Bahia

Jequié capacita servidores públicos para o acolhimento LGBT nas unidades

Jequié, Bahia
Por Fábio Silva | Publicado em 25/09/2026 às 18:13
acolhimento LGBT
Prefeitura de Jequié
📖 Leitura: 6 Min

A garantia de direitos fundamentais e a superação de barreiras institucionais motivaram a Secretaria de Desenvolvimento Social de Jequié a realizar uma formação voltada para qualificar o atendimento à população LGBT na rede socioassistencial do município, mobilizando equipes administrativas e de recepção para o respeito à dignidade humana.

Resumo rápido:

  • Prefeitura de Jequié promoveu formação sobre acolhimento LGBT na rede socioassistencial.
  • Inativação integra mobilização da Lei Municipal nº 2.163/2021 contra a LGBTfobia.
  • Encontro contou com palestra acadêmica e debate sobre atendimento humanizado no SUAS.

O Compromisso com a Cidadania e a Diversidade na Bahia

A consolidação de serviços públicos igualitários exige capacitação contínua das equipes que mantêm contato direto com o público nos equipamentos sociais. O encontro formativo promovido pela gestão municipal na Bahia abordou o respeito estrito à identidade de gênero e à orientação sexual de cada cidadão, buscando erradicar práticas discriminatórias no cotidiano institucional.

Estiveram presentes profissionais encarregados da recepção e das demandas administrativas, além do gestor do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), Emerson Nery, representando a titular da pasta, Patrícia Miranda Brandão Santana. A presença de servidores da linha de frente evidencia o foco estratégico da iniciativa: transformar a experiência do atendimento diário para que o acesso aos programas sociais ocorra sem barreiras invisíveis decorrentes do preconceito.

Como Funciona a Rede Socioassistencial no Atendimento à População

A rede socioassistencial brasileira é estruturada para atender às demandas de vulnerabilidade social de toda a cidadania, utilizando diretrizes de universalidade e equidade. Na prática, equipamentos como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) atuam como portas de entrada para programas de transferência de renda, apoio psicológico e orientação jurídica.

Quando esses espaços recebem formações específicas sobre diversidade de gênero e sexualidade, o objetivo técnico é desconstruir vieses inconscientes que frequentemente afastam minorias dos serviços públicos. O atendimento humanizado pressupõe o uso do nome social, a escuta qualificada sem julgamentos morais e a compreensão de que identidades marginalizadas enfrentam barreiras estruturais complexas no acesso a direitos básicos, exigindo uma postura ativa e acolhedoramente técnica por parte de assistentes sociais, psicólogos e recepcionistas.

Elemento da Formação Detalhe Institucional Papel na Estrutura
Órgão Responsável Secretaria de Desenvolvimento Social Gestão e formulação das políticas públicas locais
Marco Legal Lei Municipal nº 2.163/2021 Institucionalização do Dia Municipal da Luta contra a LGBTQI+Fobia
Convidado Especial Professor Doutor Marcos Lopes (UESB) Condução da palestra sobre diversidade de gênero
Público-Alvo Equipes administrativas e de recepção Profissionais da linha de frente do atendimento

O Histórico das Políticas de Combate à LGBTfobia em Âmbito Municipal

A criação de legislações específicas e datas no calendário oficial dos municípios brasileiros representa um avanço gradual na institucionalização dos direitos humanos fora dos grandes eixos metropolitanos. Historicamente, cidades do interior nordestino enfrentavam uma lacuna expressiva na formulação de políticas públicas voltadas especificamente para a população LGBT, concentrando os debates quase exclusivamente em capitais.

A promulgação da Lei Municipal nº 2.163/2021 em Jequié marcou uma inflexão nesse panorama ao inserir institucionalmente o combate à LGBTfobia na agenda oficial da cidade. Desde então, iniciativas que antes dependiam exclusivamente do ativismo de organizações da sociedade civil passaram a contar com respaldo normativo municipal, permitindo que secretarias de assistência social utilizassem recursos técnicos, acadêmicos e administrativos para promover letramento em direitos humanos entre seus próprios servidores.

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Prefeitura de Jequié

Impacto Prático na Vida do Cidadão e Redução de Barreiras

A qualificação dos servidores que operam a recepção dos equipamentos públicos gera um efeito cascata imediato na redução da evasão institucional de pessoas LGBT em situação de vulnerabilidade. Muitas vezes, o medo do constrangimento, da discriminação explícita ou do uso incorreto do nome social funciona como um fator de exclusão tão grave quanto a própria pobreza material, impedindo que o cidadão busque benefícios assistenciais urgentes.

Ao debater conceitos como diversidade de gênero e atendimento igualitário sob a tutoria de especialistas acadêmicos — como a contribuição do professor Marcos Lopes, vinculado à Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) —, a gestão municipal fornece ferramentas práticas para que a recepção deixe de ser um espaço de barreira burocrática e simbólica, transformando-se em um ambiente seguro de acolhimento e escuta qualificada.

A Importância do Letramento Institucional para Servidores Públicos

O papel das universidades públicas estaduais e federais na interlocução com as gestões municipais demonstra a relevância da produção de conhecimento aplicada à realidade local. A cooperação entre a administração pública e o meio acadêmico valida cientificamente a urgência de debates que, por vezes, sofrem resistência cultural em comunidades tradicionais. A atuação da Secretaria de Desenvolvimento Social ao trazer o debate para dentro da estrutura burocrática comprova que o letramento de servidores é uma exigência técnica de eficiência e legalidade, e não apenas uma pauta ideológica.

Perguntas Frequentes

Qual é o objetivo principal da roda de conversa promovida em Jequié?

A iniciativa teve como foco principal fortalecer o acolhimento da população LGBT nos equipamentos da rede socioassistencial, promovendo o atendimento humanizado, o respeito à dignidade e a superação de preconceitos no cotidiano dos serviços públicos.

Qual legislação fundamenta a realização deste tipo de ação no município?

A mobilização está amparada na Lei Municipal nº 2.163/2021, que institui o Dia Municipal da Luta contra a LGBTQI+Fobia no calendário oficial da cidade, celebrado anualmente no terceiro domingo de setembro.

Quem participou da formação técnica realizada pela Secretaria de Desenvolvimento Social?

Estiveram presentes profissionais das equipes administrativas e de recepção das unidades socioassistenciais, o gestor do SUAS, Emerson Nery, e o professor doutor Marcos Lopes, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), que ministrou a palestra principal.

Fábio Silva
Escrito por
Editor de Municípios

Com 32 anos de experiência sólida na radiodifusão, Fábio é o jornalista dedicado a dar voz e visibilidade aos municípios baianos. Conhecedor profundo da realidade regional, ele é o responsável por cobrir os principais acontecimentos, o cotidiano e o desenvolvimento das cidades do interior e da capital. Tendo atuado diretamente em polos como Feira de Santana, Jequié, Serra do Ramalho e Salvador, Fábio produz matérias que conectam os desafios e as conquistas locais ao interesse público. Além da apuração rigorosa no jornalismo municipal, ele aplica sua expertise para garantir que as notícias de cada canto da Bahia alcancem destaque e projeção nacional.

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