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Brasil & Mundo

Governo federal lança painel interativo sobre mudanças climáticas

Por | Publicado em
mudanças climáticas
Paulo Pinto/Agência Brasil
📖 Leitura: 4 Min

Mapas com projeções de chuvas e temperaturas para os 5.570 municípios do país e para toda a América Latina passaram a ser disponibilizados nesta terça-feira (3), após lançamento oficial conduzido pelo governo federal em conjunto com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

Resumo rápido:

  • Ferramenta inédita foi lançada nesta terça-feira (3) para o país e a América Latina.
  • Plataforma AdaptaBrasil incorpora mapas com projeções de temperatura e precipitação.
  • Iniciativa busca orientar estratégias municipais diante de cenários de aquecimento global.

Projeções detalhadas para os municípios

A nova interface tecnológica foi incorporada ao AdaptaBrasil, sistema que compila indicadores de vulnerabilidade, exposição e ameaças associadas ao clima em todas as cidades brasileiras. Com a atualização, gestores públicos e pesquisadores passam a contar com dados detalhados sobre o comportamento futuro da chuva e do calor, subsidiando estratégias de adaptação local.

O secretário responsável pela pasta de Mudança do Clima na estrutura do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, comentou o andamento das medidas institucionais durante o evento de lançamento. Segundo ele, o esforço atual engloba a revisão do Plano Clima e a estruturação de ações transversais divididas em planos temáticos e setoriais.

“Esse processo de atualizar o Plano Clima e de fazer um plano de adaptação muito mais robusto e transversal, por meio de 16 planos setoriais e temáticos, foi um esforço para traduzir e dar concretude a essa agenda tão fundamental para o desenvolvimento do país”

declarou Aloisio Melo, ao contextualizar as vulnerabilidades socioeconômicas históricas agravadas pelo avanço do aquecimento global

Indicadores e cenários globais de temperatura

A plataforma desenvolvida reúne dados sobre precipitação e variações térmicas, contemplando situações associadas a eventos climáticos extremos mapeados sob quatro patamares distintos de elevação da temperatura do planeta: 1,5 grau, 2 graus, 3 graus e 4 graus.

Para o desenvolvimento tecnológico da interface, o trabalho de integração coube a equipes técnicas especializadas. O gerente de soluções da RNP, Christian Miziara, detalhou a dinâmica de visualização dos dados reunidos na mesma tela.

“Em uma única interface, é possível visualizar indicadores de temperatura e precipitação, considerando os cenários de aquecimento. Isso ajuda a compreender como as ameaças climáticas podem se comportar à medida que a temperatura global aumenta”

afirmou Christian Miziara

Planejamento científico e perspectivas futuras

O uso de projeções científicas serve como base fundamental para a tomada de decisões preventivas nas esferas públicas e privadas, embora o trabalho com modelos climáticos envolva margens inerentes de cálculo probabilístico e variação estatística.

O pesquisador sênior vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Jean Ometto, pontuou a relevância do acesso público a essas simulações.

“As projeções climáticas são um aspecto central, dentro do cálculo de risco, para que possamos planejar. Isso tudo, obviamente, embute uma incerteza, mas a ciência vai buscando justamente trazer a informação mais clara, mais robusta e mais transparente possível para que se possa trabalhar com planejamento”

avaliou Jean Ometto

O lançamento também contou com a explanação técnica conduzida pelo pesquisador Gilvan Sampaio, do INPE, responsável por demonstrar a navegação inicial do sistema e os planos de expansão de variáveis ambientais monitoradas.

“Nós vamos incluir outras variáveis, como umidade relativa, vento, radiação e que são importantes também para os grupos de pesquisa, pesquisadores e para os diversos usuários, inclusive a população, para ter uma informação confiável sobre a mudança do clima”

pontuou Gilvan Sampaio, destacando que a ferramenta disponibilizará o download segmentado de dados por regiões e biomas

A articulação interministerial também foi reforçada pelo coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas da Cruz, ao frisar a utilidade prática do acervo disponibilizado pela ferramenta.

“São as primeiras informações necessárias para se começar a pensar em adaptação. Não se pensa em adaptação sem, antes de mais nada, começar a vislumbrar como será o nosso futuro do ponto de vista climático”

concluiu Márcio Rojas da Cruz
Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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