribuiu a situação a “problemas técnicos” que, segundo a companhia, teriam afetado mercados e anunciantes de forma ampla, sem exclusividade com o Brasil ou com contas específicas.

Quais órgãos foram acionados pela campanha do PT?

A campanha acionou o Tribunal Superior Eleitoral e a Agência Nacional de Proteção de Dados para cobrar esclarecimentos sobre as restrições de visibilidade digital.

Qual foi a determinação do TSE sobre o caso?

O Tribunal Superior Eleitoral determinou um prazo de 48 horas para que a Meta preste os esclarecimentos necessários a respeito das acusações formuladas pela campanha.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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