A cena musical brasileira perdeu uma de suas vozes mais marcantes da década de 1990 com a morte de Netinho, confirmada na terça-feira (13) em Salvador. O artista baiano tinha 60 anos e estava internado há cerca de 13 dias no Hospital Aliança Star, em decorrência de complicações graves causadas por um câncer no sistema linfático.
Resumo rápido:
- O cantor Netinho faleceu aos 60 anos em Salvador por complicações de um linfoma.
- Acometido por falência renal, o artista estava internado há 13 dias na capital baiana.
- As cerimônias de despedida serão restritas a familiares e amigos, conforme pedido do cantor.
Causa da morte e internamento em Salvador
O falecimento do cantor ocorreu após o agravamento de um linfoma não Hodgkin, diagnosticado originalmente em março de 2025. Segundo informações divulgadas pela equipe do artista, a neoplasia apresentou um retorno mais agressivo em maio deste ano, evoluindo para um quadro severo de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A internação no Hospital Aliança Star durava quase duas semanas. O músico já havia se afastado das plataformas digitais e da rotina pública para focar inteiramente em seu processo de reabilitação física. Em nota oficial, a assessoria descreveu o baiano como um *”artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador”*, ressaltando sua contribuição para a cultura e a alegria transmitida em suas apresentações.
As etapas e o impacto do linfoma não Hodgkin
O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer com origem no sistema linfático, estrutura essencial para as defesas do organismo. A doença surge quando os linfócitos, células encarregadas de proteger o corpo contra infecções, passam a se multiplicar de forma desordenada e anormal, podendo formar tumores em diferentes gânglios e espalhar-se por outros órgãos.
Os sintomas variam de acordo com a localização do tumor. No caso de Netinho, a busca por atendimento médico ocorreu em março de 2025 devido a dores intensas nas pernas, que levaram aos exames e à confirmação do diagnóstico. A partir desse momento, o artista passou a compartilhar abertamente os desdobramentos de sua rotina de tratamento com o público.
Homenagens e despedida reservada
Por determinação expressa deixada pelo próprio músico, o velório e a cremação ocorrerão de maneira estritamente reservada, com presença limitada aos parentes e amigos do círculo íntimo. A equipe de comunicação não detalhou a data exata dos ritos de despedida e solicitou à imprensa e aos fãs a preservação do momento de luto da família.
A trajetória pessoal e profissional de Netinho reflete a consolidação da música baiana em escala nacional e internacional durante o fim do século XX:
| Período / Data | Evento na Trajetória de Netinho |
|---|---|
| 12/07/1966 | Nascimento em Santo Antônio de Jesus (BA) |
| 1988 | Estreia na Banda Beijo com o sucesso *Beijo na Boca* |
| 1993 | Início da carreira solo |
| 1996 | Lançamento da música *Mila*, grande marco do axé |
| Março de 2025 | Diagnóstico inicial de linfoma não Hodgkin |
| Maio de 2026 | Recidiva agressiva da doença |
| Terça-feira (13) | Confirmação do falecimento em Salvador |
Da infância no Recôncavo Baiano ao sucesso global
Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 12 de julho de 1966, o cantor mudou-se para a capital baiana aos 10 anos. O interesse pelo universo musical começou aos 14 anos, quando ganhou um violão de sua mãe. Embora tenha ingressado no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal) aos 16 anos, sua vocação o levou para as apresentações na noite soteropolitana, onde cantava MPB e bossa nova.
A ascensão no axé music ganhou força em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo no Carnaval de Salvador, projetando-se com a canção *Beijo na Boca*. Em 1993, deu início à trajetória solo, alcançando o ápice comercial em 1996 com a gravação de *Mila*. A música tornou-se um fenômeno de execução e projetou a imagem do artista para além do Brasil, resultando em turnês por países como Itália e Chile.
Fora dos palcos, o cantor atuou no setor empresarial da indústria fonográfica. Ele montou um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, estrutura que atendeu nomes como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. O baiano também criou um selo próprio focado em revelar novos talentos locais. No campo pessoal, foi casado entre 1997 e 2003 com a jornalista Mariana Trindade, união da qual nasceu sua filha, Bruna Trindade.
O legado do axé e o encerramento de um ciclo
A morte de Netinho reforça a dimensão do axé music como patrimônio cultural e econômico projetado a partir da Bahia para o mundo. O cantor integrou a geração de intérpretes que transformou os trios elétricos de Salvador em uma indústria de entretenimento de massa, capaz de impactar o turismo e a cadeia criativa regional. O desfecho de sua batalha contra o linfoma encerra um ciclo marcado pela expansão do gênero nos anos 1990, mantendo sua obra como referência histórica do ritmo baiano.
Perguntas Frequentes
Qual foi a causa da morte do cantor Netinho?
O artista faleceu em decorrência de complicações de um linfoma não Hodgkin, que provocou falência renal e disfunção múltipla de órgãos durante sua internação em Salvador.
Onde e quando ocorrerão o velório e o sepultamento?
As cerimônias de velório e cremação serão reservadas exclusivamente a familiares e amigos próximos, atendendo a um pedido feito pelo próprio cantor. A data do rito não foi divulgada publicamente.
Quais foram as músicas de maior sucesso da carreira do artista?
Netinho projetou-se nacionalmente com a canção *Beijo na Boca*, à frente da Banda Beijo, em 1988, e alcançou o topo das paradas musicais em 1996 com a faixa *Mila*, marco histórico do axé music.


