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André Lara Resende acusa Banco Central de causar déficit fiscal

Por | Publicado em
taxa de juros
Geraldo Magela/Agência Senado
📖 Leitura: 5 Min

O economista André Lara Resende, integrante da equipe que elaborou o Plano Real, publicou um artigo no Substack criticando o patamar das taxas de juros mantidas pela autoridade monetária brasileira. O especialista argumenta que a condução da política de juros é o principal fator responsável pelo desequilíbrio fiscal registrado no país.

Resumo rápido:

  • André Lara Resende culpa o Banco Central pelo desequilíbrio fiscal devido aos juros.
  • O economista aponta que o serviço da dívida pressiona o rombo das contas públicas.
  • A dívida pública brasileira subiu de 71,7% em 2022 para 82,9% do PIB em agosto de 2026.

Críticas à teoria do Banco Central e ao mercado

A política monetária conduzida pelo Banco Central foi duramente questionada pelo economista, que atribui o problema fiscal aos juros elevados e não apenas aos gastos primários do governo. Formado pela PUC do Rio de Janeiro e com PhD em economia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, o especialista possui passagens por instituições financeiras no Brasil.

Segundo o artigo, a manutenção de taxas elevadas atende a uma teoria econômica considerada anacrônica pelo autor.

“Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater”

afirmou o economista

O texto também menciona dados de um ranking da Moneyou, apontando que o Brasil pratica a taxa de juros real mais alta do mundo.

Além da autoridade monetária, o artigo direciona críticas à cobertura da imprensa e à atuação de analistas financeiros.

“Acuso a grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica”

declarou, acrescentando críticas à preferência pelo consenso em detrimento do debate técnico

A dinâmica da dívida pública e os gastos com juros

O avanço da dívida pública nacional tem gerado debates recorrentes entre analistas econômicos. De acordo com os dados apresentados, o endividamento do setor público passou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para aproximadamente 82,9% do PIB em agosto de 2026.

Enquanto setores do mercado financeiro pressionam por cortes nas despesas primárias da União, André Lara Resende argumenta que o principal componente de despesa do Estado reside no pagamento de juros sobre a dívida. O economista reconhece que o país apresenta ineficiências na alocação de recursos, citando exemplos como emendas parlamentares, vantagens salariais no Judiciário e isenções tributárias, mas pondera que o déficit fiscal primário permanece em patamares reduzidos quando comparado internacionalmente.

“Nos últimos anos, exceto durante a Covid, o resultado primário foi apenas ligeiramente negativo; já o déficit nominal, puxado pelos juros, foi sempre alto e agora aproxima-se de 10% do PIB”

pontuou o autor

Nos últimos 12 meses, os gastos com o pagamento de juros superaram R$ 1,1 trilhão, montante equivalente a 8,9% do PIB nacional.

Justificativas da autoridade monetária

Por sua vez, o Banco Central sustenta que o nível atual da taxa Selic é indispensável para conter pressões inflacionárias na economia. Os posicionamentos oficiais do Comitê de Política Monetária (Copom) indicam que o aquecimento do mercado de trabalho, a demanda agregada e a trajetória dos gastos públicos exigem uma política monetária restritiva para ancorar as expectativas de preços.

A última ata publicada pelo Copom reforça que o enfraquecimento na disciplina fiscal, a expansão de créditos direcionados e as incertezas fiscais mantêm o potencial de pressionar a taxa básica de juros. Contudo, o debate em torno da eficácia dos modelos macroeconômicos convencionais continua a dividir opiniões entre formuladores de políticas públicas, acadêmicos e agentes do mercado financeiro.

Perguntas Frequentes

* Qual é o principal argumento de André Lara Resende no artigo?
O economista defende que a taxa elevada de juros mantida pelo Banco Central é a verdadeira causadora do desequilíbrio fiscal brasileiro, superando o impacto dos gastos primários nas contas públicas.
* Como variou a dívida pública brasileira recentemente?
A dívida pública evoluiu de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% do PIB em agosto de 2026, segundo os dados abordados no debate econômico.
* Qual é a justificativa do Banco Central para os juros altos?
A autoridade monetária aponta que a taxa Selic elevada é necessária para combater pressões inflacionárias, monitorando fatores como o aquecimento econômico, o mercado de trabalho e o comportamento dos gastos públicos.

Rafael Sampaio
Escrito por

Rafael, 41 anos, é um jornalista de Milagres apaixonado pela arte de escrever. Um eterno aprendiz dedicado a contar histórias com verdade, precisão e uma profunda conexão com o leitor.

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