- A primeira medalha do Brasil em Paralimpíadas foi conquistada em 6 de agosto de 1976, nos Jogos de Toronto, no Canadá.
- A conquista histórica veio na modalidade lawn bowls, uma espécie de boliche de grama, com a dupla Robson Sampaio e Luiz Carlos da Costa.
- O cinquentenário da prata pioneira foi celebrado com uma exposição de relíquias no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.
A trajetória de sucesso do Brasil nas Paralimpíadas teve um início silencioso e solitário há meio século. A primeira medalha paralimpica da história nacional — uma prata conquistada no lawn bowls durante os Jogos de Toronto, no Canadá, em 6 de agosto de 1976 — foi relembrada em uma cerimônia emocionante no Centro de Treinamento Paralímpico, na capital paulista. O feito, protagonizado por Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa, pavimentou o caminho para o país alcançar o patamar de potência global no esporte adaptado décadas mais tarde.
O pioneirismo em Toronto e o esquecido lawn bowls
Naquela edição dos Jogos, a delegação brasileira contava com poucos recursos e nenhuma estrutura profissionalizada de apoio. Robson Sampaio e Luiz Carlos da Costa viajaram inicialmente para competir no basquete em cadeira de rodas. No entanto, diante das regras da época que permitiam a polivalência, acabaram convidados a participar do lawn bowls, modalidade de origem britânica semelhante à bocha, cuja tradução literal significa boliche de gramado.
No Etobicoke Lawn Bowling Club, a dupla brasileira surpreendeu ao garantir a medalha de prata, ficando atrás apenas dos australianos Eric Magennis e Bruce Thwaite. Enquanto o lawn bowls acabou extinto do programa paralímpico ao longo dos anos, a semente da representatividade brasileira no paradesporto internacional estava oficialmente plantada.
O impacto social e a evolução do financiamento público
O legado de Robson Sampaio vai muito além da conquista esportiva. Paralelamente à sua atuação como atleta, ele fundou em 1958 o Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, instituição voltada para a reabilitação e inclusão de pessoas com deficiência sem recursos financeiros. A criação da entidade foi viabilizada com a indenização recebida após o grave acidente de trabalho nos Estados Unidos que o deixou paraplégico.
Historicamente, o movimento paradesportivo nacional dependeu do esforço individual de pioneiros que batiam de porta em porta em busca de patrocínios e apoio político para passagens e uniformes. Esse cenário começou a se transformar institucionalmente décadas depois, especialmente com a criação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em 1995.
O marco legal definitivo ocorreu com a inclusão da entidade no Sistema Nacional do Desporto por meio da Lei 9.615 (conhecida como Lei Pelé) e, posteriormente, com a promulgação da Lei Agnelo Piva (Lei 10.264/2001). A legislação determinou que uma porcentagem fixa da arrecadação das loterias federais seja destinada ao desporto, garantindo suporte financeiro contínuo para o treinamento de atletas de alto rendimento e para a manutenção de estruturas de excelência, como o Centro de Treinamento Paralímpico inaugurado em São Paulo em 2016.
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Perguntas Frequentes
Quando o Brasil conquistou sua primeira medalha em Paralimpíadas?
O país obteve seu primeiro pódio paralímpico em 6 de agosto de 1976, durante os Jogos Paralímpicos de Toronto, no Canadá.
Qual foi a modalidade da primeira medalha brasileira?
A conquista histórica ocorreu no lawn bowls, uma modalidade extinta semelhante à bocha, por meio da dupla Robson Sampaio e Luiz Carlos da Costa.
Como o esporte paralímpico passou a ser financiado no Brasil?
O financiamento estruturado ganhou força com a criação do Comitê Paralímpico Brasileiro em 1995 e, posteriormente, com a Lei Agnelo Piva de 2001, que destina parte da arrecadação das loterias federais para o paradesporto.
