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Produtores rurais de Rio Real expandem cultivo com foco na agricultura orgânica

Rio Real, Bahia
Por Fábio Silva | Publicado em 23/09/2026 às 16:19
agricultura orgânica
Divulgação
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A transição de modelos produtivos tradicionais para métodos sustentáveis ganhou força entre os 15 agricultores do Assentamento Antônio Araújo, localizado no município baiano de Rio Real, por meio de uma imersão prática em propriedades agrícolas do estado vizinho de Sergipe.

Resumo rápido:

  • Produtores de Rio Real visitam Sergipe para aprender técnicas de cultivo limpo.
  • Iniciativa promove a transição do sistema convencional para métodos sustentáveis.
  • Capacitação envolve manejo de solo, biofertilizantes e aproveitamento da mandioca.

O salto para a sustentabilidade no campo

A adoção de métodos limpos de plantio exige planejamento e capacitação técnica contínua para garantir a viabilidade econômica dos pequenos produtores. Durante a programação no município sergipano de Estância, o grupo teve contato direto com o engenheiro agrônomo e produtor Elvis Lisboa, referência na condução de cultivos livres de agrotóxicos. Os agricultores analisaram de perto a estruturação de leiras adequadas, o consórcio de hortaliças diversificadas e a fabricação artesanal de defensivos naturais voltados à melhoria da qualidade fitossanitária das colheitas.

O suporte institucional da ação foi coordenado pelo Sebrae Bahia, através do seu Projeto de Horticultura, em conjunto com a Secretaria Municipal de Agronegócio e Meio Ambiente de Rio Real. Para a analista técnica Andréa Eichenberger, observar de perto uma transição bem-sucedida desmistifica o processo e pavimenta o caminho para que os produtores repliquem o modelo em solo baiano com maior segurança e previsibilidade de ganhos financeiros.

Conexão prática e agregação de valor na produção

O aproveitamento integral das colheitas e a diversificação de receitas representam pilares fundamentais para a sobrevivência econômica da agricultura familiar moderna.

Além das técnicas de manejo do solo, que abrangeram a reposição de macronutrientes por meio de insumos orgânicos e o controle biológico de pragas, a comitiva acompanhou o processamento da mandioca. Os produtores visualizaram a transformação da raiz em subprodutos como o beiju, o que assegura rentabilidade elevada e desperdício mínimo. A produtora Orlúcia Pereira, de 49 anos, relatou que os aprendizados já começaram a refletir em melhorias estruturais no assentamento, enquanto a agricultora Clemilda de Jesus destacou a novidade na fabricação de mudas e derivados da mandioca aplicados imediatamente em sua rotina de trabalho.

Desafios históricos da transição agroecológica na região Nordeste

A substituição de insumos químicos por práticas agroecológicas no semiárido e na zona da mata nordestina esbarra historicamente em barreiras logísticas, de assistência técnica continuada e de acesso a mercados consumidores qualificados. Historicamente, políticas públicas de crédito e fomento agrícola priorizaram o modelo de revolução verde baseado no uso intensivo de fertilizantes sintéticos e defensivos industriais.

Quando pequenos agricultores tentam romper com esse ciclo, enfrentam um período de transição em que a produtividade pode oscilar enquanto o solo se recupera biologicamente. Experiências de intercâmbio técnico, como a realizada entre Rio Real e o estado vizinho, funcionam como atalhos pedagógicos cruciais para mitigar erros comuns nessa fase de adaptação, reduzindo o tempo de curva de aprendizado das comunidades tradicionais e assentamentos de reforma agrária.

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Foto: Divulgação

O papel estratégico dos Sistemas Agroflorestais

Os Sistemas Agroflorestais (SAF) despacham como uma das ferramentas mais eficientes para recuperar áreas degradadas e garantir microclimas favoráveis ao cultivo de hortaliças e culturas perenes. Ao integrar árvores de grande porte com plantios agrícolas e criação animal no mesmo espaço físico, o produtor simula a dinâmica de uma floresta nativa, promovendo a ciclagem natural de nutrientes e a retenção de umidade no solo. Essa abordagem diminui drasticamente a dependência de adubos externos e confere resiliência climática contra períodos de estiagem prolongada, cenário recorrente na região Nordeste.

Como iniciar o cultivo orgânico em pequenas propriedades

Para o produtor rural interessado em migrar do sistema convencional para a produção orgânica, a estruturação deve ocorrer de forma planejada para evitar impactos financeiros bruscos na renda familiar.

1. Diagnóstico do solo: Realize análises laboratoriais para identificar a fertilidade atual e os níveis de compactação da terra.
2. Capacitação técnica: Busque orientações junto a órgãos de extensão rural, como o Sebrae ou secretarias municipais de agricultura, para entender o manejo de pragas sem químicos.
3. Zoneamento da propriedade: Defina uma área piloto para iniciar a transição, separando fisicamente o cultivo limpo do restante da lavoura convencional.
4. Compostagem e biofertilizantes: Monte sistemas de reaproveitamento de resíduos orgânicos da propriedade para nutrir o solo a custo zero.
5. Certificação: Informe-se sobre os mecanismos de controle social para venda direta ou participação em Organizações de Controlo Social (OCS) para comercializar com selo orgânico.

Perguntas Frequentes

Qual foi o principal objetivo da visita técnica realizada em Sergipe?

A iniciativa buscou proporcionar a troca de experiências práticas e apresentar modelos produtivos sustentáveis para que os produtores de Rio Real apliquem a transição do plantio convencional para o orgânico.

Quais entidades apoiaram a capacitação dos produtores rurais?

A ação foi promovida pelo Sebrae Bahia por meio do Projeto de Horticultura, em parceria com a Secretaria Municipal de Agronegócio e Meio Ambiente de Rio Real.

Quais técnicas específicas os agricultores aprenderam durante a imersão?

Os participantes aprenderam sobre o manejo correto do solo, reposição de macronutrientes por vias orgânicas, controle alternativo de pragas, manejo de Sistemas Agroflorestais e técnicas de processamento e agregação de valor à mandioca.

Fábio Silva
Escrito por
Editor de Municípios

Com 32 anos de experiência sólida na radiodifusão, Fábio é o jornalista dedicado a dar voz e visibilidade aos municípios baianos. Conhecedor profundo da realidade regional, ele é o responsável por cobrir os principais acontecimentos, o cotidiano e o desenvolvimento das cidades do interior e da capital. Tendo atuado diretamente em polos como Feira de Santana, Jequié, Serra do Ramalho e Salvador, Fábio produz matérias que conectam os desafios e as conquistas locais ao interesse público. Além da apuração rigorosa no jornalismo municipal, ele aplica sua expertise para garantir que as notícias de cada canto da Bahia alcancem destaque e projeção nacional.

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