Bahia

Rede de proteção infantil avança com debate sobre Família Acolhedora na Bahia

Por Fábio Silva | Publicado em 23/09/2026 às 00:08
Família Acolhedora
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📖 Leitura: 5 Min

A articulação de políticas públicas voltadas para menores vulneráveis ganhou novo fôlego com a mobilização de gestores municipais e operadores sociais em torno da Família Acolhedora, iniciativa que visa transformar o modelo de abrigamento institucional na região sudoeste e sul baiana.

Resumo rápido:

  • Ministério Público debateu a implantação do serviço Família Acolhedora e diretrizes de proteção infantil.
  • Evento reuniu mais de 100 profissionais de educação, saúde e assistência social na Bahia.
  • Novos fluxos de atendimento visam amparar crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.

O desafio da desinstitucionalização e o acolhimento familiar

A estruturação de redes municipais capazes de retirar crianças de abrigos institucionais e inseri-las temporariamente em lares cadastrados representa um dos maiores desafios para os municípios brasileiros. O Encontro Regional Família Acolhedora e Escuta Protegida, realizado em Livramento de Nossa Senhora, reuniu mais de 100 pessoas, incluindo secretários municipais e profissionais de saúde, educação e assistência social.

O evento foi conduzido pela promotora de Justiça Ana Luíza de Oliveira, atuante na comarca local, em parceria com o promotor de Justiça Millen Castro, cogerente do Projeto Tecendo o Amanhã, do Centro de Apoio Operacional da Criança e do Adolescente (Caoca), e titular de Itapetinga, cidade onde a modalidade já funciona. Durante as palestras, foram debatidas as vantagens do programa em comparação aos abrigos tradicionais, além de temas correlatos como guarda subsidiada e apadrinhamento afetivo.

Como funciona a rede de proteção e a Escuta Protegida

A implantação do serviço de Escuta Protegida exige a criação de um fluxo intersetorial rigoroso para evitar a revitimização de menores em situações de violência.

O estabelecimento de diretrizes padronizadas assegura que depoimentos de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas sejam colhidos por profissionais capacitados, reduzindo o trauma decorrente do processo de investigação e atendimento psicológico. A metodologia segue as normativas do plano de ação formulado pelo Caoca, integrando as secretarias municipais para uma resposta estatal mais célere e humanizada.

Participação regional e integração de municípios

A mobilização territorial envolveu diversas localidades circunvizinhas, ampliando o alcance das discussões para além da sede da comarca.

Família Acolhedora
Ministério Público da Bahia (MPBA)

Estiveram presentes representantes, gestores e técnicos dos municípios de Malhada de Pedras, Brumado, Paramirim, Tanque Novo, Caturama, Aracatu e Botuporã. O suporte logístico e a ampla divulgação da atividade ficaram a cargo do Centro de Apoio Operacional, reforçando o papel indutor do Ministério Público na articulação intermunicipal para o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Panorama histórico do acolhimento familiar no Brasil

Historicamente, o sistema de proteção à infância no Brasil dependeu de grandes abrigos institucionais, modelo que frequentemente falha em proporcionar o desenvolvimento afetivo individualizado necessário nos primeiros anos de vida. Nas últimas décadas, a legislação evoluiu para priorizar o direito à convivência familiar e comunitária, elevando o acolhimento familiar a uma diretriz prioritária de política pública. Contudo, a transição esbarra em barreiras orçamentárias e na escassez de equipes técnicas municipais dedicadas exclusivamente a cadastrar, capacitar e acompanhar os lares voluntários.

Consequências práticas para a gestão municipal

A adoção efetiva dessas diretrizes impõe aos governos locais a reestruturação dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e a formalização de leis municipais específicas para regulamentar os subsídios e critérios de seleção das famílias guardiãs. Sem essa infraestrutura administrativa prévia, o programa corre o risco de permanecer apenas no papel, sem capacidade operacional para absorver as demandas oriundas do sistema de justiça e dos conselhos tutelares.

Perguntas Frequentes

O que é o serviço de Família Acolhedora?

Trata-se de um serviço que cadastra e capacita famílias da comunidade para receber em suas casas, temporariamente, crianças e adolescentes que se encontram em situação de vulnerabilidade social e afastados de suas famílias de origem por medida protetiva.

Qual é o objetivo do programa Escuta Protegida?

O programa visa estruturar um fluxo de atendimento humanizado e integrado para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, evitando a revitimização durante os processos de oitiva e acompanhamento institucional.

Quais municípios participaram do encontro regional na Bahia?

O evento reuniu gestores e profissionais de Livramento de Nossa Senhora, Malhada de Pedras, Brumado, Paramirim, Tanque Novo, Caturama, Aracatu e Botuporã.

Fábio Silva
Escrito por
Editor de Municípios

Com 32 anos de experiência sólida na radiodifusão, Fábio é o jornalista dedicado a dar voz e visibilidade aos municípios baianos. Conhecedor profundo da realidade regional, ele é o responsável por cobrir os principais acontecimentos, o cotidiano e o desenvolvimento das cidades do interior e da capital. Tendo atuado diretamente em polos como Feira de Santana, Jequié, Serra do Ramalho e Salvador, Fábio produz matérias que conectam os desafios e as conquistas locais ao interesse público. Além da apuração rigorosa no jornalismo municipal, ele aplica sua expertise para garantir que as notícias de cada canto da Bahia alcancem destaque e projeção nacional.

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