A cadeia de suprimentos sustentáveis deu um salto estratégico no interior baiano em 6 de agosto, quando o Sebrae promoveu uma articulação direta entre oito cooperativas de reciclagem e o parque fabril regional, durante evento focado na economia circular do plástico na região de Feira de Santana.
- Oito cooperativas baianas participaram de capacitações e visitas técnicas para atender à demanda de indústrias locais.
- Levantamento aponta necessidade anual de 3.984 toneladas de plásticos recicláveis em dez indústrias monitoradas na região.
- Projeto Pró-Catadores do Sebrae busca estruturar fornecedores para garantir volume, qualidade e regularidade de entrega.
O movimento responde a um cenário nacional robusto. O setor de transformados plásticos no Brasil registrou faturamento de R$ 164,8 bilhões em 2024, de acordo com o levantamento Perfil ABIPLAST 2025. A atividade industrial envolve cerca de 12,9 mil companhias, emprega 387,9 mil trabalhadores e gerou 7,46 milhões de toneladas de artefatos plásticos. No campo da reciclagem mecânica pós-consumo, o volume alcançou 1,012 milhão de toneladas de resina regenerada, movimentando cerca de R$ 4 bilhões.
Demanda Reprimida e Oportunidades Locais
No âmbito regional, o diagnóstico conduzido pelo Sebrae com dez das trinta fábricas acompanhadas revelou um consumo mensal de 332 toneladas de polímeros reaproveitáveis, divididos em aproximadamente 20 variações de materiais. Essa cifra revela um potencial de consumo de 3.984 toneladas anuais. A estratégia consiste em capacitar os catadores de materiais recicláveis para que superem gargalos logísticos e forneçam insumos com constância, impulsionando a inclusão produtiva.
A programação incluiu atividades teóricas na sede do Sebrae em Feira de Santana e uma jornada prática na Realce Indústria de Produtos Plásticos, situada em Conceição do Jacuípe. Para Ellen Castro Monteiro, analista e gestora do projeto industrial da instituição, a aproximação mitiga distâncias históricas entre os elos produtivos. “O encontro tem como objetivo aproximar catadores e indústria ao conectar a oferta de materiais recicláveis às necessidades reais do mercado, além de promover a melhoria da qualidade e da regularidade dos materiais, a geração de novos negócios e renda. Isso fortalece a economia circular na cadeia do plástico em Feira de Santana. Foi um importante passo na aproximação, treinamento e diálogo entre esses dois elos para que juntos possamos avançar nesse projeto que, além dos interesses entre as partes, é de suma importância social, fornecendo a destinação adequada aos resíduos”, pontuou.
Do lado empresarial, a visão sobre a matéria-prima secundária passa por uma reavigoração conceitual. Tiago Motta, dirigente da Realce Indústria, enfatizou o papel da responsabilidade socioambiental. “A indústria precisa muito desse trabalho dos catadores, desse material reciclado pelo aspecto econômico, mas também por uma questão socioambiental. O plástico não é o vilão, ele é a solução. Mais de 80% dele é reciclável. O que falta é educação ambiental, cultura da nossa sociedade para que o plástico tenha um destino correto. Com o conhecimento técnico, os catadores conseguem agregar valor ao produto e a indústria consegue ter mais eficiência no processo de reciclagem”, argumentou.
Impacto na Base da Cadeia Produtiva
Para as lideranças cooperativistas, o intercâmbio abriu portas comerciais inéditas. Carissa Araújo, presidente da cooperativa AACRRI, de Itabuna, relatou a mudança de perspectiva. “No Sebrae, a gente teve conhecimento de que existem indústrias beneficiadoras do reciclável no estado, pois a gente não sabia. Nós vendíamos nosso material para o Espírito Santo, para Minas. Foi algo esclarecedor, onde a gente pôde expor a quantidade de material que vende. Vem aí uma possível parceria. Visitar a fábrica foi muito bom, ver todo o processo. Vou sair daqui cheia de novidade para mostrar para os meus companheiros”, comemorou.
A eliminação de intermediários também foi celebrada por Aline da Silva Sena, representante da Cooperativa de Trabalhadores em Reciclagem Jaguarari. “Desde quando o Sebrae chegou até a gente, avançamos bastante. Vir num encontro desse é maravilhoso, porque gente leva experiências espetaculares, leva negócios para a nossa cooperativa. Ver todo esse processo acontecer faz a gente enxergar as coisas com um novo olhar. Antes, a gente vendia para atravessadores, agora, estamos começando a vender para a indústria “, destacou.
Nacionalmente, o programa Pró-Catadores consolida-se como ferramenta de desenvolvimento territorial. Em 2025, o plano atingiu 421 organizações assistidas, beneficiando 2,2 mil trabalhadores em 263 municípios, com expansão média de 21% na receita das entidades. Para 2026, a projeção aponta investimentos de R$ 20,2 milhões voltados ao treinamento de 290 novas organizações.
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Perguntas Frequentes
O que é o projeto Pró-Catadores do Sebrae?
É uma iniciativa estratégica voltada à inclusão produtiva e estruturação de cooperativas de reciclagem, oferecendo capacitação técnica para melhorar a qualidade, o volume e a regularidade dos materiais fornecidos à indústria.
Qual é a demanda anual de plásticos recicláveis em Feira de Santana?
Um levantamento feito com dez indústrias locais identificou uma demanda potencial de aproximadamente 3.984 toneladas de plásticos recicláveis por ano.
Como a economia circular beneficia as cooperativas de reciclagem?
A economia circular conecta diretamente os catadores à indústria transformadora, eliminando a figura de atravessadores, aumentando o faturamento das cooperativas e garantindo a destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
