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Mobilidade social no Brasil trava e depende de gênero e raça

Por Rafael Sampaio | Atualizado em 31/07/2026 às 06:26
mobilidade social
Tânia Rêgo/Agência Brasil
📖 Leitura: 4 Min🕒 Publicado: 31/07/2026 às 06:26

A mobilidade social no Brasil permanece fortemente condicionada por fatores como gênero, raça e origem familiar, conforme aponta o Atlas da Mobilidade Social. Divulgada nesta sexta-feira (31), a plataforma pública foi desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social em parceria com o grupo de pesquisa Prospera Lab.

Entre jovens brancos nascidos no quartil mais pobre da distribuição de renda, 36,3% continuam no mesmo estrato na idade adulta. Entre os não brancos, o índice salta para 51,6%, evidenciando o peso da questão racial na perpetuação das desigualdades econômicas.

Resumo rápido:

  • Atlas da Mobilidade Social aponta gênero, raça e origem familiar como principais travas para ascensão.
  • Metade dos jovens não brancos na base da pirâmide permanece pobre na vida adulta.
  • Educação e investimento regional aparecem como chaves para tentar romper o ciclo de desigualdade.

O peso da origem familiar e da raça

O levantamento detalha que filhos de pais situados entre os 25% mais pobres enfrentam uma probabilidade de 48% de permanecerem na mesma faixa de renda ao crescerem. Romper esse ciclo exige saltos expressivos que poucos alcançam.

Apenas 8,32% conseguem atingir o grupo dos 25% mais ricos, enquanto somente 1,28% chegam ao topo da pirâmide, integrando o estrato dos 10% com maior renda nacional. Em contrapartida, nascer em lares abastados garante maior permanência no topo: 56,5% dos filhos de famílias ricas continuam nesse patamar na vida adulta.

As disparidades se aprofundam quando o recorte de gênero é cruzado com o racial. Enquanto 32,9% dos homens oriundos de famílias pobres permanecem na base, o índice entre as mulheres chega a 65,1%. Quando o recorte foca em mulheres não brancas, a proporção de permanência na pobreza atinge 69%, contra 52,9% entre as mulheres brancas.

Obstáculos intergeracionais e barreiras regionais

Ao comparar gerações nascidas entre 1983 e 1987 com aquelas de 1988 a 1990, a pesquisa identifica uma estabilidade rígida nas oportunidades. A chance de ascensão dos filhos aos 25% mais ricos passou de 7,9% para 8,8% entre os mais pobres, revelando lentidão nas mudanças estruturais.

* Maiores taxas de mobilidade social concentram-se no Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste.
* Regiões Norte e Nordeste registram os maiores índices de reprodução da pobreza entre gerações.
* O município de Assis Brasil (AC) apresenta 84,4% de permanência na pobreza, enquanto Ponte Serrada (SC) registra apenas 2,13%.

As disparidades territoriais refletem a urgência de ações direcionadas. “A mobilidade social depende da capacidade de reduzir as desigualdades de origem. O Atlas mostra que políticas educacionais são fundamentais, mas precisam ser acompanhadas de estratégias econômicas capazes de ampliar oportunidades ao longo da vida”, afirmou o presidente do Imds, Paulo Tafner.

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Educação como motor de transformação

Entre as variáveis analisadas, a educação destacou-se como o vetor mais potente para impulsionar a mobilidade social ascendente. Cidades com melhores notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e menor distorção idade-série apresentam cenários mais favoráveis para a superação da vulnerabilidade econômica.

Com base metodológica ancorada no artigo acadêmico Intergenerational Mobility in the Land of Inequality, o estudo utilizou registros administrativos da Receita Federal, de ministérios e de pesquisas domiciliares para mapear o cenário brasileiro com rigor técnico.

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Perguntas Frequentes

O que é o Atlas da Mobilidade Social?

É uma plataforma pública desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social em parceria com o grupo de pesquisa Prospera Lab para mapear a ascensão socioeconômica no Brasil.

Quais fatores mais influenciam a baixa mobilidade social?

Segundo o estudo, gênero, raça e origem familiar são os principais condicionantes que mantêm jovens na faixa de extrema pobreza.

Qual região do país apresenta maior persistência da pobreza?

Os municípios localizados nas regiões Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de permanência das famílias na base da distribuição de renda.


31 de julho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil|Redação: Rafael Sampaio|Fonte da Informação ↗

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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