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Brasil & Mundo

Ação no centro de São Paulo reúne refugiados em busca de emprego

Por Rafael Sampaio | Publicado em
refugiados em São Paulo
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
📖 Leitura: 5 Min

Vinda da Venezuela por causa de um problema de saúde da esposa que exigia tratamento médico ágil, a família de Victor Arce, de 65 anos, e Morelba Margarida Aquilar, de 64 anos, buscou alternativas no centro de São Paulo na manhã deste sábado, 17 de outubro. Enquanto o marceneiro profissional e sua família vendem artesanato para garantir o sustento diário, eles se uniram a outros 136 migrantes e refugiados inscritos para participar de uma iniciativa voltada à empregabilidade para migrantes.

Resumo rápido:

  • Ação no centro de São Paulo reuniu migrantes e refugiados de 23 nacionalidades neste sábado (17).
  • Iniciativa ofereceu workshops, revisão de currículos e vagas de emprego para o público estrangeiro.
  • Segundo o Acnur, o Brasil abriga atualmente mais de um milhão de pessoas refugiadas ou em proteção.

O desafio da inserção profissional para estrangeiros

A busca por vagas de trabalho e por orientação sobre como abrir um negócio próprio motivou a presença de dezenas de estrangeiros na Aliança Brasil Cidadã, localizada na região central da capital paulista. O evento, batizado de Conexões que Transformam, foi estruturado para funcionar durante todo o dia com suporte especializado, traduções e palestras direcionadas ao funcionamento do mercado corporativo brasileiro.

“Estou buscando maneiras de empreender, de abrir uma microempresa”

declarou Victor Arce durante a atividade, ao buscar orientações práticas sobre como formalizar um negócio no país

Ele acrescentou:

“Aqui se encontra muito apoio ao imigrante, a imigrantes de todos os países do mundo. Essa é uma ideia muito boa e que poucos países têm”

De acordo com Maria Helena Santuche, líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, 70% dos refugiados e migrantes presentes no mutirão estavam desempregados. Além disso, a maioria manifestou o desejo de empreender, embora muitas vezes por pura necessidade de sobrevivência e não por uma oportunidade planejada.

“A maior parte dessas pessoas quer empreender, mas elas não têm muita ideia ainda [em como fazer isso], porque justamente esse é um empreendedorismo por necessidade, não por oportunidade”

pontuou

O papel das organizações na capacitação e suporte

A mobilização foi realizada em conjunto pelo Grupo Mulheres do Brasil, a Konecta Brasil e a Konecta Foundation. Entre as atividades oferecidas constaram oficinas de capacitação em empreendedorismo, auxílio com a documentação pessoal e suporte para a adequação de currículos para o português.

“Um dos objetivos principais [da ação] é possibilitar que esses refugiados que estão no nosso país trabalhem ou façam as adequações necessárias da sua documentação e para que estejam com seus currículos preparados e atualizados”

ressaltou Flavio Simonato, diretor de Pessoas da Konecta Brasil

O executivo também destacou que foram ministradas palestras orientativas e distribuídas doações de cestas básicas e brinquedos para as famílias.

Segundo Eliane Franco Figueiredo, co-fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, o público inscrito veio principalmente da Venezuela, do Congo e do Haiti. Contudo, barreiras burocráticas persistem, como a validação de diplomas estrangeiros.

“A gente tem médicos aqui, por exemplo, que não podem exercer sua profissão aqui [no Brasil] porque a validação de diploma demora muito. Então, [nesse local] estamos fazendo todo esse tipo de ação para a empregabilidade e de capacitação para o trabalho”

explicou

O cenário do refúgio e o fluxo migratório no Brasil

O fluxo de estrangeiros que buscam refúgio ou proteção internacional no país engloba mais de um milhão de pessoas, conforme dados apresentados por Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Os deslocados somam mais de 160 nacionalidades, com forte predominância de venezuelanos, cubanos e haitianos, além de chegadas recentes de afegãos, iranianos, sírios e palestinos devido a conflitos internacionais recentes.

Embora o acesso a serviços básicos como saúde e educação esteja garantido por lei após a chegada, as dificuldades iniciais são amplas.

“O idioma é a primeira barreira para todas essas pessoas porque pouquíssimos países falam português. E, depois, existe uma urgência para trabalhar. Eles não têm uma rede de apoio, não têm moradia, então existem vários desafios”

avaliou Vivian Holzhacker, ponderando que muitos profissionais qualificados acabam aceitando funções diversas para conseguir renda imediata

Perguntas Frequentes

Quem organizou a ação de empregabilidade em São Paulo?

O evento Conexões que Transformam foi promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, pela Konecta Brasil e pela Konecta Foundation, ocorrendo na Aliança Brasil Cidadã, no centro da capital paulista.

Quais nacionalidades participaram do mutirão de empregabilidade?

A iniciativa reuniu imigrantes e refugiados de 23 nacionalidades diferentes, com destaque para pessoas vindas da Venezuela, do Congo e do Haiti, além de outras regiões afetadas por conflitos.

Quais foram os principais serviços ofertados aos participantes?

O evento disponibilizou workshops de empregabilidade e empreendedorismo, revisões de currículo traduzidas para o português, apoio para regularização de documentos e orientação sobre o mercado de trabalho brasileiro.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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