Três policiais de Rogério Andrade que cumpriam prisão domiciliar voltaram a ser presos preventivamente nesta terça-feira (28), no Rio de Janeiro. A medida foi tomada após a Justiça constatar violações sistemáticas das regras de monitoramento.
Os sargentos e cabos, acusados de fazer a segurança do bicheiro, ignoraram o recolhimento noturno e desligaram tornozeleiras eletrônicas. A ação contou com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público fluminense (Gaeco).
Resumo rápido:
- Três policiais militares acusados de integrar a segurança do contraventor Rogério Andrade foram presos preventivamente nesta terça-feira (28).
- Os agentes violaram reiteradamente as regras da prisão domiciliar, incluindo saídas noturnas e descarregamento intencional de tornozeleiras eletrônicas.
- A ação é um desdobramento da Operação Pretorianos, que investiga uma ampla rede de corrupção policial e exploração de jogos de azar no Rio de Janeiro.
Como agiam os policiais de Rogério Andrade na prisão domiciliar
A revogação do benefício da prisão domiciliar ocorreu após o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) identificar abusos contínuos. Os investigados Carlos Fernando Dias Chaves, Carlos Magno Mariano de Souza e Waldeci Barbosa Nunes ignoravam sistematicamente as restrições impostas pelo Poder Judiciário.
Entre as principais infrações estavam o descumprimento do recolhimento noturno obrigatório e as saídas não autorizadas durante os fins de semana. O monitoramento eletrônico, que deveria garantir a fiscalização dos réus, era frequentemente burlado pelos agentes de segurança.
No caso específico de Carlos Fernando Dias Chaves, os relatórios técnicos revelaram uma conduta alarmante. O policial militar permitiu que o aparelho de rastreamento ficasse totalmente sem bateria em quase uma dezena de ocasiões distintas. Em um dos episódios mais graves registrados pela fiscalização, o equipamento permaneceu completamente desligado por mais de 72 horas consecutivas, inviabilizando qualquer tipo de controle geográfico por parte do Estado.
De acordo com os promotores do Gaeco, essas atitudes não representam meros descuidos técnicos. Trata-se de uma afronta direta às decisões judiciais que coloca em risco a ordem pública e compromete a aplicação da lei penal no estado do Rio de Janeiro. A operação de recaptura dos três policiais de Rogério Andrade foi viabilizada por meio de uma ação conjunta entre a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do Ministério Público e a Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
O esquema de segurança da contravenção e a Operação Pretorianos
A denúncia que pesa contra os três militares é fruto das investigações iniciadas com a deflagração da Operação Pretorianos, ocorrida em março de 2024. Naquela ocasião, as forças de segurança pública miraram o núcleo de proteção armada do contraventor Rogério Andrade. A primeira fase da ação cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão, além de duas dezenas de ordens de prisão preventiva.
Ao todo, a operação revelou o envolvimento de:
* 18 policiais militares da ativa;
* Um policial penal do sistema penitenciário fluminense;
* Diversos civis que operavam na linha de frente do grupo criminoso.
O Gaeco denunciou formalmente mais de trinta pessoas por envolvimento em organização criminosa. A investigação detalhou que os policiais de Rogério Andrade atuavam não apenas como guarda-costas pessoais do bicheiro, mas também na garantia operacional dos pontos de jogos de azar espalhados por diversas regiões do Rio de Janeiro. A estrutura utilizava o conhecimento tático e o poder de coerção inerentes à farda para consolidar o domínio do grupo no território fluminense.
O papel dos militares da ativa na organização
Os policiais da ativa denunciados pelo Ministério Público desempenhavam funções estratégicas que iam muito além da escolta armada. Eles usavam informações privilegiadas sobre operações policiais para proteger os bens e os pontos de aposta da organização de Rogério Andrade.
A capilaridade do grupo nas forças de segurança dificultava investigações internas e garantia uma espécie de imunidade informal aos bicheiros. Com as novas prisões decretadas pela Justiça, o Ministério Público busca desmantelar as ramificações remanescentes que ainda tentavam operar sob a sombra da impunidade estatal.
A estrutura do império de jogos de azar e a corrupção policial
O grupo liderado por Rogério Andrade e por seu aliado próximo, Flávio da Silva Santos, conhecido popularmente no meio criminoso como “Flávio da Mocidade”, é apontado pelas autoridades como a principal organização voltada para a exploração de jogos de azar em solo fluminense. A dupla comanda um império financeiro baseado no controle de máquinas caça-níqueis, apostas ilegais e na gestão violenta de áreas de disputa com quadrilhas concorrentes.
Para manter o funcionamento dessa engrenagem ilícita sem interferência do Estado, a organização criminosa desenvolveu um método de corrupção sistemática de agentes públicos. O Ministério Público descreve em suas denúncias que o grupo realizava o pagamento rotineiro de propinas a diversas unidades das Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. Esse fluxo de dinheiro sujo comprava a omissão de batalhões e delegacias, permitindo que a exploração dos jogos ocorresse livremente nas ruas.
Em virtude da alta periculosidade e do poder de influência do chefe da organização, a Justiça fluminense e os órgãos federais têm adotado medidas rígidas de isolamento. Em 26 de novembro de 2025, o Gaeco obteve uma decisão favorável para manter Rogério Andrade isolado no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, localizado no estado de Mato Grosso do Sul. A permanência do contraventor fora do Rio de Janeiro é considerada fundamental para desarticular o comando direto sobre os policiais de Rogério Andrade e frear a escalada de violência urbana associada à disputa pelos pontos de contravenção.
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Perguntas Frequentes
Quem são os policiais de Rogério Andrade que foram presos novamente?
Os policiais militares recapturados são Carlos Fernando Dias Chaves, Carlos Magno Mariano de Souza e Waldeci Barbosa Nunes. Eles são acusados de integrar o núcleo de segurança do contraventor Rogério Andrade.
Por que a prisão domiciliar dos agentes foi revogada?
A Justiça determinou o retorno à prisão preventiva porque os acusados violaram seguidamente as regras judiciais, como o recolhimento noturno e de fins de semana. Um dos policiais deixou a bateria de sua tornozeleira eletrônica descarregar por mais de 72 horas consecutivas.
Onde está detido o contraventor Rogério Andrade?
Rogério Andrade está preso na penitenciária federal de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, após uma decisão favorável obtida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em 26 de novembro de 2025.

