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Projeto social em Salvador leva moradores da periferia à Flipelô pela primeira vez

Por Rafael Sampaio | Publicado em 10/08/2026 às 09:19
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Rovena Rosa/Agência Brasil">
📖 Leitura: 4 Min🕒 Publicado: 10/08/2026 às 09:19

Moradores do bairro de Águas Claras, na periferia de Salvador, visitaram o centro histórico da capital baiana e a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) em uma ação inédita de inclusão promovida no último sábado (8). A iniciativa permitiu que dezenas de pessoas, incluindo mulheres idosas e crianças acompanhadas por suas famílias, conhecessem pela primeira vez instituições de referência como a Fundação Casa de Jorge Amado e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab).

  • Moradores de Águas Claras visitaram o centro histórico de Salvador e a Flipelô pela primeira vez em um roteiro cultural guiado.
  • A ação foi viabilizada pelo projeto Circuito Cultural, criado pelo Instituto Motiva para ampliar o acesso a museus e eventos.
  • Especialistas apontam que a descentralização de políticas públicas é fundamental para reduzir a desigualdade no consumo de bens culturais.

A viagem marcou a estreia em roteiros turísticos do centro antigo para grupos como o frequentador da Biblioteca Comunitária Condor Literário. Soraia Santos Pinto, de 61 anos, integrou a comitiva após retomar atividades físicas e sociais no espaço comunitário para superar um quadro de depressão. “A gente tem que fazer isso mais vezes. Isso abre o nosso entendimento. Isso é cultura e é bom para a gente. Eu amei”, relatou à Agência Brasil.

Barreiras geográficas e o desafio do acesso à cultura

A distância física entre a periferia e os polos artísticos das metrópoles brasileiras reflete uma barreira estrutural histórica. Águas Claras fica a cerca de 25 minutos do centro histórico, mas o deslocamento esbarra em dificuldades logísticas e financeiras. Maian Oliveira, 36 anos, mãe de três crianças integrantes de um grupo de capoeira, detalhou o obstáculo cotidiano. “No dia a dia é mais difícil trazer as crianças. Quando se tem mais de duas crianças, se torna ainda mais difícil porque o transporte fica um pouco complicado”, pontuou.

Historicamente, bairros periféricos desenvolveram forte autonomia em redes de apoio mútuo devido ao isolamento inicial em relação aos serviços urbanos centrais. Aline Dias, articuladora territorial do bairro, explica que essa dinâmica começou a se transformar com a expansão da mobilidade, como a chegada do metrô e de novas rodoviárias. No entanto, ela reforça que o acesso à cultura ainda exige investimentos direcionados. “Precisamos pensar em iniciativas que valorizem ou que deem vazão ao que acontece na comunidade”, afirmou.

O papel do Circuito Cultural e a desigualdade no Brasil

A realização do passeio foi possível por meio do Circuito Cultural, projeto idealizado pelo Instituto Motiva para democratizar o acesso à rede de ensino e organizações sociais em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A urgência de políticas de acesso à cultura fundamenta-se em estatísticas nacionais alarmantes sobre a distribuição de equipamentos públicos.

Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que menos de um terço dos municípios brasileiros possui museus em seus territórios, com a visitação altamente concentrada entre as parcelas de maior renda da população. Esse cenário de exclusão simbólica reforça a importância de pontes institucionais que integrem a produção artística periférica aos grandes circuitos oficiais.

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Perguntas Frequentes

O que é o projeto Circuito Cultural?

É uma iniciativa da iniciativa privada, criada pelo Instituto Motiva, que promove visitas gratuitas de estudantes e integrantes de organizações sociais a museus e centros culturais em capitais brasileiras.

Qual foi o impacto da ação em Salvador?

Moradores do bairro periférico de Águas Claras visitaram pela primeira vez pontos turísticos e literários do centro histórico, como o Muncab e a Flipelô, ampliando o repertório artístico e a integração com a cidade.

Por que o acesso a equipamentos culturais é desigual no Brasil?

Dados do IBGE mostram que a maioria dos municípios não dispõe de museus, e os espaços existentes concentram-se em áreas de maior renda, exigindo custos logísticos e de transporte que dificultam a visitação por populações periféricas.


9 de agosto de 2026|Fonte: Agência Brasil|Redação: Rafael Sampaio|Fonte da Informação ↗

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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