Brasil & Mundo

Regra da CBV restringe atletas trans e gera polêmica no vôlei nacional

Por Rafael Sampaio | Publicado em 16/08/2026 às 17:22
Regra da CBV
Divulgação/Osasco - @carol__fotografia
📖 Leitura: 5 Min

A exigência de um teste genético para a comprovação do sexo biológico feminino marca uma mudança drástica na política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A medida impacta diretamente a carreira de atletas transgênero, como a oposta Tifanny, que atua pelo Osasco São Cristóvão Saúde.

Resumo rápido:

  • A nova regra da CBV exige teste genético negativo para o gene SRY em atletas.
  • A mudança exclui atletas trans das competições femininas, gerando críticas sobre inclusão e direitos.
  • O regulamento já afeta a Superliga, Supercopa e o Circuito Brasileiro de vôlei de praia.

O impacto da mudança nos critérios de elegibilidade

A regra da CBV agora exige que atletas apresentem resultado negativo para o gene SRY para competir no vôlei feminino. A norma substitui o critério anterior, baseado nos níveis de testosterona sérica, alinhando a entidade nacional às diretrizes da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e do Comitê Olímpico Internacional (COI).

A implementação imediata da regra da CBV altera o panorama competitivo do voleibol nacional. Historicamente, o esporte brasileiro permitia a participação de mulheres trans sob controle hormonal rigoroso, política que garantiu a presença de Tifanny nas quadras desde 2017. Com a transição para o modelo de biologia genética, a desclassificação torna-se automática para quem não possui a condição biológica de nascimento, independentemente do histórico de saúde ou transição de gênero. Para a atleta, o cenário representa um retrocesso significativo na luta pela visibilidade e inclusão.

A voz da atleta: Tifanny e o posicionamento do Osasco

Tifanny classificou a medida como um “enorme retrocesso” e prometeu buscar medidas para reverter o impedimento. A jogadora, que foi a primeira trans a conquistar a Superliga em 2025, destacou que a decisão prejudica não apenas sua trajetória individual, mas o clube e o público.

Em seu pronunciamento oficial, a jogadora foi enfática ao declarar: “A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos. Mas isso não afeta só a mim. Afeta o meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e o direito de todas as pessoas trans. É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão. Voltamos para a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60 e 70”.

Cronograma e abrangência da nova política

A nova determinação possui um alcance amplo nas competições nacionais, conforme detalhado na tabela abaixo, que resume os eventos afetados e a natureza do novo critério imposto pela entidade gestora do voleibol brasileiro.

Competição Status da Aplicação Critério Principal
Superliga (1ª e 2ª divisões) Imediato Ausência do gene SRY
Supercopa Imediato Ausência do gene SRY
Copa Brasil Imediato Ausência do gene SRY
Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia A partir de 2027 Ausência do gene SRY

Contexto didático: o que é o gene SRY

O gene SRY (Sex-determining Region Y) está localizado no cromossomo Y e é o principal responsável pela determinação do sexo masculino em mamíferos durante o desenvolvimento embrionário. A presença desse gene desencadeia a formação dos testículos, que por sua vez produzem hormônios que definem as características sexuais masculinas. A exigência da regra da CBV foca, portanto, na ausência deste material genético específico como marcador biológico para a elegibilidade nas categorias femininas, ignorando parâmetros hormonais que antes eram o padrão para a inclusão.

Utilidade pública: como funcionam as disputas regionais

Apesar do anúncio nacional, a Federação Paulista de Volleyball (FPV) manteve o regulamento vigente para o Campeonato Paulista durante a transição. Isso permitiu que Tifanny atuasse na partida contra o Pinheiros, no Ginásio José Liberatti, no último sábado (15). Para atletas e clubes, a orientação é acompanhar as comunicações oficiais de cada federação estadual, pois “eventuais medidas” podem ser adotadas após consultas jurídicas. Recomenda-se que equipes busquem esclarecimentos junto aos departamentos jurídicos sobre o enquadramento de suas atletas diante dos novos regulamentos estaduais e nacionais, evitando riscos de punições administrativas ou perda de pontos em quadra.

Perguntas Frequentes

1. A nova regra da CBV é válida para quais competições?
A norma é aplicada imediatamente na Superliga (primeira e segunda divisões), na Supercopa e na Copa Brasil. Para o Circuito Brasileiro de vôlei de praia, a regra entra em vigor a partir de 2027.

2. Qual foi o critério utilizado antes da nova política da CBV?
Anteriormente, o critério de elegibilidade para mulheres trans baseava-se na manutenção dos níveis de testosterona sérica abaixo de um limite específico estabelecido pela entidade.

3. O que Tifanny afirmou sobre a mudança?
A jogadora afirmou que a medida é um “enorme retrocesso” e que pretende tomar todas as medidas possíveis para garantir seu direito à prática esportiva, argumentando que a decisão afeta a inclusão de pessoas trans como um todo.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

Mais Notícias

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade. Saiba mais