O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), unidade da Secretaria de Promoção Social de Teixeira de Freitas, apresentou na quinta-feira (13) suas metodologias de suporte a vítimas de violência. O encontro ocorreu durante a Mesa Redonda Interdisciplinar sobre Violência contra a Mulher, reunindo estudantes e a comunidade local para discutir a prática cotidiana do serviço.
As representantes do CRAM, Onedi Alves de Souza e Juliana Almeida, detalharam como o órgão atua na identificação e no acolhimento de mulheres em situação de risco. A iniciativa buscou integrar a teoria acadêmica com a realidade dos serviços de proteção na Bahia, destacando o papel fundamental da escuta qualificada na superação de ciclos de agressão.
Resumo rápido:
- Onedi Alves de Souza e Juliana Almeida apresentam métodos do CRAM para suporte a mulheres vítimas.
- O debate reforçou a necessidade de articulação entre assistência social, saúde e justiça para proteção.
- Estudantes e comunidade de Teixeira de Freitas conheceram o fluxo de atendimento da rede municipal.
O papel do CRAM no atendimento à mulher
O atendimento à mulher no CRAM de Teixeira de Freitas não se restringe apenas a intervenções após a ocorrência da agressão. A proposta central, segundo a coordenação, é permitir que a usuária reconheça as nuances de um relacionamento abusivo e encontre suporte para romper o ciclo de violência. O trabalho técnico começa com a escuta, um processo que valida a vivência da mulher e a auxilia a tomar decisões seguras.
Durante a mesa redonda, ficou evidente que a eficácia desse serviço depende de uma abordagem humanizada. Ao receber a mulher, a equipe técnica identifica as necessidades específicas de cada caso, oferecendo orientações sobre direitos e serviços disponíveis. Essa atuação prática serve de modelo para acadêmicos, que passam a compreender como a política pública de enfrentamento à violência se materializa no dia a dia, para além dos textos legais.
Integração da rede de proteção e impacto social
A proteção integral da mulher exige uma estrutura multissetorial, já que a violência doméstica apresenta demandas complexas que superam a capacidade de um órgão isolado. O CRAM atua como um elo, conectando a mulher a serviços de:
- Assistência social e acolhimento psicossocial;
- Saúde pública para tratamento de danos físicos ou psicológicos;
- Segurança pública para garantia da integridade física;
- Atendimento jurídico para suporte legal e medidas protetivas;
- Justiça para a responsabilização dos agressores.
Essa rede de proteção, ao estar articulada, evita que a vítima fique desamparada durante o processo de saída de um ambiente violento. O CRAM, ao participar de eventos interdisciplinares, reforça a importância dessa sinergia para que os direitos previstos em lei sejam efetivamente acessíveis à população de Teixeira de Freitas.
Contexto legal: 20 anos da Lei Maria da Penha
A participação do serviço no debate ocorreu em um período simbólico, marcado pelos 20 anos da Lei Maria da Penha. A legislação brasileira é um marco no combate à violência doméstica, estabelecendo mecanismos de prevenção e punição. No entanto, o CRAM defende que a força da lei depende de estruturas municipais sólidas.
A atuação de órgãos como o CRAM preenche a lacuna existente entre o direito formal e a realidade vivida pelas mulheres. Ao promover a conscientização sobre o que constitui violência, o serviço auxilia na identificação precoce de abusos, funcionando como uma porta de entrada para que a mulher, ao se sentir acolhida, busque os encaminhamentos necessários para a sua segurança.
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Perguntas Frequentes
O CRAM de Teixeira de Freitas atua de forma isolada no combate à violência?
Não. O CRAM integra uma rede de proteção que articula assistência social, saúde, segurança pública e justiça, garantindo que a mulher receba suporte multidisciplinar.
Qual é o objetivo do atendimento à mulher realizado pelo CRAM?
O serviço visa acolher a vítima, orientá-la sobre seus direitos, auxiliar na identificação de situações de violência e realizar os encaminhamentos necessários para a rede de proteção.
A participação do CRAM na mesa redonda teve um foco apenas acadêmico?
Não. O objetivo foi aproximar estudantes e a comunidade da prática diária do serviço, mostrando como a teoria sobre direitos humanos se aplica no atendimento real às vítimas.
