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Bahia

Torcida organizada Bamor é alvo de operação do MPBA por tortura

Por Fábio Silva | Publicado em 28/09/2026 às 08:42
torcida organizada Bamor
george.brito
📖 Leitura: 7 Min

A investigação de crimes de tortura, roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa cometidos no interior de instalações esportivas ou recreativas mobilizou uma ofensiva policial em Salvador promovida pelo Ministério Público da Bahia (MPBA). O foco das ordens judiciais envolve integrantes da alta cúpula, como a presidência e diretoria, da torcida organizada Bamor, além de um policial militar suspeito de participação nos atos ilícitos.

Resumo rápido:

  • Dirigentes de torcida e policial militar são alvos de ordens judiciais em Salvador por crimes graves.
  • Vítimas sofreram tortura física e psicológica prolongada com armas brancas e instrumentos contundentes em julho.
  • Ação integrada do MPBA busca coibir a atuação do crime organizado infiltrado em agremiações esportivas.

O que motivou a operação contra a torcida organizada Bamor

As diligências policiais decorrem de apurações sobre sessões de espancamento e agressões gravíssimas ocorridas em julho deste ano no interior do imóvel da agremiação. Pelo menos duas vítimas foram submetidas a agressões físicas e psicológicas ao longo de horas, sob ameaças de morte empregando tacos de beisebol, martelo e faca.

A apuração conduzida pelas autoridades indica que os agredidos sofreram sufocamento e afogamento para que confessassem supostas irregularidades internas. Além das lesões severas, os investigados são suspeitos de praticar extorsão e roubo contra os atingidos, consolidando a prática de infrações criminais graves articuladas por grupos estruturados no meio esportivo.

Como funciona a investigação sobre crimes de tortura em sedes e agremiações

A legislação brasileira define o crime de tortura pela Lei Federal nº 9.455/1997, caracterizando a conduta pelo constrangimento com emprego de violência ou grave ameaça que cause sofrimento físico ou mental. A norma tipifica expressamente os atos praticados para submeter alguém sob guarda, poder ou autoridade a intenso sofrimento como forma de aplicar castigo pessoal ou obter confissão.

Crime Investigado Instrumentos/Meios Utilizados Local dos Fatos Envolvidos / Alvos
Tortura física e psicológica Tacos de beisebol, martelo, faca, sufocamento e afogamento Sede da torcida organizada Pelo menos duas vítimas
Roubo e Extorsão Coação moral e violência física direta Salvador Dirigentes da torcida organizada Bamor
Associação Criminosa Estrutura hierárquica e apoio funcional Instalações da agremiação Lideranças civis e um policial militar

O emprego de violência como mecanismo de disciplina interna ou retaliação configura infração penal inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. A inclusão de agentes estatais na apuração exige a atuação de órgãos de controle interno para sanar eventuais desvios de conduta funcional.

A integração das forças de segurança pública e a articulação institucional

A execução das ordens judiciais em Salvador foi estruturada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em parceria direta com a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Participaram do cumprimento das medidas o Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), o Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e a Força Correcional Especial Integrada (Force) da Corregedoria-Geral da SSP.

O apoio operacional contou com tropas especializadas da Polícia Militar, incluindo o Batalhão de Choque, o Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (Bepe), o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o Patrulhamento Tático Móvel ou Motorizado (Patamo) e a Corregedoria da PM. A coordenação entre múltiplos órgãos visa conter a interferência de infratores em coletividades esportivas.

Histórico da violência ligada a facções e agrupamentos torcedores

Casos de violência sistemática associados a entidades de torcedores vêm sendo registrados de forma recorrente nos grandes centros urbanos do país. Em episódios anteriores na própria capital baiana e em outras metrópoles, sedes de uniformizadas já foram palco de apreensões de armas, entorpecentes e conflitos motivados por rivalidades ou disputas por comando interno.

O histórico de incidentes em arenas esportivas e áreas urbanas demonstra a transição do vandalismo pontual para condutas tipificadas no Código Penal. A atuação ostensiva de órgãos estaduais busca desarticular estruturas que utilizam a paixão pelo futebol para acobertar práticas ilícitas graves.

torcida organizada Bamor
Ministério Público da Bahia (MPBA)

O impacto no ecossistema do futebol e a resposta das autoridades

A ocorrência de graves violações de direitos fundamentais em espaços privados mantidos por coletivos de torcedores gera impactos diretos no ambiente esportivo e na segurança pública geral. A responsabilização individual dos dirigentes visa proteger os cidadãos e afastar práticas abusivas cometidas em nome de agremiações esportivas.

Para o cidadão comum e frequentadores de eventos culturais ou esportivos, a ação das forças policiais busca restaurar a ordem e a legalidade nas dependências do futebol. A aplicação rigorosa das sanções penais serve como medida inibitória contra agressões perpetradas no seio de entidades recreativas.

O que fazer ao presenciar ou ser vítima de agressões e tortura em agremiações

Em cenários de violência ou coagimento ilegal cometidos por grupos organizados, o cidadão deve buscar os canais de denúncia anônima para preservar sua integridade física. O uso de mecanismos oficiais garante a apuração dos fatos sem expor a vítima ou as testemunhas a eventuais retaliações.

1. Acione o Disque Denúncia: Utilize o telefone 181 para repassar informações sigilosas sobre locais, suspeitos e condutas ilícitas sem necessidade de identificação.
2. Procure a Polícia Civil: Registre o boletim de ocorrência em uma delegacia territorial ou especializada, detalhando cronologicamente os fatos, agressões e objetos utilizados.
3. Notifique o Ministério Público: Encaminhe representações diretamente à ouvidoria do Ministério Público da Bahia (MPBA) ou à Promotoria de Justiça Criminal para acompanhamento do caso.
4. Solicite Medidas de Proteção: Em casos de ameaça iminente ou violência física continuada, requisite o auxílio do programa de proteção a vítimas e testemunhas junto às autoridades competentes.

Visão analítica sobre a segurança nas entidades esportivas

Os acontecimentos apurados em Salvador evidenciam a urgente necessidade de fiscalização contínua sobre as atividades de agrupamentos torcedores. Quando sedes privadas passam a ser utilizadas para a prática de violência física desmedida, extorsão e custódia paralela de indivíduos, a atuação firme do Judiciário e das forças de repressão torna-se indispensável para restabelecer a autoridade da lei.

A presença de um integrante da corporação militar entre os alvos investigados reforça a complexidade do cenário e a importância de auditorias corretivas internas rigorosas. O desmantelamento de atos arbitrários no ambiente esportivo garante que a paixão pelo futebol não seja distorcida ou instrumentalizada por grupos violentos.

Perguntas Frequentes

Qual foi o motivo da operação contra a torcida organizada Bamor?

A ação policial foi deflagrada para investigar crimes de tortura, extorsão, roubo, ameaça e associação criminosa cometidos contra pelo menos duas vítimas no interior da sede da agremiação, em julho deste ano.

Quais órgãos participaram da execução dos mandados em Salvador?

A operação integrada contou com a participação do MPBA (Gaeco), da SSP, do Deic, do Denarc, da Force, da Corregedoria-Geral da SSP, além de batalhões especializados da Polícia Militar como Bope, Bepe, Choque e Patamo.

Há agentes públicos envolvidos entre os investigados na ação do MPBA?

Sim, além de integrantes da presidência e diretoria da torcida organizada Bamor, um policial militar figura entre os alvos de mandados cumpridos na capital baiana.

Fábio Silva
Escrito por
Editor de Municípios

Com 32 anos de experiência sólida na radiodifusão, Fábio é o jornalista dedicado a dar voz e visibilidade aos municípios baianos. Conhecedor profundo da realidade regional, ele é o responsável por cobrir os principais acontecimentos, o cotidiano e o desenvolvimento das cidades do interior e da capital. Tendo atuado diretamente em polos como Feira de Santana, Jequié, Serra do Ramalho e Salvador, Fábio produz matérias que conectam os desafios e as conquistas locais ao interesse público. Além da apuração rigorosa no jornalismo municipal, ele aplica sua expertise para garantir que as notícias de cada canto da Bahia alcancem destaque e projeção nacional.

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