O depoimento de Flávio Bolsonaro na Polícia Federal, marcado para a tarde desta terça-feira (28), não aconteceu após o parlamentar apresentar uma manifestação por escrito. Diante da ausência do senador, o Supremo Tribunal Federal acionou o Ministério Público.
O ministro Alexandre de Moraes determinou o envio imediato do caso para a Procuradoria-Geral da República. O órgão terá uma quinzena para se posicionar sobre a conduta do congressista, investigado por suposta calúnia contra o presidente Lula.
Resumo rápido:
- O senador Flávio Bolsonaro decidiu não comparecer ao depoimento presencial agendado na Polícia Federal.
- A defesa do parlamentar apresentou uma manifestação escrita e solicitou que ela substitua a oitiva presencial.
- O ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 15 dias para que a PGR avalie o caso e se manifeste sobre a recusa.
O impasse jurídico no depoimento de Flávio Bolsonaro
A oitiva estava agendada para as 14h na sede da corporação. No entanto, a defesa do parlamentar do PL do Rio de Janeiro protocolou uma petição escrita defendendo a ausência física do investigado. Os advogados argumentam que o senador tem o direito de não comparecer por figurar como investigado na apuração.
O delegado responsável pelo caso, Antônio Carlos Knoll, oficializou a ausência ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal. O policial registrou que o congressista foi devidamente notificado sobre a agenda, mas preferiu a via documental. A legislação brasileira de fato desobriga pessoas na condição de acusadas de prestarem depoimentos que possam incriminá-las.
Ao receber a comunicação da Polícia Federal, Moraes tomou a decisão de encaminhar os autos do processo de volta ao Ministério Público Federal. O magistrado destacou que, diante da clara intenção do congressista em evitar o ato presencial, cabe à PGR analisar os próximos passos. A partir do recebimento, o procurador-geral terá uma quinzena para apresentar sua manifestação jurídica.
A origem da investigação e as acusações contra o senador
O inquérito que motivou a convocação para o depoimento de Flávio Bolsonaro decorre de uma postagem realizada na rede social X. A publicação foi feita no dia 3 de janeiro deste ano, logo após a repercussão da captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelas autoridades dos Estados Unidos.
Na mensagem publicada na internet, o senador associou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a práticas criminosas graves. O texto afirmava que o chefe do Executivo brasileiro seria delatado e apontava o suposto fim do Foro de São Paulo. A postagem mencionava crimes como tráfico internacional de drogas, contrabando de armas, lavagem de dinheiro e apoio a ditaduras.
A Polícia Federal finalizou o relatório da investigação no mês passado, apontando indícios do crime de calúnia por parte do parlamentar. Os investigadores entenderam que as declarações publicadas na rede social tinham o objetivo de associar falsamente o presidente da República a atividades ilícitas de alta gravidade. O relatório final foi então encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e analisado pela Procuradoria-Geral da República.
O papel de Paulo Gonet e a possibilidade de retratação
Antes de Moraes agendar a data para o depoimento de Flávio Bolsonaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, havia se manifestado favoravelmente à realização do ato. Gonet argumentou que o depoimento presencial seria uma oportunidade processual importante para o investigado. O chefe do Ministério Público Federal indicou caminhos previstos na própria legislação penal brasileira para o encerramento do caso.
A manifestação da PGR relembrou que o senador poderia utilizar o momento da oitiva para apresentar uma retratação cabal das acusações feitas na internet. De acordo com o Código Penal, a retratação de ofensas como a calúnia tem o poder de extinguir a punibilidade do autor. Essa alternativa jurídica evitaria que o processo avançasse para uma denúncia formal e um eventual julgamento no STF.
Com a recusa do senador em comparecer pessoalmente, a estratégia de defesa foca agora na petição escrita enviada pelos advogados. Caberá à PGR decidir se aceita os termos da defesa por escrito ou se solicitará novas diligências ao ministro relator. O desfecho da apuração depende diretamente do parecer que o órgão ministerial emitirá dentro do prazo de 15 dias determinado por Moraes.
Cronologia e pontos-chave do caso de calúnia
Para compreender o andamento da investigação criminal contra o senador, confira os principais marcos do processo:
* Janeiro deste ano: Publicação de Flávio Bolsonaro na plataforma X associando Lula a crimes transnacionais após a captura de Nicolás Maduro.
* Mês passado: Conclusão do inquérito pela Polícia Federal, que indiciou o senador pelo crime de calúnia contra o presidente da República.
* Parecer da PGR: Paulo Gonet defende a realização do depoimento presencial, apontando a chance de retratação legal para evitar condenação.
* Decisão de Moraes: O ministro do STF marca o depoimento para o dia 28 de julho.
* Recusa e defesa escrita: O senador decide não comparecer pessoalmente à Polícia Federal às 14h, enviando apenas sua defesa por escrito.
* Prazo de 15 dias: Alexandre de Moraes repassa o caso à PGR para que o órgão se manifeste sobre a ausência e os próximos passos da ação.
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Perguntas Frequentes
Por que Flávio Bolsonaro não compareceu ao depoimento presencial na PF?
O senador optou por apresentar uma defesa por escrito enviada por seus advogados. Como figura na condição de investigado, a legislação brasileira garante que ele não é obrigado a depor presencialmente.
Qual postagem motivou o inquérito de calúnia contra o senador?
O caso começou após uma publicação em 3 de janeiro deste ano na rede social X, na qual Flávio Bolsonaro afirmou que Lula seria delatado e associou o presidente a crimes como tráfico de drogas, de armas e lavagem de dinheiro.
O que acontece agora com o processo no STF?
O ministro Alexandre de Moraes enviou os autos para a Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão tem o prazo de 15 dias para analisar a recusa ao depoimento e decidir se oferece denúncia, pede o arquivamento ou solicita novas medidas.

