O alívio no bolso dos consumidores ao comprar comida em julho compensou o encarecimento da conta de luz, fazendo com que a prévia da inflação oficial registrasse uma forte desaceleração, fechando o período em 0,06%.
Divulgado nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) mostra um recuo expressivo em comparação ao indicador do mês anterior.
Resumo rápido:
- O IPCA-15 registrou desaceleração expressiva em julho, fixando-se em 0,06%, após marcar 0,41% no mês anterior.
- A queda nos preços dos alimentos no domicílio, puxada pelo tomate e pela batata, foi o principal fator de alívio para o bolso dos consumidores.
- O grupo habitação registrou alta de quase um por cento, impulsionado pelo aumento nas tarifas de energia elétrica residencial e de água e esgoto.
Alimentos puxam queda na prévia da inflação oficial
A principal força motriz para conter o avanço do custo de vida em julho veio do setor de alimentação. O grupo de despesas de alimentação registrou uma deflação de 0,66%, desempenhando um papel crucial para a redução no ritmo de crescimento do IPCA-15 na transição de junho para julho deste ano.
Para quem prepara as refeições em casa, a economia foi ainda mais perceptível. A chamada alimentação no domicílio ficou 1,14% mais barata no período. Essa trajetória descendente foi liderada por itens de consumo diário altamente relevantes na mesa dos brasileiros.
Os principais responsáveis por essa queda foram:
* O preço do tomate, que despencou 19,95%, registrando uma queda de quase um quinto de seu valor anterior;
* A batata-inglesa, com um recuo expressivo de 10,03% nas gôndolas dos supermercados e feiras;
* O café moído, que deu trégua ao consumidor e apresentou uma redução de 3,13% em seu preço médio.
Por outro lado, o comportamento dos preços para quem precisa fazer suas refeições fora de casa seguiu na direção oposta. Comer fora do domicílio ficou 0,55% mais caro no período analisado, indicando que os custos de serviços de alimentação continuam pressionados, mesmo diante da queda dos insumos básicos.
Conta de luz e habitação pressionam orçamento doméstico
Apesar do alívio proporcionado pela queda nos preços dos alimentos, o orçamento doméstico enfrentou uma pressão significativa vinda de despesas fixas essenciais. O grupo de despesas habitação foi o principal responsável por evitar uma deflação ainda mais profunda na prévia da inflação oficial de julho deste ano. Este setor apresentou uma alta de 0,97% no período de referência.
O grande impulsionador desse grupo foi o custo da energia elétrica residencial, que registrou uma elevação expressiva de 3,03%. Esse reajuste nas tarifas de eletricidade impactou diretamente as contas mensais das famílias brasileiras. Somado a isso, as tarifas de água e esgoto também subiram, registrando um avanço de 0,26% no período, o que ajudou a consolidar a pressão do grupo de habitação sobre o índice geral.
A variação desses preços regulados e de utilidades públicas mostra como fatores sazonais e tarifários podem neutralizar rapidamente os ganhos obtidos com a queda de preços de commodities agrícolas altamente voláteis, como legumes e hortaliças.
Comportamento dos demais setores e projeções de mercado
O levantamento do IBGE para o IPCA-15 de julho revela uma variação mista entre os demais setores analisados. Dos nove grupos de despesas que compõem o índice
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