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Rua do Samba resgata memória da comunidade negra na Barra Funda

Barra, Bahia
Por Rafael Sampaio | Atualizado em 02/08/2026 às 01:28
rua do samba
Paulo Pinto/Agência Brasil
📖 Leitura: 4 Min🕒 Publicado: 02/08/2026 às 01:28

A Rua João de Barros, situada no bairro da Barra Funda, em São Paulo, foi oficialmente rebatizada em 28 de julho como Rua do Samba. O logradouro, que possui apenas uma quadra, abriga rodas de samba desde a década de 1980, período em que Carlos Alberto Tobias promovia eventos no local.

O novo nome gravado na placa transcende o reconhecimento musical ao funcionar como um ato de resgate histórico da população negra na região. A iniciativa dialoga diretamente com as raízes da família da cantora Simone Tobias, filha de Carlos Alberto e neta de Inocêncio, responsável por reorganizar um antigo grupo carnavalesco em 1953.

Resumo rápido:

  • Rua João de Barros, na Barra Funda, foi renomeada como Rua do Samba em 28 de julho.
  • O local abriga rodas de samba desde a década de 1980, iniciadas por Carlos Alberto Tobias.
  • A iniciativa combate o apagamento histórico e a gentrificação, valorizando a memória da população negra.

Origens e laços com o Carnaval paulistano

O vínculo da família Tobias com a história do samba na capital paulista remonta ao início do século passado. Em 1914, Dionísio Barbosa fundou o grupo carnavalesco Barra Funda. Anos mais tarde, em 1953, Inocêncio mobilizou moradores para criar um novo cordão.

Para homenagear o pioneiro Dionísio, o novo grupo adotou as cores primárias do antigo cordão da Barra Funda. Os fundadores utilizavam o apelido de “camisas verdes”, acrescentando o branco para evitar confusões com os integralistas da época. Os ensaios ocorriam na porta da residência familiar, situada no porão de um cortiço já demolido.

Especulação imobiliária e o deslocamento da comunidade

O avanço da especulação imobiliária no final da década de 1970 alterou profundamente o senso de comunidade e pertencimento no bairro. Moradores tradicionais acabaram empurrados para regiões distantes da cidade.

* Deslocamento forçado de famílias negras para a periferia da zona norte.
* Afastamento dos redutos tradicionais de convivência e lazer.
* Tentativa institucional de apagar a presença da população negra dos espaços centrais.

Simone Tobias relata que a mudança drástica inviabilizou a manutenção dos laços comunitários originais. A dinâmica de higienização urbana acabou empurrando a negritude para as margens da capital.

O papel do projeto Cartografias de Bambas

Para combater o apagamento promovido pela gentrificação, o projeto Cartografias de Bambas atua na valorização da memória negra local. Coordenada por Nathália Oliveira, a iniciativa enfatiza que o samba vai muito além da sonoridade.

Reconhecer um território que passa por um processo de embranquecimento é evitar que o legado de seus antecessores seja esquecido. O Festival Cartografias de Bambas ocorre mensalmente há oito meses na Rua do Samba, promovendo a reconexão do público com o espaço por meio da cultura.

Outros marcos históricos na Barra Funda

Antes da oficialização da nova nomenclatura, a Barra Funda já contava com outro ponto de referência para o samba paulistano: o Largo da Banana. No final do século 19, estivadores negros se reuniam na área para tocar e cantar os primórdios do gênero na cidade.

A construção de um viaduto na década de 1950 soterrou parte importante daquela vivência, restando apenas uma placa comemorativa no local. Através do manifesto do projeto Cartografias de Bambas, a comunidade reforça que a preservação da memória atua como política pública essencial para o futuro.

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Perguntas Frequentes

Quando a Rua João de Barros foi renomeada?

O logradouro foi oficialmente rebatizado como Rua do Samba em 28 de julho.

Onde fica localizada a Rua do Samba?

A rua fica no bairro da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, e possui apenas uma quadra.

Qual é a origem das rodas de samba na região?

Os eventos começaram na década de 1980, organizados por Carlos Alberto Tobias em frente à sua residência.


1 de agosto de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil|Redação: Rafael Sampaio|Fonte da Informação ↗

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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