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Bahia

Projeto Pertencer une órgãos públicos para prevenção à violência na Bahia

Por Fábio Silva | Publicado em |5 min de leitura
Projeto Pertencer
milena.miranda
📖 Leitura: 6 Min

A articulação de redes colaborativas entre diferentes esferas do poder público ganha um novo contorno no estado com a instauração do Projeto Pertencer, medida voltada a estruturar ações integradas de prevenção à violência e fomento à cultura de paz em territórios de alta vulnerabilidade socioeconômica.

Resumo rápido:

  • Projeto Pertencer foi formalizado na sede do Tribunal de Justiça da Bahia.
  • Iniciativa reúne dezenas de órgãos públicos para aplicar práticas restaurativas comunitárias.
  • Foco central prioriza a escuta ativa das comunidades antes de intervenções estatais.

Como Funciona a Justiça Restaurativa Comunitária

O Projeto Pertencer opera por meio de um comitê gestor descentralizado, concebido para estruturar políticas públicas de pacificação social sem vínculos de subordinação hierárquica entre os órgãos participantes. A metodologia prioriza escutar os moradores locais antes de implementar qualquer intervenção estatal, reconhecendo que os conflitos são inerentes às relações sociais, mas contornáveis pelo diálogo e pela mediação comunitária.

A implementação de práticas restaurativas e de escuta ativa nas comunidades representa uma mudança paradigmática no modelo tradicional de intervenção estatal em áreas periféricas. Em vez de uma postura meramente reativa ou punitiva, o comitê busca construir soluções a partir das próprias demandas da população, reduzindo barreiras históricas de acesso aos serviços fundamentais de cidadania.

A Articulação Institucional e o Papel do Ministério Público da Bahia

A adesão institucional ao Projeto Pertencer congrega uma rede multissetorial de proteção e segurança. O procurador-geral de Justiça Pedro Maia enfatizou durante o evento de instalação que a união de esforços entre as diversas agências estatais e municipais é indispensável para combater desigualdades sociais estruturais.

A estrutura do comitê reúne nomes e instituições de peso, como o Tribunal de Justiça da Bahia, o Ministério Público da Bahia (MPBA), a Defensoria Pública, a Prefeitura de Salvador, as polícias Civil e Militar, além de secretarias estaduais voltadas à administração penitenciária, direitos humanos e segurança pública.

Desdobramentos Práticos para o Cidadão Comum

A consolidação de comitês interinstitucionais com foco em territórios vulneráveis costuma gerar impactos diretos no cotidiano das comunidades atendidas, facilitando a emissão de documentos, o atendimento psicossocial e a resolução pacífica de conflitos locais antes que atinjam esferas de violência aguda.

Guia Rápido: Como Comunidades Podem Buscar Apoio Institucional

Para acessar programas de mediação de conflitos e assistência jurídica gratuita na Bahia, o cidadão pode seguir os canais oficiais:
1. Procurar os núcleos de mediação vinculados ao Tribunal de Justiça ou postos da Defensoria Pública.
2. Acionar as Ouvidorias do Ministério Público da Bahia para registrar demandas coletivas de infraestrutura e direitos básicos.
3. Participar das reuniões comunitárias promovidas pelos conselhos locais de segurança e assistência social.

Projeto Pertencer
Ministério Público da Bahia (MPBA)
Órgão Participante Área de Atuação no Comitê
Ministério Público da Bahia (MPBA) Fiscalização da lei e garantia de direitos fundamentais
Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) Coordenação das instâncias de mediação e justiça restaurativa
Secretarias de Segurança Pública Articulação com polícias Civil, Militar e Corpo de Bombeiros
Prefeitura de Salvador Integração com políticas municipais e serviços locais

Histórico de Redes de Cooperação no Sistema de Justiça

Iniciativas voltadas à integração de agências estatais não surgem no vácuo, mas refletem uma evolução na forma como o sistema de justiça brasileiro lida com a criminalidade urbana. Historicamente, a atuação fragmentada dos órgãos estatais — em que polícia, tribunais e ministérios públicos operavam de forma estanque — demonstrou baixa efetividade na redução de índices de violência crônica em periferias urbanas.

Ao longo da última década, o fortalecimento de premissas restaurativas em estados como Rio Grande do Sul, São Paulo e agora de forma capilar na Bahia evidenciou que a presença do Estado precisa ser qualificada. A transição de um modelo meramente policialesco para uma abordagem de escuta territorial e prestação integrada de serviços públicos consolida-se como a principal diretriz contemporânea para a pacificação social em grandes aglomerados urbanos.

O Desafio da Efetividade Prática

A criação de mais um comitê gestor traz consigo a promessa de sinergia, mas esbarra no desafio histórico da burocracia estatal brasileira: transformar diretrizes genéricas em ações tangíveis na ponta. O acerto do Projeto Pertencer reside na premissa de que a escuta comunitária precede a intervenção, invertendo a lógica tecnocrática tradicional. No entanto, o verdadeiro teste dessa governança compartilhada será a capacidade de manter o fluxo de recursos e a constância operacional entre secretarias de diferentes matizes políticos e administrativos. Se cumprir a promessa de descentralização, a iniciativa pode estabelecer um padrão replicável para o enfrentamento da vulnerabilidade social no Nordeste.

Perguntas Frequentes

O que é o Projeto Pertencer?

É uma iniciativa interinstitucional voltada a criar políticas integradas de prevenção à violência, fortalecimento de vínculos comunitários e estímulo a práticas restaurativas na Bahia.

Quais órgãos integram o comitê gestor?

O comitê reúne o Ministério Público da Bahia, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Prefeitura de Salvador, forças de segurança estaduais e federais, entre outros órgãos.

Quem concebeu a iniciativa?

O projeto foi idealizado pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Carlos Pires Brandão, com apresentação técnica conduzida no âmbito do judiciário baiano.

Fábio Silva
Escrito por
Editor de Municípios

Com 32 anos de experiência sólida na radiodifusão, Fábio é o jornalista dedicado a dar voz e visibilidade aos municípios baianos. Conhecedor profundo da realidade regional, ele é o responsável por cobrir os principais acontecimentos, o cotidiano e o desenvolvimento das cidades do interior e da capital. Tendo atuado diretamente em polos como Feira de Santana, Jequié, Serra do Ramalho e Salvador, Fábio produz matérias que conectam os desafios e as conquistas locais ao interesse público. Além da apuração rigorosa no jornalismo municipal, ele aplica sua expertise para garantir que as notícias de cada canto da Bahia alcancem destaque e projeção nacional.

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