O fortalecimento da atividade agrícola na Bahia passa por uma transformação profunda na mentalidade de quem cultiva a terra, unindo técnicas tradicionais a práticas modernas de administração de negócios.
Resumo rápido:
- Produtores rurais de Monte Gordo concluem capacitação focada em comportamento empreendedor.
- A iniciativa utiliza a metodologia Empretec para aprimorar a gestão de propriedades.
- Agricultores relatam mudanças expressivas na visão de mercado e na condução dos negócios.
Capacitação estratégica e gestão no campo
A adoção de novas práticas gerenciais por agricultores familiares redefine a sustentabilidade econômica das propriedades rurais na Bahia.
Realizada na sede da Coopermonte, a iniciativa coordenada pelo Sebrae estruturou uma jornada prática centrada no desenvolvimento do comportamento empreendedor entre os trabalhadores do campo. Ao longo de cinco encontros, os participantes mergulharam na metodologia do Empretec, focando em dez competências fundamentais, como iniciativa, persistência, comprometimento, planejamento, busca de informações, exigência de qualidade, independência, autoconfiança e capacidade de assumir riscos calculados. Essa imersão permitiu que cada agricultor avaliasse criticamente a forma como conduz suas atividades diárias, substituindo a intuição puramente empírica por uma postura mais estratégica e voltada para resultados de longo prazo.
O impacto prático na rotina produtiva
A aplicação de conceitos corporativos na agricultura familiar gera ganhos imediatos de eficiência operacional e identificação de oportunidades comerciais.
Para o agricultor orgânico Celestino, que cultiva em Arembepe e participou de todos os encontros, a transformação foi profunda. “Hoje posso dizer que sou dois Celestinos… um que entrou antes da capacitação e outro que está saindo com uma visão melhor de como conduzir o trabalho no campo, com uma visão mais preparada. Estou muito feliz e vou aplicar tudo que aprendi aqui para o resto da vida”, declarou. No mesmo sentido, a produtora de microverdes Carla Vanessa, cooperada da Coopermonte, destacou a relevância do suporte técnico institucional. “Foi muito bom ter esse conhecimento para todos esses agricultores, ajudou a gente a ter certeza que é possível produzir no campo e gerar valor para a produção rural. Foi muito rico e proveitoso para todos nós”, avaliou.
Competências essenciais desenvolvidas na capacitação
| Competência | Foco Prático | Objetivo na Gestão |
|---|---|---|
| Planejamento | Organização de etapas produtivas | Redução de desperdícios e custos |
| Busca de Informações | Análise de tendências de mercado | Identificação de novos nichos |
| Riscos Calculados | Avaliação de investimentos | Expansão segura da produção |
| Comprometimento | Cumprimento de prazos e acordos | Fidelização de clientes e parceiros |
A visão institucional sobre o desenvolvimento territorial
A expansão de uma cultura gerencial sólida no setor agropecuário exige articulação contínua entre entidades de apoio e comunidades locais.

A analista técnica do Sebrae Bahia e gestora do projeto de Horticultura, Andréa Eichenberger, detalhou os reflexos da formação nos agricultores locais. “O impacto na vida desses produtores foi extremamente positivo. Cada facilitador e cada característica abordada tocaram os participantes de maneira única, promovendo reflexões sobre o indivíduo, o coletivo e a comunidade em que estão inseridos. A jornada proporcionou um olhar mais atento para o autodesenvolvimento, ajudando cada participante a reconhecer suas oportunidades de melhoria, fortalecer suas competências e identificar inspirações nas experiências dos demais. Além disso, incentivou o protagonismo, mostrando que cada produtor tem o potencial de gerar transformações significativas em sua propriedade, em seu grupo e em seu território”, explicou.
O papel histórico do empreendedorismo na agricultura familiar
O cooperativismo agrário brasileiro tem passado por reestruturações profundas nas últimas décadas, impulsionado pela necessidade de profissionalização da gestão de pequenas propriedades. Historicamente, o foco do pequeno produtor limitava-se ao plantio e à colheita, enquanto a comercialização e a administração financeira ficavam à mercê de intermediários. Com a inserção de metodologias inspiradas no ambiente corporativo urbano — adaptadas para a realidade do campo —, agricultores familiares ganham autonomia para negociar diretamente com mercados consumidores, implementar controle rigoroso de insumos e garantir a viabilidade financeira de seus negócios por sucessivas gerações.
Perguntas Frequentes
O que foi a capacitação realizada em Monte Gordo?
Tratou-se de uma série de encontros baseados na metodologia do Empretec, promovidos pelo Sebrae na sede da Coopermonte, voltados ao desenvolvimento do comportamento empreendedor entre produtores rurais.
Quais competências foram trabalhadas com os agricultores?
A formação abordou dez competências essenciais, incluindo iniciativa, persistência, comprometimento, planejamento, busca de informações, exigência de qualidade, independência, autoconfiança e capacidade de assumir riscos calculados.
Como a iniciativa impacta o pequeno produtor?
A capacitação estimula uma postura mais estratégica diante do mercado, contribuindo para a tomada de decisões assertivas, aumento da produtividade e fortalecimento da sustentabilidade econômica das propriedades.
