O avanço da inteligência artificial nos mecanismos de busca da internet gerou uma retração expressiva no tráfego de portais de notícias, ameaçando a sustentabilidade financeira das empresas de mídia. A mudança de comportamento dos usuários, que passam a consumir resumos automáticos em vez de acessar os sites originais, impacta diretamente a captação de recursos e a monetização baseada em visualizações de páginas, um dos pilares econômicos da atividade informativa.
- A expansão de resumos gerados por inteligência artificial em buscadores diminui o tráfego direto para portais de notícias.
- Associações do setor relatam quedas superiores a 20% na audiência de dezenas de veículos de comunicação no país.
- O Projeto de Lei 2338/2023, que prevê remuneração por direitos autorais, segue sem avanços conclusivos na Câmara.
Impacto na receita e sustentabilidade dos portais
A Associação de Jornalismo Digital (Ajor), entidade que presta suporte a mais de 150 veículos online, constatou que uma parcela significativa de suas associadas registrou perdas superiores a 20% no tráfego oriundo de ferramentas de busca. Essa retração compromete a atração de investimentos publicitários, tradicionalmente calculados com base no volume de audiência acumulada pelas páginas.
Carla Egydio, diretora de Relações Institucionais da Ajor, considera “preocupante” a queda de audiência dos portais de notícias em função dos resumos gerados por IA, destacando que a perda de leitores diretos aprofunda a vulnerabilidade financeira das empresas que dependem da exibição de anúncios. Além disso, a supressão de trechos extensos das reportagens por parte dos algoritmos pode resultar em descontextualização e prejuízos ao debate público.
O debate sobre o Marco Regulatório da IA
Enquanto o ecossistema midiático busca alternativas para mitigar as perdas, a discussão legislativa permanece travada no Congresso Nacional. O Projeto de Lei 2338 de 2023, conhecido como o Marco Regulatório da Inteligência Artificial, tramita na Câmara dos Deputados com dispositivos que exigem a compensação financeira por direitos autorais de conteúdos jornalísticos utilizados pelas plataformas tecnológicas.
Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), aponta que a resistência de grandes empresas de tecnologia tem dificultado a progressão da matéria. “O lobby das big techs é muito forte. Elas querem, para ter uma ideia, tirar toda essa parte que fala de direito autoral. Esse é os pontos que têm emperrado esse projeto na Câmara”, revelou a dirigente sindical.
Apesar da prioridade declarada pelo comando da Câmara dos Deputados no início do ano, o texto aguarda a emissão de parecer pelo relator e deve retornar à pauta de discussões somente após o período eleitoral.
Perguntas Frequentes
Como os resumos gerados por inteligência artificial afetam os portais de notícias?
As ferramentas de busca entregam respostas sintéticas diretamente na página inicial, fazendo com que o usuário deixe de clicar nos links externos. Sem o acesso às páginas, os portais perdem visualizações e receitas provenientes de publicidade digital.
O que propõe o Projeto de Lei 2338/2023 em relação ao jornalismo?
O projeto prevê que as plataformas digitais e desenvolvedoras de inteligência artificial remunerem os veículos de comunicação pelo uso de conteúdos protegidos pela Lei dos Direitos Autorais e incorporados pelos sistemas tecnológicos.
Qual é a posição das entidades representativas sobre o tema?
Organizações como a Ajor e a Fenaj alertam para riscos de descontextualização da informação e defendem a regulamentação urgente para assegurar a sustentabilidade financeira e a integridade do jornalismo profissional no país.
