A disputa eleitoral pelo Palácio do Planalto motivou universitários e secundaristas a retomarem as manifestações públicas em diferentes municípios brasileiros. As ações ocorrem em meio a debates sobre o futuro das instituições democráticas e o financiamento da educação pública, impulsionadas pelo cenário que antecede a votação definitiva do pleito presidencial.
Resumo rápido:
- Estudantes promovem atos públicos pelo país antes do segundo turno eleitoral.
- TSE rejeitou pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para apagar postagens.
- Presidente da UNE destacou histórico de mobilizações da entidade desde a fundação.
Decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre postagens
O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, integrante do Tribunal Superior Eleitoral, rejeitou solicitação apresentada pela equipe jurídica do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, filiado ao PL. A demanda visava remover conteúdos publicados nas redes sociais por mais de cinquenta dirigentes vinculados a sindicatos, organizações sociais e coletivos acadêmicos, entre os quais consta a União Nacional dos Estudantes.
A medida judicial evitou a supressão de mensagens veiculadas por essas lideranças no ambiente digital. A controvérsia jurídica ganhou espaço em meio às discussões sobre liberdade de expressão e propaganda eleitoral durante a etapa final da disputa presidencial. A atuação das entidades representativas tem sido alvo de contestações judiciais por parte de diferentes coligações partidárias que disputam o comando do Executivo federal.
O posicionamento oficial da liderança estudantil
Em entrevista concedida à Agência Brasil, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, pontuou os motivos que levaram a organização a convocar atos públicos pelo território nacional. A dirigente mencionou o histórico político da instituição em diferentes momentos da história republicana, citando campanhas como a mobilização em defesa do monopólio estatal do petróleo, o enfrentamento ao regime militar, as jornadas pelas eleições diretas e os protestos que antecederam os impeachments de presidentes da República.
“Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco”
declarou a presidente da UNE, Bianca Borges, ao apontar receios em relação a propostas contrárias à educação pública
A dirigente também enfatizou os desafios financeiros enfrentados pelas instituições de ensino superior, citando a insuficiência de verbas e a necessidade de fortalecer programas voltados à permanência acadêmica de estudantes de baixa renda.
A representante estudantil relacionou a defesa do regime democrático à melhoria das condições de vida da classe trabalhadora e da juventude.
“Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça. Isso é da própria vocação dos estudantes brasileiros, desde a fundação da UNE tem sido assim”
ressaltou a presidente da UNE, Bianca Borges
Trajetoria acadêmica e militância institucional
A dirigente máxima da entidade representativa possui 25 anos de idade e naturalidade paulista, tendo nascido em Itapevi e crescido no município de Praia Grande. Estudante de Letras no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), assumiu a direção nacional da organização para o período compreendido entre 2025 e 2027. O início da sua trajetória ocorreu aos 14 anos, quando atuou como representante discente em uma Escola Técnica Estadual (Etec) e participou da fundação de um grêmio estudantil.
Formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), instituição na qual ingressou no ano de 2017, Bianca exerceu funções diretivas no Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP e no Centro Acadêmico XI de Agosto. Posteriormente, comandou a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), período em que liderou contestações contra iniciativas estaduais voltadas à privatização e à militarização de colégios públicos. A trajetória também inclui passagens pela Organização Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae).
Perguntas Frequentes
O que motivou a retomada das manifestações estudantis recentemente?
Segundo a presidência da entidade, o movimento foi impulsionado pelo temor de retrocessos institucionais, ameaças à democracia e riscos à educação pública às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
Qual foi a decisão do TSE em relação às entidades estudantis?
O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva negou o pedido protocolado pela campanha do candidato Flávio Bolsonaro para excluir publicações nas redes sociais de dezenas de dirigentes sindicais e estudantis, incluindo a UNE.
Quem lidera atualmente a União Nacional dos Estudantes?
A presidência da organização é exercida por Bianca Borges, estudante de Letras do IFSP e formada em Direito pela USP, cujo mandato abrange o período de 2025 a 2027.


