Debates sobre a transição de modelos produtivos tradicionais para práticas sustentáveis integraram a programação voltada ao futuro dos territórios, realizada na última sexta-feira (16) no Senai Cimatec, em Salvador. O encontro ocorreu dentro da 12ª edição do Simpósio Internacional de Inovação e Tecnologia (SIINTEC) e integrou o Fórum de Inovação, Cultura e Criatividade da Bahia (FICC), organizado pelo Sebrae.
Resumo rápido:
- Fórum promovido pelo Sebrae debateu economia circular e desenvolvimento territorial em Salvador.
- Gestores e especialistas discutiram experiências de reaproveitamento de resíduos urbanos e novos modelos de negócios.
- Catadores de materiais recicláveis participaram das reflexões sobre educação ambiental e tecnologia.
Desafios e perspectivas para o reaproveitamento produtivo
A transição para matrizes produtivas regenerativas exige uma mudança estrutural na forma como a sociedade lida com o descarte de materiais. Durante os painéis realizados na capital baiana, especialistas apontaram que o redesenho de produtos e a extensão de sua vida útil são pilares centrais para reduzir a pressão sobre os recursos naturais.
O gerente da Unidade de Negócios do Sebrae Bahia, Antônio Carlos Borges, apontou o direcionamento estratégico dado aos debates no evento.
“Durante o SIINTEC, onde se fala sobre o clima, a sustentabilidade e o futuro e a energia, a gente traz como tema economia circular e economia criativa. Esses dois dias foram muito importantes, porque trabalhamos na busca da transformação de processos, da transformação de pessoas e para a melhoria de um ambiente sustentável. E dentro dessa constelação de painéis, nós trouxemos várias estrelas, que trabalham tanto com a economia circular como criativa, para apresentar para vocês conhecimentos e experiências. Assim, criamos um ambiente favorável, com as parcerias, e com visão de transformar esse projeto em uma nova economia portadora de futuro”
destacou
A engenheira química Beatriz Luz detalhou que o conceito vai além da simples reciclagem de detritos, abrangendo o reuso e a reparação.
“A economia circular cria novos ciclos para manter e agregar valor através do reuso, do conserto e, no finalzinho, da reciclagem, assim ela não gera valor, porque tudo é redesenhado para trazer novo equilíbrio econômico”
afirmou
Ela citou exemplos tecnológicos variados, como o emprego de copos reutilizáveis, a transformação da casca de laranja em fibra têxtil, a fabricação de tijolos a partir de resíduos de conchas de sururu e o compartilhamento de bicicletas, ressaltando a necessidade de enxergar o tema como um plano de estado e uma ação multissetorial voltada à competitividade.
Experiências municipais e gestão de resíduos sólidos
A aplicação prática de políticas públicas voltadas ao aproveitamento de descartes foi ilustrada por iniciativas de municípios de médio porte. O tratamento de detritos urbanos e a busca por soluções tecnológicas para diminuir o volume destinado a aterros licenciados integraram as trocas de experiências institucionais.
O prefeito de Maringá, Silvio Barros, abordou a realidade de seu município, que possui 420 mil habitantes e gera cerca de 400 toneladas diárias de resíduos direcionados a um aterro.
“O mundo produz uma quantidade de lixo muito grande para que o planeta possa suportar. Por isso devemos pensar como fazer com que o resíduo gerado seja útil”
pontuou
Barros relatou a criação do Programa Maringá Lixo Zero, implementado por meio de edital para selecionar empresas com soluções baseadas em modelos circulares. O gestor também manifestou o objetivo de transformar a cidade em um polo de visitação para administradores públicos interessados em replicar metodologias de destinação correta de materiais até o final do ano seguinte.

A visão de quem atua na coleta e na triagem
A perspectiva de trabalhadores e cooperativas que lidam cotidianamente com a triagem de materiais recicláveis trouxe um contraponto prático às discussões teóricas apresentadas por gestores e especialistas institucionais.
Valdenei de Oliveira, presidente e catador da Associação de Catadores e demais Metais de Material Reciclável do Território do Sisal, com atuação em Ichu, destacou o aprendizado voltado à educação ambiental.
“Em relação ao prefeito de Maringá, considerei interessante a ideia do minhocário porque qualquer município pode aderir e pode ser usado nas escolas, que foi o foco principal mostrado, para ensinar a educação ambiental as crianças mostrar como dar um destino final ao lixo orgânico”
apontou
Por sua vez, Nildo Jose da Silva, presidente da cooperativa VerdeCoop, situada em Entre Rios, no Litoral Norte, avaliou a importância da transição entre os modelos produtivos.
“Pensei no dia a dia do trabalho que fazemos da coleta seletiva dos materiais, do deslocamento até a unidade para triar, prensar e levar até a indústria. Acredito que seja possível buscar novas tecnologias, para não ficar só na captação, mas transformar esses resíduos em novas matérias primas nas nossas unidades”
relatou
Perguntas Frequentes
Onde foi realizado o fórum sobre economia circular?
O evento ocorreu no Senai Cimatec, localizado em Salvador, como parte da 12ª edição do Simpósio Internacional de Inovação e Tecnologia (SIINTEC) e do FICC Bahia 2026.
Quais foram as principais iniciativas citadas durante o evento?
Foram abordados o Programa Maringá Lixo Zero, exemplos de tecnologias de reaproveitamento de resíduos — como fibras têxteis de casca de laranja e tijolos feitos com conchas de sururu — e práticas de educação ambiental voltadas para escolas.
Quais instituições e entidades participaram dos debates?
O fórum contou com a promoção do Sebrae Bahia, a participação do Senai Cimatec, da Prefeitura de Maringá, do Instituto Brasileiro de Economia Circular (IBEC), além de associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis.


