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Doença renal crônica: falta de exames simples gera subdiagnóstico no país

Por Rafael Sampaio | Publicado em 12/08/2026 às 11:35
doença renal crônica
Divulgação MS
📖 Leitura: 5 Min🕒 Publicado: 12/08/2026 às 11:35

A falha sistêmica na solicitação de exames básicos de rotina está ocultando a real dimensão da doença renal crônica no Brasil. Uma pesquisa inédita, liderada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), revela que a falta de rastreamento adequado em pacientes de alto risco, como diabéticos e hipertensos, impede o diagnóstico precoce e empurra milhares de pessoas diretamente para a fila da terapia renal substitutiva.

  • Falta de rastreamento: Menos de 5% dos pacientes que fazem o teste de sangue passam também pela avaliação de proteína na urina, essencial para detectar a lesão renal precoce.
  • Subnotificação crítica: Embora o país registre oficialmente 170 mil pessoas em diálise, o número real de doentes graves pode ser muito superior devido à ineficiência diagnóstica.
  • Ameaça global: A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que a insuficiência renal crônica será a quinta maior causa de morte no planeta até o ano de 2040.

O gargalo do diagnóstico: por que a medicina clínica falha em detectar a doença?

Publicado no *Brazilian Journal of Nephrology*, o estudo avaliou a rotina médica de mais de 14 mil pessoas no Brasil. A pesquisa contou com a colaboração de especialistas vinculados a instituições de prestígio, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Escola Bahiana de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e a Arbor Research Collaborative for Health.

O levantamento revelou que o exame de creatinina no sangue e o teste de proteína na urina (albuminúria) raramente são solicitados em conjunto na prática clínica diária. Menos de 5% dos participantes que realizaram a dosagem de creatinina tiveram a dosagem de proteína na urina requerida pelo médico.

O cenário permaneceu crítico mesmo após uma campanha nacional de conscientização, com o índice de solicitações conjuntas subindo para meros 7%. Esse dado escancara uma resistência ou falta de hábito dos profissionais de saúde em realizar o rastreamento completo em pacientes com diabetes e hipertensão, os dois principais fatores de gatilho para a perda de função dos órgãos.

O perigo silencioso: por que os rins param de funcionar?

Os rins atuam como filtros vitais do corpo humano, responsáveis por depurar toxinas do sangue, regular a pressão arterial e produzir hormônios que controlam a produção de glóbulos vermelhos. Quando a doença renal crônica se instala, ocorre uma perda progressiva e irreversível dessa capacidade de filtragem.

Por ser uma enfermidade assintomática em seus estágios iniciais, o paciente não sente dor ou desconforto enquanto os néfrons (as unidades funcionais dos rins) são destruídos. Apenas exames laboratoriais simples conseguem flagrar o problema no início:

* Creatinina sérica: Um resíduo do metabolismo muscular que se acumula no sangue quando a filtragem renal cai.
* Albuminúria: A presença de albumina (uma proteína) na urina, que indica que os “filtros” do rim estão danificados e deixando vazar nutrientes essenciais.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o Brasil tem hoje mais de 20 milhões de pessoas convivendo com a doença — o equivalente a 10% da população. Desse total, o Censo Brasileiro de Diálise 2024 aponta que mais de 170 mil brasileiros já dependem de máquinas para sobreviver. Identificar a alteração precocemente permite adotar terapias medicamentosas e mudanças de estilo de vida que retardam ou até evitam a necessidade de hemodiálise.

Fatores de risco e como prevenir a falha renal

De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, o rastreamento ativo para a doença renal crônica deve ser prioridade absoluta para grupos específicos de risco. A prevenção e o controle estão diretamente ligados ao manejo adequado das seguintes condições:

* Diabetes (tipos 1 e 2) e hipertensão arterial;
* Obesidade (Índice de Massa Corporal superior a 30);
* Histórico familiar de insuficiência renal;
* Idosos e tabagistas;
* Pacientes com histórico de doenças cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca;
* Uso contínuo de medicamentos nefrotóxicos (como anti-inflamatórios não esteroides).

Controlar a pressão arterial, manter a glicemia sob controle, evitar a automedicação e praticar atividades físicas regulares são as principais defesas para proteger os rins antes que o dano se torne irreversível.

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Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da doença renal crônica no início?

Nos estágios iniciais, a doença é totalmente silenciosa e não apresenta sintomas. Sinais como inchaço nas pernas, urina espumosa, fadiga extrema, anemia e perda de apetite só aparecem quando os rins já perderam grande parte de sua função ativa.

Como é feito o diagnóstico precoce dos rins?

O diagnóstico é simples e feito por meio de dois exames de rotina: o exame de creatinina no sangue (para calcular a taxa de filtração dos rins) e o exame de urina para verificar a presença de perda de proteína (albuminúria). Ambos devem ser solicitados juntos para pacientes de risco.

Quem deve fazer exames para os rins todos os anos?

Pessoas com diabetes, pressão alta, obesidade, fumantes, idosos acima de 60 anos e indivíduos com histórico familiar de doença renal devem realizar o rastreamento anualmente com seu médico de confiança.


12 de agosto de 2026|Fonte: Agência Brasil|Redação: Rafael Sampaio|Fonte da Informação ↗

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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