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Geledés lança guia inédito para ampliar acesso a políticas de cuidado

Por Rafael Sampaio | Publicado em 27/09/2026 às 10:47
políticas de cuidado
Frame/TV Brasil
📖 Leitura: 6 Min

Milhões de trabalhadoras que sustentam diariamente a base invisível da infraestrutura social brasileira ganham agora um instrumento prático de orientação burocrática, voltado para desatar os nós do acesso a direitos fundamentais por meio de uma publicação inédita focada nas políticas de cuidado.

Resumo rápido:

  • Geledés lança guia prático sobre políticas de cuidado no Brasil.
  • Manual ensina o passo a passo para acessar SUS digital, sougov.br e benefícios.
  • Iniciativa visa dar visibilidade e amparo legal a cuidadoras remuneradas e não remuneradas.

O labirinto burocrático e a invisibilidade histórica

O acesso a direitos básicos de assistência social exige superação de barreiras documentais complexas que historicamente afastam populações vulneráveis dos programas estatais, tornando indispensável a criação de ferramentas educacionais simplificadas para orientar o cidadão comum.

O peso da manutenção da vida nos lares brasileiros recai desproporcionadamente sobre os ombros de mulheres negras e periféricas, cuja dedicação diária permanece historicamente invisibilizada pelos marcos econômicos tradicionais. O Geledés – Instituto da Mulher Negra pontua em seu levantamento que essa parcela populacional cumpre jornadas exaustivas sem o devido respaldo institucional ou contrapartida financeira compatível com a relevância do serviço prestado.

Para reverter esse quadro de marginalização sistêmica, o novo manual estruturado pela organização detalha os procedimentos elementares exigidos pelo poder público. Entre as orientações práticas, o leitor encontra desde a lista rigorosa de documentos comprobatórios até tutoriais sobre como navegar pelo portal sougov.br, emitir certidões e utilizar as ferramentas do SUS digital sem depender de intermediários.

A divisão entre o trabalho remunerado e a dedicação familiar

A categorização das atividades de suporte revela realidades distintas que exigem respostas específicas do Estado, separando profissionais contratadas de familiares que assumem o encargo sem remuneração.

O ecossistema do setor divide-se formalmente entre profissionais contratadas — a exemplo de empregadas domésticas, babás, cuidadoras de idosos ou de pessoas acamadas, além de educadores sociais — e a imensa massa de trabalhadoras não remuneradas. Este segundo grupo agrupa mães, filhas, avós e líderes comunitárias que sacrificam oportunidades de inserção econômica para cuidar de parentes e vizinhos enfermos ou em situação de vulnerabilidade extrema.

Segundo dados reforçados pela representação da ONU Mulheres no Brasil por meio da porta-voz Gallianne Palayret, as brasileiras dedicam quase dez horas semanais a mais do que os homens a essa rotina de suporte. A manifestação institucional sintetiza a gravidade do problema ao afirmar: “São 10 horas que não sobram para estudar, para trabalhar, para participar da vida pública. Por isso, a política de cuidado é também uma política de democracia”.

O panorama normativo e as categorias atendidas

A sanção recente da lei estruturante em dezembro de 2024 abriu caminho para novas diretrizes públicas, embora o desafio de capilarizar o atendimento às parcelas mais vulneráveis da população continue imenso.

A infraestrutura do manual lançado pelo Geledés – Instituto da Mulher Negra contempla recortes demográficos específicos para blindar grupos historicamente vulnerabilizados contra a exclusão social. A publicação segmenta as diretrizes em quatro eixos principais voltados para crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência e os próprios operadores do setor.

Adicionalmente, o documento dedica capítulos a públicos sob extrema vulnerabilidade, como mães-solo, famílias em situação de pobreza extrema, indivíduos em privação de liberdade e seus respectivos familiares. O amparo estende-se também a parentes de vítimas de feminicídio, comunidades tradicionais como indígenas e quilombolas, e imigrantes que buscam regularização no território nacional.

Categoria Atendida Perfil Principal Desafio Identificado
Trabalhadoras Remuneradas Domésticas, babás, cuidadoras Precarização e falta de garantias trabalhistas
Trabalhadoras Não Remuneradas Mães, filhas, avós, vizinhas Exaustão física sem retribuição financeira
Grupos de Vulnerabilidade Mães-solo, quilombolas, imigrantes Dificuldade extrema de acesso a documentos e benefícios
Órfãos de Feminicídio e Familiares Dependentes e parentes diretos Rompimento abrupto da rede de suporte socioeconômico

O papel transformador da sociedade civil na reconstrução social

A articulação de entidades organizadas preenche lacunas históricas deixadas pela ausência de políticas públicas estruturadas de longa data, mobilizando a sociedade em torno da dignidade humana.

A fala da Coordenadora de Formação, Cuidado e Emancipação do Geledés, Nilza Iraci, ressalta o caráter comunitário da iniciativa ao declarar: “Vamos celebrar as conquistas coletivas e refletir sobre os caminhos para o fortalecimento de políticas de cuidado que reconheçam as realidades, os saberes e as demandas das mulheres negras”. Essa perspectiva evidencia que a luta por direitos básicos transcende a mera concessão de auxílios financeiros, exigindo uma mudança cultural profunda na forma como o país enxerga o trabalho humanitário e a assistência mútua.

Perguntas Frequentes

O que é o guia lançado pelo Geledés?

Trata-se de um manual prático e didático desenvolvido pelo Instituto da Mulher Negra para orientar a população sobre como acessar direitos, documentos e programas estatais voltados para quem exerce o trabalho de cuidado.

Quem são considerados trabalhadores do cuidado não remunerados?

São principalmente mulheres — como mães, filhas, avós e líderes comunitárias — que dedicam tempo integral ao suporte de familiares e vizinhos doentes ou dependentes sem receber qualquer tipo de remuneração financeira.

Quando foi instituída a Política Nacional de Cuidados no Brasil?

A legislação que estabelece formalmente a Política Nacional de Cuidados no país foi sancionada em dezembro de 2024, buscando criar diretrizes para a ampliação de creches e lares de acolhimento para idosos.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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