A ADPF das favelas reconfigurou profundamente a estratégia de enfrentamento ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro. A mudança decorre de diretrizes firmadas no julgamento concluído pelo Supremo Tribunal Federal em abril de 2025.
Especialistas apontam que o foco das autoridades migrou das tradicionais operações de confronto em comunidades para o desmantelamento das redes financeiras, logísticas e políticas que sustentam as facções criminosas e as milícias fluminenses.
Resumo rápido:
- A ADPF das favelas mudou o foco das operações policiais no Rio para investigações de estruturas financeiras, políticas e institucionais.
- O STF determinou em abril de 2025 que a Polícia Federal atue de forma permanente e exclusiva contra o crime organizado no estado.
- Pesquisas indicam que a população vivendo sob domínio armado na região metropolitana cresceu 59,4% entre 2007 e 2024.
O impacto da ADPF das favelas nas investigações federais
A determinação unânime do Supremo estabeleceu que a Polícia Federal abrisse uma frente de investigação permanente e com dedicação exclusiva no território fluminense. O arranjo institucional envolveu suporte orçamentário da União e atuação coordenada de órgãos de controle.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras, a Receita Federal e a Secretaria de Estado da Fazenda do Rio de Janeiro passaram a dar prioridade máxima às diligências. Para profissionais da área jurídica e de segurança, esse suporte político e financeiro era inviável apenas com a estrutura estadual isolada.
Historicamente, as forças de segurança locais atuavam quase exclusivamente no varejo do tráfico nas comunidades. O resultado era um ciclo contínuo de operações, apreensões pontuadas por trocas de tiros e prisões passageiras que não desarticulavam os grupos criminosos de forma duradoura.
Os três pilares do crime organizado
As investigações atuais estruturam-se no ataque simultâneo a três frentes distintas que sustentam a criminalidade no estado:
* Braço armado: facções criminosas e grupos milicianos atuantes nos territórios.
* Braço econômico: redes de lavagem de dinheiro, contrabando, exploração de combustíveis e jogo do bicho.
* Braço institucional: agentes públicos, autoridades e políticos acusados de fornecer proteção e vazamento de informações.
A expansão territorial dos grupos armados
Levantamentos do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense, em parceria com o Instituto Fogo Cruzado, mapearam a dimensão do problema enfrentado pelas instituições. Cerca de 4 milhões de pessoas residiam, em 2024, em áreas sob influência ou controle de armados na região metropolitana.
Entre 2007 e 2024, a extensão territorial submetida a algum tipo de domínio armado registrou alta de 130,4%. No mesmo intervalo, o contingente populacional vivendo nessas condições aumentou 59,4%, evidenciando a necessidade de uma estratégia de combate sistêmica.
A nova abordagem permitiu alcançar o chamado andar de cima da criminalidade. Operações recentes miraram autoridades públicas, desembargadores, parlamentares, policiais e ex-prefeitos apontados como elos de esquemas de facilitação e corrupção.
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Perguntas Frequentes
O que mudou com a ADPF das favelas?
A decisão do STF deslocou o foco policial do varejo de drogas nas comunidades para o desmonte das engrenagens financeira, política e institucional do crime organizado.
Qual foi o papel da Polícia Federal após a decisão?
O Supremo determinou que a Polícia Federal mantenha uma investigação permanente e com dedicação exclusiva no Rio de Janeiro, com apoio prioritário de órgãos de controle fiscal e financeiro.
Quem produziu os dados sobre a expansão territorial dos grupos armados?
A pesquisa foi realizada pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense em parceria com o Instituto Fogo Cruzado.

