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Amamentação reduz em 11% risco de doenças cardiovasculares na mãe,

Por Rafael Sampaio | Atualizado em 02/08/2026 às 10:59
amamentação
Valter Campanato/Agência Brasil
📖 Leitura: 6 Min🕒 Publicado: 02/08/2026 às 10:59

A prática do aleitamento materno vai muito além do desenvolvimento nutricional e imunológico do recém-nascido, exercendo um papel protetor profundo e duradouro sobre o organismo materno. De acordo com levantamentos divulgados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a amamentação reduz em cerca de 11% a probabilidade de a mulher desenvolver patologias cardiovasculares ao longo da vida, em comparação àquelas que não amamentam. O dado ganha relevância diante das estatísticas de mortalidade feminina no país.

Os benefícios diretos para o sistema circulatório da mãe estão diretamente vinculados à extensão temporal do período de lactação. O cenário epidemiológico das doenças do coração entre o público feminino exige atenção médica redobrada, visto que as complicações cardiovasculares respondem por uma fatia expressiva dos óbitos de mulheres, superando inclusive as mortes decorrentes de neoplasias mamárias.

Resumo rápido:

  • Aleitamento materno diminui em 11% o risco global de doenças cardiovasculares na mãe.
  • Processo de lactação promove um reset metabólico, regulando a glicose e a insulina.
  • Doenças do coração matam mais mulheres que o câncer de mama no Brasil.

O mecanismo do reset metabólico e a proteção ao miocárdio

Durante a gravidez, o corpo feminino passa por transformações fisiológicas intensas, que englobam elevação nos níveis de lipídios, aumento do colesterol total e do LDL — conhecido popularmente como colesterol ruim —, além de picos na resistência à insulina. É justamente nesse ponto que a lactação atua como um mecanismo de compensação biológica, promovendo o que especialistas classificam como um “reset metabólico” na saúde da mulher.

A produção contínua de leite exige gasto energético e consumo de glicose pelo organismo, o que auxilia de maneira direta na regulação do metabolismo glicídico e incrementa a sensibilidade celular à insulina. “As publicações giram em torno de 18 meses de amamentação. A mulher que amamenta por mais tempo tem também redução desses fatores de risco: 12% menos risco de acidente vascular cerebral (AVC), 14% menos risco de infarto. Viu-se que a amamentação traz essa proteção para a mulher”, destaca a vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita.

A médica esclarece, no entanto, que a ausência de amamentação não configura, por si só, um aumento patológico pré-existente para o desenvolvimento desses problemas, mas sim que a prática consolida uma barreira extra de proteção. O processo reduz a pressão arterial e a frequência cardíaca materna, fazendo com que o músculo cardíaco execute o bombeamento sanguíneo com menor sobrecarga operacional.

Ação hormonal e o papel da ocitocina na circulação sanguínea

O ciclo da lactação desencadeia a secreção de substâncias endócrinas específicas, tais como prolactina, glicocorticoides, grelina, hormônio do crescimento e ocitocina. Cada um desses compostos desempenha funções biológicas voltadas para a integridade do tecido miocárdico contra eventuais lesões oxidativas ou isquêmicas.

Entre os mediadores químicos liberados, a ocitocina — amplamente reconhecida como o hormônio responsável pelo vínculo afetivo — assume um papel cardioprotetor de destaque. A substância atua na ativação de vias neuronais e celulares ligadas à produção de energia, blindando o coração contra quadros de缺氧 (falta de oxigênio).

“Tudo isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede interior das artérias. Também a liberação de oxitocina, nessa fase de lactação, faz uma vasodilatação, melhorando a circulação dessa mãe. Então, as alterações hormonais produzidas durante a gestação ficam meio que ‘resetadas’ na fase de lactação, que é o que vai causar realmente essa redução de riscos”, explica Alexandra Oliveira de Mesquita.

Adicionalmente, os estoques corporais de gordura acumulados de forma natural durante o período gestacional são consumidos durante a fabricação do leite, o que mitiga de maneira drástica as chances de episódios de enfarte do miocárdio.

Panorama de morbidade e fatores de risco específicos do sexo feminino

Historicamente, campanhas de conscientização concentram esforços na prevenção do câncer de mama, mas a realidade clínica apresenta um perfil de mortalidade distinto. Conforme os registros da SBC, as enfermidades do sistema circulatório matam cerca de sete vezes mais mulheres do que a neoplasia mamária, respondendo por aproximadamente 33% dos óbitos femininos totais.

Enquanto condições como sedentarismo, hipertensão e diabetes afetam ambos os sexos, o universo feminino conta com agravantes próprios e marcadores de risco exclusivos. Entre eles estão o histórico de menarca precoce ou tardia, menopausa prematura (antes dos 45 anos), diagnósticos de endometriose, síndrome dos ovários policísticos, utilização de contraceptivos orais e intercorrências clínicas durante a gestação, a exemplo de diabetes gestacional, hipertensão específica da gravidez ou o nascimento de bebês com baixo peso.

O debate ganha força em meio às iniciativas do mês de conscientização sobre o aleitamento, que busca reforçar a importância de proteger, promover e apoiar a prática visando à sustentabilidade da saúde familiar e comunitária.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. A amamentação elimina completamente o risco de infarto na mulher?
Não. Embora o aleitamento reduza em cerca de 11% o risco global de doenças cardiovasculares, em 12% o risco de AVC e em 14% o risco de infarto (especialmente em períodos prolongados de amamentação), a proteção atua como um fator redutor de risco, mas não anula a incidência de outras variáveis genéticas, comportamentais ou clínicas.

2. O que é o chamado “reset metabólico” proporcionado pela lactação?
Trata-se de uma reinicialização fisiológica do organismo materno. A produção de leite consome glicose, melhora a sensibilidade à insulina, regula o metabolismo e utiliza as reservas de gordura acumuladas na gestação, além de reduzir a pressão arterial e a frequência cardíaca.

3. Quais são os principais fatores de risco cardíaco exclusivos das mulheres?
Além de fatores comuns como hipertensão e diabetes, as mulheres devem monitorar condições específicas como menarca precoce ou tardia, menopausa antes dos 45 anos, histórico de endometriose, ovários policísticos e complicações vasculares ou metabólicas ocorridas durante a gravidez.

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2 de agosto de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Valter Campanato/Agência Brasil|Redação: Rafael Sampaio|Fonte da Informação ↗

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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