Pular para o conteúdo
Brasil & Mundo

Relatório do Pnuma aponta cortes de emissões até 2030 para conter alta térmica

Por | Publicado em
Relatório do Pnuma aponta cortes de emissões até 2030 para conter alta térmica
Ralf Vetterle/Pixabay
📖 Leitura: 5 Min

Conter o avanço da temperatura do planeta e recuperar patamares anteriores exige cortes profundos e escalonados na liberação de poluentes na atmosfera ao longo da próxima década e meia.

Resumo rápido:

  • Meta de corte de 18% até 2030 pode viabilizar o retorno do aquecimento a 1,5°C até 2100.
  • Projeções indicam que a trajetória atual de emissões pode elevar a temperatura em até 2,8°C neste século.
  • Políticas públicas em setores elétricos e instrumentos econômicos demonstram eficácia na mitigação.

Metas e projeções para conter a alta térmica

Para limitar o aquecimento global entre 1,7°C e 1,8°C e retornar ao teto de 1,5°C acima dos patamares anteriores ao período industrial até o término deste século, as frotas e indústrias globais precisam enxugar a liberação de poluentes. O recuo necessário é de 18% até 2030, de 45% até 2035 e de 69% até 2040, sempre na comparação com os volumes de 2025. Na prática, a exigência recai sobre a capacidade de assegurar uma baixa média de 5,7% ao ano no período compreendido entre 2025 e 2035.

Os apontamentos integram o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026: O Ponto de Retorno, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O material sinaliza que as demandas superam os compromissos vigentes nas novas gerações de Contribuições Nacionalmente Determinadas, conhecidas pela sigla NDCs, embora aponte alternativas factíveis de reversão.

“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos mantê-la o mais pequena e curta possível – e trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5 graus até o final do século”

avalia o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres

Riscos associados ao pico de temperatura

Danos severos ao meio ambiente e à infraestrutura global dependem diretamente do tempo em que a Terra permanecer em patamares térmicos elevados. A urgência do controle foi destacada em estudo anterior focado em lidar com ultrapassagens de patamares críticos e caminhos de retorno, evidenciando reflexos como a expansão do nível oceânico, o comprometimento de recifes de coral, a frequência de incêndios florestais e ondas de calor, além de mutações severas na criosfera — grupo que abrange calotas de gelo, camadas marinhas congeladas, geleiras, solos congelados e neve.

Caso a rota atual de emissões permaneça inalterada, o termômetro global pode alcançar uma alta de 2,8°C no transcorrer deste século. Mesmo se as NDCs forem integralmente cumpridas e a recuperação de biomas zerar o saldo líquido de poluentes até 2050, a projeção aponta para um acréscimo de 2,1°C no período. Esse cenário traria impactos severos, como o derretimento de um quarto dos blocos glaciais do planeta, resultando em uma elevação de até 12,5 centímetros no nível do mar e comprometendo de forma permanente o abastecimento de água potável em diversas regiões.

A eficácia de políticas públicas testadas globalmente

Medidas regulatórias aplicadas em diferentes nações demonstram resultados práticos na contenção de gases poluentes, segundo a análise de mais de 220 avaliações de diretrizes públicas compiladas pelo documento. Apesar da concentração dessas ações em territórios restritos e setores específicos, os números revelam impactos positivos.

No segmento elétrico, as iniciativas implementadas conseguiram enxugar as emissões em uma média de 9%. Paralelamente, mecanismos de caráter econômico, a exemplo de taxações sobre o carbono e o comércio de captação, viabilizaram retrações situadas entre 5% e 13%.

Para a diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, os exemplos de êxito comprovam que a desaceleração da liberação de poluentes pode ocorrer com rapidez quando há aplicação de diretrizes adequadas. A gestora aponta que cabe aos governos executar prontamente ações que assegurem reduções firmes e sustentadas, direcionando as economias para estabilidade climática.

Perguntas Frequentes

* Qual é a redução de emissões necessária até 2030?
O relatório aponta a necessidade de uma baixa de 18% até 2030, em comparação com os patamares de 2025.
* O que acontece se as metas atuais forem integralmente cumpridas?
Mesmo com o cumprimento pleno das NDCs e a neutralização de emissões até 2050, as projeções indicam um aquecimento de 2,1°C neste século.
* Quais setores apresentaram resultados positivos em políticas públicas?
O setor elétrico obteve redução média de 9% nas emissões, enquanto instrumentos econômicos, como impostos sobre carbono, diminuíram a liberação de poluentes entre 5% e 13%.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

Mais Notícias

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade. Saiba mais