A busca pela redução de danos e pelo fortalecimento da autonomia feminina mobilizou especialistas em Salvador para debater novas frentes de enfrentamento à violência contra a mulher, em um esforço conjunto entre o Sebrae Bahia e a SPM.
Resumo rápido:
- O Sebrae Bahia e a SPM debateram a prevenção da violência contra a mulher no Agosto Lilás.
- Painelistas destacaram a necessidade de reconstrução da autonomia feminina e atuação preventiva conjunta na sociedade.
- Evento ocorreu em Salvador e forneceu orientações práticas sobre canais de denúncia e proteção institucional.
Prevenção e acolhimento no combate à agressão de gênero
A prevenção primária e o suporte contínuo às vítimas representam pilares centrais para interromper os ciclos de agressão. O debate promovido na Bahia busca integrar redes estaduais de segurança, gestão estratégica e entidades de apoio para garantir que mulheres em vulnerabilidade recuperem a independência social e econômica.
A construção de estratégias eficazes para coibir abusos físicos e psicológicos exige a participação direta de múltiplos setores da sociedade. No Auditório Pense Fora da Caixa, localizado no Sebrae Costa Azul, em Salvador, a iniciativa “Prosa com Elas – Agosto Lilás” materializou o desdobramento do Protocolo de Intenções firmado entre o Sebrae Bahia e a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia (SPM). O encontro buscou criar um espaço de diálogo para ampliar as políticas públicas de acolhimento e sensibilizar a população sobre a urgência do tema.
O gerente de Pessoas do Sebrae Bahia, Francisco Bastos, analisou o papel institucional da ação diante dos índices nacionais sobre a violência contra a mulher. O gestor enfatizou: “Ao mesmo tempo em ficamos triste pela necessidade de realizar este evento acerca da violência contra a mulher, porque gostaríamos que isso não ocorresse, a gente fica satisfeito por proporcionar esse momento de reflexão através de números e dados, de conversas com especialistas, principalmente, das entidades que tratam do assunto de proteção às mulheres, a fim de apresentar essa realidade para que nós nos sensibilizemos de que é um problema de todo mundo”.
Autonomia e reconstrução da vida social das vítimas
Garantir a autonomia financeira e emocional da vítima é a forma mais eficaz de evitar a reincidência da violência contra a mulher. Medidas preventivas aliadas ao fortalecimento psicológico permitem que a cidadã retome o controle sobre as próprias escolhas sem ficar subordinada ao agressor.
Durante a programação, a superintendente de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher da SPM/BA, Ana Clara Auto, afirmou que o foco da atuação pública precisa ir além do momento posterior à agressão. A especialista destacou: “A melhor forma de combater a violência contra as mulheres é fazer a prevenção. Tudo que a gente falou aqui é o enfrentamento, é a parte dura da coisa, mas depois que essas mulheres são agredidas tudo que a gente faz é redução de danos, o resgate da vida social dela, o que é extremamente complexo. Tudo que preciso é que essa mulher seja dona de sua própria vida novamente, que ela entenda que não precisa ficar reduzida à condição da violência que sofreu”.
O painel de debates reuniu lideranças operacionais e jurídicas da segurança estadual. Além da presença de Ana Clara Auto, participaram da mesa a delegada titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM) da Casa da Mulher Brasileira, Dra. Argimária Soares, e a capitã da Polícia Militar, palestrante e gestora de Projetos do Batalhão de Policiamento de Proteção à Mulher, Luana Queiroz. A condução das discussões ficou sob a responsabilidade de Isabel Ribeiro, gerente da Unidade de Gestão Estratégica (UGE) do Sebrae Bahia.
A troca de experiências gerou reflexões nos assistentes, a exemplo da estudante de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Maria Fernanda. A acadêmica compartilhou sua percepção sobre o aprendizado obtido durante a atividade: “Foi um evento muito informativo, de muita relevância, principalmente para nós mulheres. Saio daqui com uma visão aprimorada do que é a violência contra a mulher e as consequências que isso pode trazer para a nossa vida e nossas relações. Aprendi muito com as palestrantes e vou levar esse conhecimento para a vida toda”.
Contexto da campanha Agosto Lilás e o papel das instituições
O Agosto Lilás é uma campanha nacional instituída para divulgar a Lei Maria da Penha e fortalecer ações de prevenção. A mobilização promove debates, amplia o conhecimento sobre a proteção às mulheres e divulga canais de denúncia para combater agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais.

A campanha do Agosto Lilás ocorre anualmente em todo o país como marco de conscientização associado à promulgação da Lei Maria da Penha. A iniciativa visa alertar a sociedade sobre as diferentes formas pelas quais as agressões de gênero se manifestam no cotidiano, incluindo os danos materiais, chantagens emocionais e agressões verbais.
No território baiano, o alinhamento entre o ecossistema de empreendedorismo e os órgãos governamentais busca oferecer alternativas concretas para a emancipação das vítimas. A dependência financeira figura entre os fatores determinantes que impedem o rompimento de ciclos de abusos no ambiente doméstico, tornando ações educacionais e de qualificação ferramentas de transformação social.
Tabela de especialistas e instituições no debate
| Nome da Autoridade / Convidada | Cargo / Função Representada | Órgão ou Entidade de Atuação |
|---|---|---|
| Ana Clara Auto | Superintendente de Prevenção e Enfrentamento | Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM/BA) |
| Dra. Argimária Soares | Delegada Titular da DEAM | Casa da Mulher Brasileira |
| Luana Queiroz | Capitã PM e Gestora de Projetos | Batalhão de Policiamento de Proteção à Mulher |
| Isabel Ribeiro | Gerente de Gestão Estratégica (UGE) | Sebrae Bahia |
| Francisco Bastos | Gerente de Pessoas | Sebrae Bahia |
Como buscar ajuda e acionar a rede de apoio à mulher
O atendimento a vítimas de violência pode ser solicitado pelo telefone 180, em delegacias especializadas ou na Casa da Mulher Brasileira. Em emergências imediatas, a Polícia Militar deve ser acionada pelo número 190 para o envio de patrulhas e concessão de proteção urgente.
Para solicitar amparo, orientações jurídicas ou registrar denúncias de casos de violência contra a mulher, a população pode utilizar os canais oficiais estruturados no estado e no país:
1. Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180): Serviço público e gratuito que opera 24 horas por dia. Oferece escuta qualificada, informa sobre direitos e encaminha relatos para os órgãos de segurança competente.
2. Polícia Militar (Ligue 190): Canal para situações de emergência, risco de morte ou agressões em andamento. A viatura é enviada ao local para interrupção imediata da ameaça.
3. Delegacias Especializadas em Atendimento à Mulher (DEAM): Unidades da Polícia Civil voltadas à apuração de crimes de gênero, expedição de medidas protetivas de urgência e encaminhamento para perícias médicas.
4. Casa da Mulher Brasileira: Equipamento multidisciplinar que reúne serviços policiais, judiciais, defensoria pública e assistência psicológica em uma mesma estrutura integrada.
Perguntas Frequentes
O que é o Agosto Lilás e qual a sua finalidade?
O Agosto Lilás consiste em uma campanha nacional idealizada para intensificar a divulgação da Lei Maria da Penha e conscientizar a população sobre o combate à violência contra a mulher, promovendo palestras e ações educativas.
Onde foi realizado o evento Prosa com Elas em Salvador?
O encontro ocorreu no Auditório Pense Fora da Caixa, na estrutura do Sebrae Costa Azul, reunindo representantes do governo baiano e da sociedade civil.
Quais órgãos organizaram a iniciativa contra a violência de gênero na Bahia?
A ação foi fruto de uma parceria estabelecida via Protocolo de Intenções entre o Sebrae Bahia e a Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia (SPM).
