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El Niño muito forte tem 95% de chance e altera clima no país

Por Rafael Sampaio | Publicado em 23/08/2026 às 08:00
El Niño
Joédson Alves/Agência Brasil
📖 Leitura: 5 Min

As águas do Oceano Pacífico registram um aquecimento acelerado que eleva para 95% a probabilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade severa a partir de setembro, conforme dados divulgados recentemente pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Resumo rápido:

  • Probabilidade de um El Niño muito forte atinge 95% a partir de setembro.
  • Fenômeno pode ser o mais intenso desde 1950, com duração prevista até o início de 2027.
  • Efeitos variam desde chuvas excessivas no Sul até ondas de calor e riscos de incêndios no país.

Entenda o que é o fenômeno climático

O El Niño consiste em um fenômeno oceânico e atmosférico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais no setor leste e central do Oceano Pacífico equatorial, alterando os padrões de circulação do vento e de umidade em todo o planeta.

A meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Anete Fernandes, detalha como a classificação da intensidade é realizada tecnicamente pelos centros de monitoramento. “O que que é um El Niño forte? A partir de meio grau acima da média, nós temos já um El Niño. Se tá de meio a um grau, eu tenho um El Niño fraco a moderado. Se eu tenho de um a dois graus, eu tenho um El Niño moderado. A partir de dois graus, eu tenho um El Niño forte. E qual que é o problema de um El Niño forte? Os efeitos dele são potencializados, são intensificados. Existe 95% de ser um El Niño Muito Forte. Se isso acontecer, tem que ficar atento às notícias”, alertou a especialista.

A permanência do padrão climático deve se estender pelo menos até o início de 2027, conforme apontam os boletins técnicos emitidos por órgãos federais especializados no acompanhamento de riscos e desastres ambientais.

Impactos nas regiões brasileiras e na agricultura

A distribuição de chuvas e as temperaturas no país sofrem alterações drásticas durante episódios de aquecimento intenso do Pacífico, gerando cenários distintos para a economia e para a produção agrícola em diferentes estados.

Região Impacto Esperado Setor Afetificado
Sul Chuvas acima da média e excesso hídrico Lavouras, colheita e proliferação de fungos
Centro-Norte Precipitações abaixo da média Recursos hídricos e umidade do solo
Norte, Nordeste e Centro-Oeste Condições favoráveis para colheitas Milho de segunda safra e algodão
Sudeste Benefício para lavouras de inverno e calor Produção agrícola e risco de incêndios

Enquanto as lavouras de milho de segunda safra e de algodão nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste encontram perspectivas positivas, o Sul enfrenta o desafio do excesso de chuvas, o que pode paralisar trabalhos de campo e elevar a incidência de doenças fúngicas nas plantações. Além disso, as temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do território nacional durante o segundo semestre, aumentando o risco de ondas de calor e de incêndios florestais.

Como a população deve se proteger e buscar informações

Diante de previsões que apontam eventos extremos, a verificação de fontes confiáveis é indispensável para evitar o pânico gerado por boatos e notícias falsas compartilhadas em redes sociais.

Para obter orientações precisas, Anete Fernandes reforça a necessidade de acompanhar os canais oficiais de comunicação. “Seguir os veículos de comunicação que tão fazendo um bom trabalho em relação à divulgação desse evento. Em caso de dúvida, de alguma notícia catastrófica ou exagerada que ver, procurar os institutos oficiais de informação, tá? O INMET, o CPTEC, o CEMADEN, tá? O INPE, que são as informações ou Serviço Geológico Nacional, que são as instituições que acompanham diariamente a evolução do episódio”, pontuou a meteorologista do Inmet.

O cidadão deve adotar medidas preventivas básicas em períodos de calor extremo e baixa umidade, como a hidratação constante, evitar queimadas para limpeza de terrenos e acionar a Defesa Civil municipal em caso de temporais severos ou riscos de alagamentos.

Perguntas Frequentes

O que determina a intensidade de um El Niño?

A intensidade é medida com base no desvio da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico em relação à média histórica. Variações entre 0,5°C e 1,0°C indicam eventos fracos a moderados, enquanto desvios superiores a 2,0°C caracterizam um evento forte, capaz de potencializar impactos climáticos globais.

Quanto tempo deve durar este episódio de El Niño?

De acordo com os prognósticos de agências internacionais como a NOAA e de órgãos federais brasileiros, o fenômeno climático deve permanecer ativo e influenciar o regime de chuvas e temperaturas pelo menos até o início de 2027.

Quais instituições oficiais consultar sobre o clima?

A população deve buscar dados diretamente em órgãos governamentais de monitoramento, como o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), o CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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