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Rede nacional de mulheres une ativistas em defesa do clima e

Por Rafael Sampaio | Atualizado em 02/08/2026 às 10:59
justiça climática
Gabriella Godoy/ Divulgação
📖 Leitura: 5 Min🕒 Publicado: 02/08/2026 às 10:59

Ativistas de diversas regiões do país integraram-se em uma articulação inédita voltada à preservação ambiental, proteção de territórios tradicionais e promoção da justiça climática. A iniciativa busca conectar lideranças femininas que atuam diretamente na linha de frente contra degradações ecológicas e pressões imobiliárias ou industriais.

O projeto responsável por essa conexão é o programa “Defensoras por Defensoras”, promovido pelo Observatório do Clima. A rede atualmente conta com 36 mulheres engajadas em trocas de experiências, capacitações técnicas e estratégias de resistência comunitária, unindo realidades distintas desde grandes centros urbanos até áreas rurais e indígenas.

Resumo rápido:

  • Programa “Defensoras por Defensoras” reúne 36 ativistas ambientais de todo o Brasil.
  • Iniciativa do Observatório do Clima foca em justiça climática e proteção de territórios.
  • Grupo lançou publicação recente que conecta a pauta ambiental à Política Nacional de Cuidados.

Transformações urbanas e perda de biodiversidade em Recife

Na comunidade Caranguejo Tabaiares, situada em Recife (PE), a ativista Sarah Marques testemunha cotidianamente as transformações drásticas na paisagem local. Nascida e criada à margem de um braço do Rio Capiberibe, ela recorda de uma época em que o ecossistema local era marcado por uma rica cadeia de pescado, incluindo camarões, siris, aratus e cavalos-marinhos.

Com o avanço do crescimento urbano desordenado, a área sofreu canalizações e pressões imobiliárias intensas. O que antes era uma zona tipicamente pesqueira transformou-se em um istmo, reduzindo drasticamente a produtividade dos viveiros locais. Através da rede de apoio, relatos como o de Sarah ganham visibilidade nacional para evidenciar como o desenvolvimento urbano sem planejamento compromete diretamente ecossistemas e populações tradicionais.

Recuperação da Mata Atlântica e atuação de ONGs em Santa Catarina

Em outro extremo geográfico, no estado de Santa Catarina, a trajetória de Mirian Prochnow ilustra a urgência da restauração ecológica. O despertar para o ativismo ocorreu quando a moradora se deparou com dezenas de caminhões transportando madeira nativa da Mata Atlântica em frente à sua residência na infância.

A indignação com a devastação resultou na fundação, há quatro décadas, da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi). O que começou com a produção modesta de 18 mudas no fundo de um quintal expandiu-se para um viveiro com capacidade anual superior a um milhão de mudas, abrangendo cerca de 200 espécies nativas voltadas à recuperação de áreas degradadas do bioma.

Conexão entre universidade, territórios e gênero

A articulação também abrange o movimento indígena e a juventude acadêmica. Valdineia Sauré, conhecida como Val Munduruku, natural de Jacareacanga (Pará), levou sua vivência e as pautas de seu povo para o ambiente universitário. Para ela, compreender a intersecção entre a proteção territorial, as mudanças climáticas e as questões de gênero é fundamental para estruturar respostas eficazes.

“O que acontece no território não é algo isolado e a gente, enquanto pessoas que somos parte da solução, precisamos entender isso”, pontua Valdineia, destacando a importância da união entre diferentes frentes de luta social.

Diálogo com a legislação e políticas públicas de cuidado

Recentemente, o grupo lançou a publicação intitulada “Mulheres que Sustem o Clima”. No documento, as ativistas analisam o trabalho exercido por elas à luz da Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei 15.069/2024. A análise do coletivo aponta tanto a relevância do marco legal quanto lacunas existentes na norma, como a ausência de determinados reconhecimentos específicos sobre o papel desempenhado por mulheres na preservação ambiental.

FAQ

O que é o programa “Defensoras por Defensoras”?
Trata-se de uma iniciativa promovida pelo Observatório do Clima que reúne 36 ativistas ambientais de todo o Brasil para promover trocas de experiências, formações e fortalecimento da luta em defesa de seus territórios e da justiça climática.

Quais regiões e frentes de atuação estão representadas na rede?
A rede abrange diversas realidades do país, incluindo comunidades urbanas impactadas por transformações imobiliárias em Recife (PE), iniciativas históricas de reflorestamento da Mata Atlântica em Santa Catarina e lideranças indígenas do Pará.

Como a legislação é abordada pelo grupo de ativistas?
O coletivo publicou recentemente o relatório “Mulheres que Sustem o Clima”, no qual discutem o impacto de suas atuações frente à Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069/2024), apontando tanto os avanços quanto as lacunas da legislação vigente.

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2 de agosto de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Gabriella Godoy/ Divulgação|Redação: Rafael Sampaio|Fonte da Informação ↗

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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