A redução de 45% nos casos de feminicídio em Salvador, registrada entre 2023 e 2025, impulsiona novas estratégias de prevenção focadas na identificação precoce de comportamentos abusivos em relacionamentos, agora materializadas em uma experiência imersiva inédita montada no Shopping Bela Vista.
Resumo rápido:
- Túnel imersivo em Salvador expõe violências psicológica, moral, patrimonial, sexual e física contra a mulher.
- Ação visa identificar sinais de alerta antes da evolução para agressões físicas ou feminicídios.
- Ferramentas como o Botão Lilás facilitam o acesso à rede de proteção municipal e denúncias.
O conceito de violência invisível no Agosto Lilás
A iniciativa do Agosto Lilás em Salvador propõe uma imersão sensorial para desconstruir a ideia de que a agressão começa apenas com o contato físico. Ao percorrer o túnel, o público é confrontado com frases e comportamentos cotidianos que, embora pareçam banais, sustentam o ciclo da violência doméstica e psicológica.
O projeto, viabilizado através de uma parceria entre a Prefeitura de Salvador, o Shopping Bela Vista e o Ministério Público da Bahia (MP-BA), utiliza o chamado Violentômetro. Essa ferramenta técnica atua como um termômetro de risco, classificando comportamentos que vão desde o controle excessivo e ciúmes desmedidos até a ameaça direta, permitindo que a vítima identifique em qual estágio de perigo seu relacionamento se encontra. A proposta central é educativa: ao tornar visíveis essas etapas, o sistema busca quebrar o ciclo de negação antes que situações de abuso se tornem irreversíveis.
A estrutura da rede de proteção em Salvador
O acesso à informação é a base para que mulheres rompam com contextos de violência e busquem auxílio institucional especializado. Em Salvador, a rede de proteção conta com serviços estruturados que oferecem suporte psicossocial, jurídico e de segurança, com destaque para a Casa da Mulher Brasileira e os Centros de Referência de Atendimento à Mulher.
Dados recentes demonstram o impacto desses equipamentos na sociedade soteropolitana. Nos últimos cinco anos, os centros de referência prestaram mais de 72 mil atendimentos, enquanto a Casa da Mulher Brasileira superou 40 mil serviços em apenas dois anos de funcionamento. A estratégia de levar essa pauta para espaços de grande circulação, como um shopping center, visa descentralizar o atendimento, atingindo um público que, muitas vezes, não busca os órgãos de proteção por desconhecer os caminhos disponíveis ou por não identificar o abuso em si.
Dados sobre a queda de feminicídios na capital
A eficácia das políticas públicas de combate à violência de gênero pode ser observada através da redução quantitativa dos registros de feminicídio na cidade. A tabela abaixo ilustra a variação desses números conforme as informações fornecidas pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
| Indicador | Ano de Referência | Total de Registros |
|---|---|---|
| Feminicídios | 2023 | 20 |
| Feminicídios | 2025 | 11 |
| Redução Percentual | – | 45% |
Conforme pontuado por Fernanda Cerqueira, diretora de Políticas Públicas para Mulheres, Infância e Juventude, a queda de 45% nos registros é um reflexo direto da conscientização e do fortalecimento das redes de apoio. A educação sobre o que constitui um relacionamento abusivo é, segundo a gestora, a “mola propulsora da transformação social”.
Como acessar ajuda: Guia de Utilidade Pública
Para mulheres que se encontram em situações de risco, a tecnologia tem se mostrado uma aliada estratégica. O Botão Lilás, ferramenta desenvolvida pela Prefeitura de Salvador, permite o acionamento direto via WhatsApp pelo número (71) 98791-3420. Ao receber a mensagem, o sistema realiza o georreferenciamento da vítima, direcionando a viatura da Guarda Civil Municipal mais próxima para o local da ocorrência.
Além desta ferramenta municipal, existem outros canais de denúncia e orientação que funcionam de forma ininterrupta:
1. Ligue 180: Serviço nacional de utilidade pública que oferece orientações sobre direitos, legislação e encaminhamento para serviços da rede de proteção.
2. Ligue 190: Canal de emergência policial para situações onde há risco iminente de agressão física ou ameaça à vida.
3. Centros de Referência: Locais que oferecem atendimento psicossocial contínuo para mulheres que buscam romper o ciclo de violência.
A promotora de Justiça Sara Gama ressalta que a experiência no túnel imersivo é desenhada para gerar empatia, permitindo que a população compreenda a complexidade da rede de proteção, que vai desde o atendimento inicial até a resposta do sistema de Justiça. A ação permanece disponível para visitação até o final de agosto.
Perguntas Frequentes
1. O que é o Agosto Lilás e por que ele é importante?
O Agosto Lilás é uma campanha nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, instituída para divulgar a Lei Maria da Penha. Em Salvador, a iniciativa ganha contornos práticos com ações em locais públicos para educar a população sobre os sinais sutis de abuso que antecedem crimes graves.
2. Como funciona o Botão Lilás mencionado na reportagem?
O Botão Lilás é um serviço de atendimento via WhatsApp no número (71) 98791-3420. Ele utiliza geolocalização para enviar a viatura da Guarda Civil Municipal ao local da ocorrência, sendo uma ferramenta rápida para situações de risco em Salvador.
3. Apenas agressões físicas devem ser denunciadas?
Não. A campanha reforça que a violência psicológica, moral, sexual e patrimonial também são formas de abuso. Identificar esses sinais, através de ferramentas como o “Violentômetro”, é fundamental para prevenir que o relacionamento evolua para agressões físicas ou feminicídio.
