O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil deflagraram nesta quinta-feira (28) uma ofensiva contra a lavagem de dinheiro do PCC em São José dos Campos, no interior paulista. As autoridades cumpriram três mandados de busca e apreensão e determinaram o congelamento judicial de veículos, imóveis de alto padrão e a quantia de R$ 2,5 milhões.
A investigação revelou que os suspeitos utilizavam pessoas jurídicas para efetuar transações imobiliárias. O objetivo era dissimular a origem, a localização e a titularidade dos recursos obtidos por meio do tráfico de drogas na região.
Resumo rápido:
- Operação conjunta do MP-SP e Polícia Civil cumpriu mandados em São José dos Campos nesta quinta-feira (28).
- Foram bloqueados R$ 2,5 milhões, além de veículos e imóveis de alto padrão ligados a suspeitos.
- A apuração aponta ramificações com um esquema criminoso investigado originalmente na Operação Boate Azul.
Rastro financeiro incompatível e ligação com o passado
O inquérito policial teve início após os órgãos de controle identificarem uma movimentação patrimonial totalmente incompatível com a capacidade financeira declarada pelos investigados. Os repasses financeiros eram direcionados a um ex-integrante da facção criminosa.
Esse antigo operador do grupo foi condenado anteriormente na Operação Boate Azul, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em 2016. O criminoso, que já faleceu, controlava o tráfico de entorpecentes na zona sul do município.
– Utilização de empresas para transações imobiliárias fraudulentas.
– Ocultação de capitais procedentes do narcotráfico.
– Patrimônio incompatível com a renda dos envolvidos.
Um dos alvos atuais do inquérito já havia recebido condenação de treze anos e dois meses de reclusão. As acusações incluíam falsidade ideológica, porte de arma e tráfico de drogas, julgadas a partir dos desdobramentos da ação realizada em 2016.
O alcance histórico da Operação Boate Azul
Deflagrada há oito anos pelo Gaeco, a primeira fase da Operação Boate Azul desarticulou o núcleo que dominava o tráfico na zona sul joseense. Na ocasião, quatorze pessoas foram capturadas e outras nove já estavam detidas em flagrante por narcotráfico, além da apreensão de mais de 100 quilos de entorpecentes, armas e documentos.
O desdobramento seguinte, iniciado em outubro de 2017, revelou o envolvimento de trinta policiais civis com a organização criminosa. Além dos agentes públicos, uma advogada e quatro cidadãos receberam condenações por extorsão, corrupção e tráfico.
Dos policiais processados, vinte e seis sofreram sanções por improbidade administrativa, perdendo seus cargos públicos e tendo os direitos políticos suspensos por prazos entre três e oito anos. A Justiça também determinou o pagamento de multas civis proporcionais aos vencimentos e fixou uma indenização solidária de R$ 2 milhões por danos sociais. Em outubro de 2023, mais cinco réus foram condenados pelo crime de ocultação de valores.
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Perguntas Frequentes
Qual o valor total bloqueado na operação em São José dos Campos?
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 2,5 milhões, além de veículos e imóveis de alto padrão ligados aos suspeitos de integrar o esquema.
Como funcionava o esquema criminoso investigado pelo Ministério Público?
Os suspeitos utilizavam pessoas jurídicas para realizar negociações imobiliárias com a finalidade de ocultar a origem e a propriedade de recursos obtidos através do tráfico de drogas.
O que foi a Operação Boate Azul mencionada nas investigações?
Deflagrada pelo Gaeco em 2016, a Operação Boate Azul desarticulou uma organização criminosa que controlava o tráfico na zona sul de São José dos Campos, resultando posteriormente em prisões e condenações de civis, advogados e policiais.

