O estigma social e a desinformação sobre HIV podem provocar 440 mil mortes evitáveis ao longo desta década em todo o planeta. A projeção alarmante integra um levantamento internacional de opinião pública conduzido pela iniciativa não governamental Tackle HIV, divulgada durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.
No Brasil, o impacto da falta de esclarecimento reflete diretamente nos hábitos de testagem da população adulta. Um questionário online respondido por pouco mais de 2 mil pessoas no país revelou que apenas 48% dos participantes já realizaram o exame para detectar o vírus. Entre aqueles que chegaram a cogitar o procedimento, a maioria descartou a oportunidade sob a justificativa de não pertencer a grupos de risco.
Resumo rápido:
- Desinformação sobre HIV pode causar 440 mil mortes evitáveis na década, aponta Tackle HIV.
- Apenas 48% dos brasileiros entrevistados já fizeram o teste de detecção do vírus.
- Brasil cumpriu metas globais de diagnóstico e supressão da carga viral, mas enfrenta alta de casos em 21 regiões.
O peso do preconceito na testagem
O representante e idealizador do projeto, Gareth Thomas, alerta que o medo gerado pelo preconceito paralisa a sociedade. Para o ativista, o temor afasta as pessoas tanto do momento do diagnóstico quanto da adesão aos medicamentos necessários.
A pesquisa detalha lacunas profundas no conhecimento da população brasileira sobre a transmissão do patógeno:
* 36% dos entrevistados acreditam que homens heterossexuais não correm risco de infecção.
* 37% sustentam a mesma crença equivocada em relação às mulheres heterossexuais.
* 19% ainda pensam que pessoas soropositivas não podem manter vida sexual ativa.
* Apenas 29% sabem que indivíduos com carga viral indetectável em tratamento eficaz não transmitem o vírus.
Avanços científicos e metas cumpridas
Embora novas infecções e óbitos relacionados à Aids tenham atingido os menores patamares globais em 2025, o Brasil figura em um grupo de 21 nações onde o número de casos aumentou. O Boletim Epidemiológico HIV e Aids indicou a notificação de quase 40 mil novas infecções no país em um ano, com maior concentração na região sudeste.
Apesar disso, o país registra marcas importantes na resposta institucional à epidemia. O território nacional alcançou em 2020 a primeira das metas fixadas pelo programa da ONU, com 95% dos diagnosticados conhecendo sua condição sorológica. Em 2024, atingiu a terceira meta do programa, assegurando a supressão da carga viral em 95% dos pacientes em tratamento.
Novas estratégias de prevenção no SUS
O governo federal manifestou interesse em incorporar ao Sistema Único de Saúde a profilaxia pré-exposição injetable. O método inovador tem capacidade de prevenir a infecção em pessoas saudáveis por um período de até meio ano.
Gareth Thomas reforça que a ciência atual transformou radicalmente o prognóstico da infecção. “Receber um teste positivo, com todos os avanços da ciência e da medicina, não é mais uma sentença de morte”, pontua o ex-jogador de rugby, diagnosticado com HIV em 2019.
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Perguntas Frequentes
Quantas mortes evitáveis a desinformação sobre HIV pode causar?
A projeção internacional aponta que o estigma social pode provocar cerca de 440 mil mortes evitáveis nesta década.
Qual é o percentual de brasileiros que já fizeram o teste de HIV?
Apenas 48% dos adultos entrevistados na pesquisa online já realizaram o exame para detectar o vírus.
O que significa carga viral indetectável na transmissão?
Pessoas sob tratamento eficaz e com carga viral indetectável não transmitem o HIV em relações sexuais, fato conhecido por apenas 29% dos entrevistados no Brasil.

